Vídeos com gestos, sons e até mesmo xingamentos começaram a ganhar atenção nas redes sociais. Com a intenção de trazer o debate sobre o desafio enfrentado por quem possui uma síndrome ainda pouco conhecida, diversas pessoas com esse diagnóstico utilizam as ferramentas virtuais para compartilhar suas rotinas.

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> Estresse e ansiedade podem influenciar a saúde do corpo

Com tiques motores e vocais, a catarinense Isabela Lenartovicz conta, no TikTok, como é a vida com o diagnóstico da Síndrome de Tourette e reúne mais de 250 mil seguidores interessados em acompanhar a superação dela.

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Aos 22 anos, ela ainda investiga o que provocou o distúrbio, que passou a fazer parte de sua rotina durante a pandemia. Marcela de Souza, mãe de Isabela, conta que a filha iniciou tratamento com médico psiquiatra em fevereiro do ano passado, com sintomas depressivos. Em dezembro, foi diagnosticada com Transtorno Borderline (transtorno de personalidade limítrofe) e, então, os tiques começaram.

— Em novembro ela começou com espasmos e o médico acreditou que fosse reação de remédios. Esses espasmos eram leves, mas foram aumentando para tiques fortes e recorrentes, com assobios, socos no próprio corpo e na parede, e também começaram os tiques vocais. Foi quando, neste ano, o médico diagnosticou Tourette — afirma a mãe de Isabela.

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Segundo a mãe, a intensidade dos tiques muda de um dia para outro. Além de tratamento, com medicação prescrita pelo psiquiatra, Isabela pratica yoga e conta com o apoio da família nos momentos de crise.

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A agressividade faz parte da síndrome. Na foto, Isabela registra os hematomas causados em momentos de crise – FOTO: Arquivo pessoal (Foto: Arquivo Pessoal)

Mesmo que não seja uma síndrome incomum, ela ainda é pouco divulgada. O período de estresse e tensão com o isolamento social devido à pandemia do novo coronavírus também pode ser um fator que contribui para a piora em alguns quadros. Se a criança ou adolescente apresentar comportamentos repetitivos, a busca por um profissional especializado é recomendada.

Síndrome de Tourette

O nome tem origem com o neurologista francês Georges Gilles de la Tourette, que analisou o quadro clínico de uma marquesa em 1885 e definiu essa condição. Para chegar a esse diagnóstico, os especialistas observam qual o padrão dos tiques e a frequência dos gestos.

A psiquiatra Julia Trindade explica que a Síndrome de Tourette é um distúrbio neuropsiquiátrico, e que geralmente surge na infância. É caracterizada por tiques múltiplos, motores ou vocais, que persistem por mais de um ano. Em alguns casos, com gritos e xingamentos, podem causar constrangimento aos pacientes ou sentimentos de fobia social, ansiedade e irritabilidade.

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Não é sempre que a síndrome piora a qualidade de vida. Muitas vezes, os tiques são leves ou podem ser suprimidos em eventos sociais, tudo depende do quadro. Nesses casos, os sinais não são percebidos ou não causam transtornos e perdas significativas na vida das pessoas. A cantora Billie Eilish, por exemplo, contou que possui a síndrome desde criança.

— É uma síndrome comum, está presente em 3 a 8 para cada mil crianças. De forma geral, começa por volta de 4 a 6 anos, tem um pico de 10 a 12 anos e normalmente diminui na adolescência. O Tourette está dentro do transtorno de tique, ele é a combinação de tiques vocálicos e motores. Piscar o olho, franzir a testa, arranhar a garganta, fungar ou até falar palavras obscenas — relata a especialista.

Trindade destaca que a maioria dos pacientes diagnosticados com a Síndrome de Tourette possui uma comorbidade. Segundo a médica psiquiatra, é comum ter déficit de atenção, hiperatividade e transtorno obsessivo compulsivo.

— A maioria dos casos é de meninos e começa com apenas um tique motor. A piora dos sintomas pode acontecer com estresse ou em momento de muito relaxamento, como jogar videogame, por exemplo. Ainda, a ansiedade pode ter uma relação com o Tourette – comenta a psiquiatra.

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Acompanhamento e terapia ajudam a diminuir os sintomas com o tempo

Além do apoio e compreensão da família, é fundamental o acompanhamento profissional com psicólogos e neurologistas para um tratamento adequado.

— Conseguimos diminuir bastante a execução dos tiques com a terapia cognitivo-comportamental e algumas medicações que vão melhorar essa ação, porque a suspeita é que haja uma relação com a dopamina. Medicações como antipsicóticos diminuem a intensidade, a meditação atua para reduzir o stress e o esporte também pode ajudar nos sintomas. Menos de 1% dos pacientes que possuem o transtorno vão manter o quadro na idade adulta — completa Trindade.

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