O processo de recuperação judicial da tradicional empresa de móveis Três Irmãos, de Campo Alegre, cidade do Planalto Norte catarinense, ganha um novo capítulo dentro do seu processo de recuperação judicial. O Ministério Público de Santa Catarina se manifestou a favor de transformar o processo em falência. A decisão, porém, ainda depende da Justiça.

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O pedido de recuperação judicial da Três Irmãos iniciou ainda em 2024. A empresa apontou um cenário cenário desfavorável para o comércio exterior que se iniciou desde 2021, marcado por influências da COVID-19 e também pela queda nas vendas para o exterior, incluindo para destinos como os Estados Unidos.

Com isso precisou encerrar unidades, como a que mantinha em São Bento do Sul e encerrar parcialmente a operação em Caçador, no Oeste de SC . Conforme o plano, a dívida somava R$ 37 milhões. Já em moedas estrangeiras, soma € 971 mil euros e US$ 547 mil.

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Veja foto da Três Irmãos, indústria de móveis em SC

Histórico da empresa

A história da tradicional indústria de móveis em SC começou em 1971, em Campo Alegre, no Planalto Norte, com uma pequena marcenaria familiar dedicada à fabricação de carroças. Com o passar dos anos, o negócio passou a produzir móveis de madeira maciça para o mercado brasileiro, como mesas, cadeiras e oratórios entalhados à mão.

A Três Irmãos foi crescendo e ocupou um importante espaço no mercado de móveis, principalmente ao fazer a primeira exportação para a multinacional sueca IKEA, líder global no setor de móveis, em 2009.

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A expansão prosseguiu em 2016, com a aquisição de uma unidade industrial em Caçador. A planta chegou a processar cerca de 15 mil toneladas de madeira por mês e recebeu investimentos em automação, máquinas, sistemas de gestão e controle de qualidade.

Em 2020, a empresa também inaugurou um parque industrial de mais de 16 mil metros quadrados em São Bento do Sul, mas a unidade foi fechada em maio de 2023. A fábrica também chegou a empregar cerca de 500 funcionários diretamente na sua empresa e também indiretamente incluindo os processos e a cadeia de produção.

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Motivo da crise

Três fatores foram apontados como motivos para crise:

  • Crise na logística internacional em 2021, influenciado pela pandemia;
  • Redução nas vendas e aumento de juros nos últimos anos;
  • Aumento da matéria prima e aumento do transporte/logística;

Segundo o plano de recuperação judicial, a crise da Três Irmãos começou a se aprofundar em 2021, com os impactos da pandemia sobre a logística internacional. A falta de contêineres, os atrasos nos portos e a escassez de matérias-primas elevaram os custos de produção e dificultaram o atendimento dos pedidos destinados à exportação.

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O documento aponta que o transporte marítimo de um contêiner chegou a custar cerca de US$ 10 mil, valor sete vezes superior ao registrado antes da pandemia. Sem espaço para armazenar os móveis prontos e diante das dificuldades para embarcar as mercadorias, a empresa chegou a suspender temporariamente a produção.

Entre o fim de 2022 e 2023, o cenário foi agravado pela redução das vendas externas e pelo aumento dos juros. Conforme dados citados no plano, as exportações de móveis de Santa Catarina caíram 27,7% em 2023, na comparação com o mesmo período de 2022. A alta no preço da madeira, do MDF, de ferragens, colas, vernizes, energia, combustíveis e transportes também comprometeu o caixa e a competitividade da indústria.

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Desta forma, a combinação desses fatores teria reduzido a capacidade da empresa de gerar receita e pagar suas obrigações, levando à necessidade de renegociar as dívidas e realizar ajustes operacionais por meio da recuperação judicial, que agora aguarda decisão da Justiça e pode ser convertida para falência.

A reportagem do NSC Total tenta contato com a Três Irmãos para manifestação sobre o processo. O espaço segue aberto.

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