Já tem um ano que o corpo do ator catarinense Jeff Machado foi encontrado pela polícia, amarrado dentro de um baú concretado no quintal de uma casa em Campo Grande, no Rio de Janeiro. Maria das Dores Machado, mãe do ator, relata ao g1 a luta diária para sair da cama e a angústia da espera pela definição de uma data do julgamento dos dois presos pelo crime.
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— Foi um ano de dor, sofrimento e ausência. Porque conversávamos todos os dias. Ele estava no Rio e eu em Santa Catarina. Às vezes, falávamos duas vezes por dia. Ele contava tudo para mim. Ele gostava de cuidar de mim. Eu sinto falta do meu filho, meu amigo, meu amor da minha vida — destacou Maria das Dores.
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Jeff Machado: Quem é o ator de SC encontrado morto e o que aconteceu com ele
Bruno de Souza Rodrigues e Jeander Vinicius da Silva Braga são os dois presos pelo crime. Segundo o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), o processo está em fase de instrução dos autos e, por isso, o julgamento ainda não tem data.
Jeff Machado desapareceu no final de janeiro do ano passado e o corpo foi encontrado enterrado a dois metros de profundidade, em um baú concretado no quintal de uma casa em Campo Grande, em 22 de maio. A motivação do crime, para a polícia, foi a falsa promessa de vaga numa novela. O ator chegou a pagar R$ 18 mil aos criminosos.
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Ausência
A mãe, Maria das Dores, afirma que o filho foi iludido ao sonhar com papéis melhores.
— Meu filho Jefferson tinha saúde e era lindo, trabalhava. E foi traído por pessoas que se fizeram de amigos. Ele foi totalmente enganado em sua inocência porque queria fazer um trabalho — diz.

Para ela, há dias melhores e dias piores, no sentimento de ausência do filho. Nos dias mais doloridos, ela apela pela fé. Maria das Dores contou que ela e os amigos marcaram uma série de missas em Araranguá, cidade natal da família, que fornece apoio à ela.
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— É uma dor que chega a ser física. A dor de mãe, dói no peito e vai para o corpo todo. Eu faço fisioterapia e hoje não senti vontade de levantar — explicou.
É o segundo filho que Maria da Dores perde. O outro morreu em um acidente de carro. Ela explica que a espera pelo julgamento dos réus pela morte de Jeff é angustiante.
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— É uma dor constante que não tem explicação. Eu tento me conformar que perdi meu filho com saúde e temos que esperar o julgamento, que não sabemos o que vai ser — disse Maria das Dores.
O que diz a justiça
Responsável pela defesa da família de Jeff Machado, o advogado Jairo Magalhães diz que é importante que um caso de tamanha repercussão tenha resposta da Justiça.
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— Eles trataram o Jeff como uma pessoa que não tinha ninguém: usando cartões, tentando vender seus bens, se passaram por ele após terem matado. É importante, para a família, amigos e para a sociedade, mostrar que ninguém tem direito de tirar a vida — afirmou o advogado.

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Uma série de pedidos de novas diligências e coletas de provas pedidas pela defesa tem atrasado a definição de uma data para o julgamento, segundo Jairo.
— Pedidos de materiais da delegacia e diligências que foram pedidas pelos advogados dos acusados que não mudam, no meu ver, a cena do crime — ressaltou o advogado.
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Jairo destaca que uma conclusão ao caso é importante não somente para Maria das Dores, mas também para todos os familiares e amigos do ator.
— Coração triste, com saudade do Jeff. É uma aflição de ficar esquecido, ter uma resposta da Justiça. Jeff que veio de Santa Catarina para o Rio, em busca de um sonho, e ainda não há um julgamento — disse.
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A defesa de Jeander Vinicius da Silva Braga nega que ele tenha matado Jeff, mas admite que ele participou do plano para esconder o corpo.
— O Jeander admitiu a ocultação de cadáver, mas a defesa nega que ele tenha participado do homicídio. Ele imputa ao Bruno o homicídio do Jeff — conta o advogado criminalista Fábio Manoel.
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Segundo Fábio Manoel, o réu foi até a casa de Jeff junto com Bruno e, ao se separar dos dois por um momento, foi surpreendido com Jeff morto ao voltar.
Para o advogado, os novos pedidos de diligência não estão atrapalhando a definição de uma data para o julgamento.
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— A maior parte das diligências foram requeridas pela defesa do Bruno. Mas o Ministério Público também solicitou diligências. Então, não vejo que isso esteja atrapalhando o julgamento — disse Fábio Manoel.
O advogado conta que chegou a requerer a prisão domiciliar para Jeander, mas ela foi negada. Ele diz que pretende voltar a solicitar o benefício, porque não existe um risco de fuga ou de ameaça a testemunhas. Fábio Manoel também destaca que Jeander tem três filhos menores de seis anos.
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A defesa de Bruno de Souza Rodrigues não retornou o g1 até a publicação da reportagem.
Bruno é acusado pelos seguintes crimes:
- Homicídio quadruplamente qualificado (motivo torpe, emprego de asfixia, uso de recurso que impediu a defesa da vítima e para ter vantagem de outro crime);
- Ocultação de cadáver;
- Estelionato;
- Crimes patrimoniais contra o espólio do ator (saques, tentativa de venda do carro e da casa, compras com cartão de crédito);
- Invasão de dispositivo eletrônico;
- Falsa identidade (por se passar por Jeff Machado);
- Maus-tratos aos animais.
Jeander é acusado de:
- Homicídio;
- Ocultação de cadáver;
- Maus-tratos aos animais.
Quem era Jeff Machado
Jefferson Machado Costa tinha 44 anos quando foi morto. Natural da cidade de Araranguá, em Santa Catarina, o ator tinha experiência no jornalismo.
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Em Santa Catarina, trabalhou como colunista social em revistas de Rio do Sul, no Vale do Itajaí, e Florianópolis. Ele deixou o Estado de origem em 1997, quando passou a estudar atuação e outros temas, como direito e comunicação social.
Em 2008, mudou-se para Florianópolis após 10 anos vivendo no eixo Rio — São Paulo. Na capital catarinense, foi assessor de imprensa, produtor, diretor de arte, cenógrafo, vitrinista e stylist em campanhas, eventos, desfiles, videoclipes e programas de TV.
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No Estado, também foi produtor de forma voluntária em eventos beneficentes.
Em 2014, o Rio de Janeiro voltou a ser casa de Jeff. Na novela “Reis”, que estreou em março de 2022, Machado interpretou um soldado filisteu.
Jeff era conhecido pelo amor aos animais, e tinha oito cães de estimação. A família soube do desaparecimento do ator após os animais serem encontrados abandonados na Zona Oeste do Rio de Janeiro — dois animais morreram e um não foi encontrado.
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Os cachorros, chipados com o nome do ator, foram fundamentais para que o crime fosse desvendado.
*Sob supervisão de Luana Amorim
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