A 9ª fase da Operação Compliance Zero deflagrada nesta quinta-feira (18) apontou que o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Congresso, teria recebido um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões como propina do Banco Master. O imóvel de luxo, localizado no Horto Florestal em Salvador, possui cerca de 200m² e quatro suítes.

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Segundo a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a operação da Polícia Federal (PF), o petista foi presenteado com o apartamento nº 1.702 do empreendimento de alto padrão Poème Horto. O imóvel, que ainda está em construção, contará com piscinas, academia, deck, espaço gourmet e projetos de arquitetura e paisagismo assinados.

Veja fotos do imóvel luxuoso com vista mágica de R$ 2,5 mi

Segundo a descrição da construtora Moura Debeux, responsável pela obra, a torre tem 36 pavimentos com apenas dois apartamentos por andar. “Localizado em um dos melhores bairros para se viver em Salvador, é ideal para quem busca qualidade de vida, tranquilidade, segurança e natureza”, diz a divulgação da empreiteira.

De acordo com a investigação, Wagner é suspeito de receber vantagens indevidas, como o apartamento, durante anos por meio de uma empresa ligada à esposa de seu enteado, em troca de apoio a medidas no Congresso Nacional que beneficiariam o Banco Master.

O petista teria recebido o imóvel como propina para apoiar a chamada “Emenda Master”, apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI) em agosto de 2024, que propunha elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para aplicações como os CDBs. A medida beneficiaria diretamente Daniel Vorcaro, pois o modelo de negócios do Banco Master dependia da captação de recursos por meio desses títulos.

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Petista tinha relação com Vorcaro e Banco Master há anos

Além disso, há indícios de que Wagner já mantinha relações com o Vorcaro enquanto ocupava a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do governo da Bahia, em 2018. Segundo o jornal O Globo, na época, o petista atuou para privatizar um supermercado estatal chamado Cesta do Povo, que depois deu origem ao Credcesta, cartão de crédito consignado que se tornou um dos principais negócios do Master.

A PF também apurou a ligação de Wagner com o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro que, segundo a investigação, era quem negociava com os políticos, em especial no Congresso Nacional. Segundo a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a operação desta quinta-feira ”a autoridade policial aponta que a relação entre JAQUES WAGNER e AUGUSTO FERREIRA LIMA seria antiga, próxima e marcada por elevado grau de confiança pessoal, circunstância que, em tese, teria criado ambiente propício à realização de tratativas reservadas em prol da defesa de interesses privados do Banco Master”, diz o documento obtido pelo NSC Total.

“A representação descreve mensagens, áudios, chamadas de voz, encontros presenciais, deslocamentos em aeronaves e interações familiares que demonstrariam proximidade entre os núcleos envolvidos”, complementa o ministro.

Operação cumpriu 18 mandados

Nesta fase da operação, foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo ministro do STF, relator do caso, no Distrito Federal, em São Paulo e na Bahia. São investigados os crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Também são cumpridas medidas cautelares, como proibição de contato entre os investigados, suspensão de passaportes e monitoramento eletrônico.

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Daniel Vorcaro está preso em Brasília desde março de 2026. Depois da prisão, a defesa do banqueiro se organizou para propor uma delação premiada, que foi negada.

Na semana passada, a Polícia Federal negou uma segunda tentativa de acordo apresentada pelo ex-banqueiro. Após essa nova rejeição, a corporação solicitou que Vorcaro seja retirado da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, e transferido novamente para o Complexo da Papuda.