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DADOS ERRADOS

Vacina contra Covid foi aplicada três ou mais vezes em 10 mil pessoas de SC

Inconsistências em base de dados do Ministério da Saúde atingem 222 cidades de Santa Catarina

17/05/2021 - 14h27 - Atualizada em: 18/05/2021 - 08h13

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Redação
Por Redação DC
Dados da vacinação contra a Covid apresentam inconsistências
Dados da vacinação contra a Covid apresentam inconsistências
(Foto: )

Informações da vacinação contra a Covid-19 em Santa Catarina, que estão na base de dados do Ministério da Saúde, apresentam inconsistências em 222 cidades do Estado. Pelo sistema do governo federal, o problema mais recorrente é a aplicação de três, quatro ou cinco doses de imunizantes na mesma pessoa. Ao todo, 10,7 mil catarinenses tomaram mais de duas doses das vacinas em SC. As informações foram apuradas pela equipe da NSC TV e a reportagem foi ao ar na edição desta segunda-feira (17) do Jornal do Almoço.

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Em Canoinhas, no Planalto Norte, dois vacinados foram registrados com 221 anos. Tem ainda diversas pessoas com 121 anos que tomaram pelo menos uma dose em Santa Catarina — apesar de a pessoa mais velha do mundo, segundo o Guinness World Records, ter 118 anos. 

Em outras 21 cidades aparecem vacinados com menos de 12 anos, embora as crianças não façam parte dos grupos prioritários. Outro problema comum são pessoas que receberam duas doses de imunizantes de diferentes fabricantes.

Itapema, no litoral catarinense, apresentou 337 irregularidades nos registros da vacinação contra a Covid-19. Em Tigrinhos, no Oeste de SC, que tem menos de 2 mil habitantes, foram encontradas 89 pessoas que tomaram quatro doses, segundo a base de dados do governo federal. Ao todo, foram quase 11 mil ocorrências em 75% das cidades do Estado.

Um das mulheres que aparece três vezes nos registros da vacinação de Tijucas disse que não sabia que esse erro estava acontecendo.

— Eu acredito que seja na hora de digitar, porque, às vezes, é muitos pacientes na hora de digitar ali, a data de nascimento, acontece isso! — falou à NSC TV.

As conquências das inconsistências

Pedro Hallal, epidemiologista e coordenador do Epicovid-19, afirma que as informações inconsistentes podem trazer diferentes consequências.

— Seja uma consequência para análises estatísticas ou para a própria pessoa. Por exemplo, chamando ela antes da hora para tomar a segunda dose ou deixando de chamar na hora certa porque registrou a vacina errada — explicou.

Informações erradas podem também impossibilitar estudos posteriores sobre a vacina. As irregularidades encontradas pela NSC TV foram mostradas ao pesquisador do Observatório Covid BR, que acompanha a vacinação no país. Para ele, esse é um erro de registro e não de aplicação.

— Não aparentam ser pessoas que tomaram a vacina duas vezes. Ao contrário, são pessoas que aquela vacina foi informada duas vezes. É um erro que pode ser facilmente corrigido pelo Ministério da Saúde. O motivo pelo qual isso ocorreu tem que ser investigado — analisou Kreley Oliveira.

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Em Tijucas, a vigilância epidemiológica negou que alguma dose a mais tenha sido aplicada. Segundo o órgão de saúde, no começo de abril, houve uma mudança no sistema de registro das informações dos vacinados.

— Houve uma migração de sistema, nós tínhamos arquivos em PDF e precisamos transformar em arquivos editáveis. Acabaram que algumas pessoas que apareciam duas vezes, se tornou três veses, mas é o mesmo dado, são as mesmas informações — informou Idarleni Daroci, coordenadora da vigilância em saúde de Tijucas.

Depois que a NSC TV entrou em contato, a prefeitura da cidade já excluiu o terceiro registro de algumas pessoas.

Possíveis soluções para o problema

Os especialistas afirmam que é possível evitar os erros encontrados pelo cruzamento de dados do sistema do governo federal feitos pela equipe da NSC TV.

— A gente pode usar travas. Por exemplo, se alguém digitar que tem 314 anos de idade, o programa avisa que a idade é incompatível. Pode botar uma alerta se o dado é muito estranho — sugeriu o epidemiologista Pedro Hallal.

Respostas e explicações sobre os erros na base de dados

A Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina disse, em resposta à NSC TV, que já identificou o que são possíveis erros no preenchimentos das informações e também informou que já solicitou que seja habilitada a edição para a correção. A Dive disse ainda que assim que identifica inconsistências tem repassado para as equipes regionais.

O Ministério Público de Santa Catarina abriu um processo para apurar irregularidades na vacinação de Florianópolis. A prefeitura da cidade disse que a situação está sendo avaliada e que vai analisar cada caso. No momento, a secretaria de saúde segue buscando a causa do problema.

A secretaria de saúde de Itapema disse que informou a pasta estadual sobre a inconsistência nos dados da cidade e que um equívoco pode ter causado os erros nos registros. A prefeitura de Nova Trento informou que se trata de duplicidade e que aguarda a liberação para alterar os dados registrados.

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Tigrinhos também disse que se trata de duplicidade e que aguarda para correção. A secretaria de Saúde de Canoinhas disse que está notificando o Ministério da Saúde para corrigir esse erro. O Ministério da Saúde não respondeu os questionamentos da NSC TV.

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