Bernardo Pabst da Cunha, menino de quatro anos que foi vítima do atentado à creche de Blumenau em 2023, foi homenageado ao virar nome de uma rua e integrar oficialmente o mapa da cidade. A cerimônia de anúncio marcou a nomeação oficial de cinco vias do loteamento Manarim, no bairro Velha Central.

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O ato simbólico no sábado (28) reuniu moradores, autoridades e familiares, que se emocionaram ao receber os certificados. Além de Bernardo, também foram homenageados Zeny de Aguiar, Christina Izabela Brod, Arlindo Afonso Eidt e José Althof, que foram eternizados com os nomes nas ruas.

Os pais de Bernardo, Jennifer Pabst e Paulo Édson da Cunha Jr., também estiveram presentes. A mãe contou que quando descobriu sobre a iniciativa, teve um mix de emoções. Por trinta anos, foi moradora do local, que segue sendo onde os pais dela, Rudnei e Cecília Pabst, residem.

Bernardo também viveu boa parte da vida ali, por onde brincava de super-herói pela rua, jogava futebol, acompanhava o avô nas plantações e corria atrás dos gansos do vizinho, lembra Jennifer.

— Foi uma experiência muito emocionante porque, para mim, ter o nome do meu filho eternizado dessa forma é como se eternizasse a passagem dele por aqui — relatou Jennifer.

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O loteamento tinha as ruas identificadas apenas por letras e números até que o morador Sérgio Aguiar tomou a iniciativa de homenagear os vizinhos do local. Ele levou a proposta da nomeação ao gabinete do vereador Bruno Cunha, que articulou com a Câmara e a prefeitura a formalização do pedido. O ato oficial foi registrado no Diário Oficial no dia 22 de dezembro do ano passado.

Relembre o caso

O caso ocorreu na Creche Cantinho Bom Pastor, no bairro Velha. De acordo com a Polícia Militar na época, um homem de 25 anos chegou à escola em uma motocicleta, pulou o muro e matou, aleatoriamente, quatro crianças com o uso de uma machadinha. Depois, o assassino saiu da unidade e foi até o Batalhão da PM, onde se entregou. Ele foi condenado a 220 anos de prisão pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina.

Ao todo, quatro crianças morreram e cinco ficaram feridas. As vítimas são Bernardo Cunha Machado, de 5 anos, Bernardo Pabst da Cunha, de 4, Larissa Maia Toldo, de 7, e Enzo Marchesin Barbosa, de 4 anos.

— Quando falo da partida do meu filho hoje, eu entendo muito do “para quê” de tudo. Acho que a partida do meu filho ali foi um grande despertar de um mundo adormecido, para a importância da educação, da proteção e da segurança das crianças. Infelizmente, foi preciso a gente perder quatro vidas para a gente olhar para tudo que envolve a segurança das crianças dentro do ambiente escolar. O legado que eu quero do meu filho não é um legado só de dor, mas o que foi a partida dele? Para que serviu a partida do meu filho? — reflete Jennifer.

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O projeto “Vamos Salvar o Dia” foi criado por Jennifer e Paulo, pais de Bernardo, e Regina Maia, mãe de Larissa, outra vítima da tragédia. A proposta é justamente buscar por justiça, melhoria nas leis, na segurança nas escolas, prestar apoio às famílias e, também, lembrar da importância do tempo de qualidade e atenção com os filhos. Hoje, ele funciona a nível estadual e faz parte do Comitê Integrado para Cidadania e Paz nas Escolas (Integra), da Alesc, que busca propor políticas públicas e articular ações integradas de prevenção à violência no ambiente escolar.