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Políticas públicas

Volta dos ônibus e das aulas: como prefeitos do Norte de SC avaliam a regionalização das decisões

Prefeitos da região Norte se reunirão virtualmente nesta quarta-feira para discutir as decisões

02/06/2020 - 09h53 - Atualizada em: 02/06/2020 - 11h13

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Hassan
Por Hassan Farias
Cláudia
Por Cláudia Morriesen
foto mostra pessoa andando na frente de dois onibus
(Foto: )

A volta da circulação dos ônibus e a data para possível retorno das aulas presenciais em Santa Catarina divide opiniões dos prefeitos do Norte de Santa Catarina. Após o anúncio do novo modelo de combate ao coronavírus feito pelo governador Carlos Moisés da Silva na segunda-feira (1º), os prefeitos de Araquari, Jaraguá do Sul e São Francisco do Sul, e a Associação dos Municípios do Nordeste de Santa Catarina (Amunesc) fizeram uma avaliação da regionalização das decisões e adiantaram as previsões para seus municípios.

A nova forma de gestão prevê que os municípios decidam sobre o funcionamento ou não de atividades públicas e privadas, com base em uma classificação do risco de cada região do Estado levando em conta os dados técnicos.

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Moisés explicou que as próximas decisões sobre a liberação ou restrição de atividades, como o transporte público, as aulas e os eventos, que ainda estão suspensos, serão tomadas em conjunto pelas regiões de saúde. Durante o anúncio, o governador anunciou que a circulação de ônibus urbano, municipal e intermunicipal de passageiros, por exemplo, poderá ser liberada a partir da próxima segunda (8).

No entanto, as prefeituras de Araquari, Jaraguá do Sul e São Francisco do Sul ainda aguardam os detalhes e regras a serem definidas pelo Estado de como poderá acontecer essa retomada para depois tomar uma decisão sobre o retorno da operação do transporte. O prefeito Udo Döhler, de Joinville, já informou que avaliou o anúncio do Estado como "frustrante", já que esperava por mais autonomia nas decisões.

Associação dos municípios debaterá medidas

Uma reunião entre os prefeitos com a Amunesc acontecerá nesta quarta-feira (3) para debater o assunto. Para a diretoria da associação, as medidas atendem a uma parte das expectativas apresentadas pelos prefeitos da região ao delegar aos municípios a decisão sobre a ampliação das liberações ou a restrição de atividades econômicas, incluindo o transporte coletivo.

No entanto, a Amunesc chama a atenção para a necessidade de uma padronização mais efetiva sob o ponto de vista dos critérios da matriz de risco proposta pelo Governo do Estado, para que as variáveis possam refletir com mais fidelidade a realidade da região, e para que não seja mais um mecanismo que possa gerar especulação.

— Obviamente que precisa ser ajustado, e nós vamos trabalhar nesse sentido na região para fazer esses ajustes, buscar ter mais segurança nos dados que forem apresentados, para que a decisão possa ser tomada de forma mais assertiva. Essa é a principal preocupação — analisou o secretário-executivo da Amunesc, Tufi Michreff Neto.

Médico, o presidente da Amunesc, Rodrigo Adriany David, ressaltou que o desafio com a liberação do transporte coletivo é fazer com que "a retomada econômica não se sobreponha à preservação das vidas". Para ele, a preocupação é evitar uma ampliação no número de mortes, de casos e de internação, considerando que, neste sentido, poderia haver sobrecarga no sistema de saúde que está focalizado, principalmente, em Joinville.

— Para isso, se faz necessária a aplicação de uma matriz que seja precisa e permita aos prefeitos tomarem decisões com tranquilidade e fazerem a correção de rumo conforme a evolução do dia-a-dia — diz ele, que é prefeito de Garuva, cidade de 16 mil habitantes.

Veja a avaliação das prefeituras:

Araquari

O governo municipal afirmou, por meio do secretário de comunicação Rafael Bianchi, que o governo do Estado "poderia ter um pouco mais de zelo pelos municípios, um pouco mais de atenção" no anúncio do novo modelo. Isso porque a divulgação do governador teria deixado os municípios sem algumas informações.

A prefeitura de Araquari acredita que é o momento de haver uma retomada gradual por causa da economia, mas é necessário avaliar a região como um todo. Ele cita que Joinville tem 600 mil habitantes e serve como referência no atendimento de oito municípios da região, incluindo Araquari, que não tem um hospital.

— Fazer uma abertura sem ser responsável e gradual pode ser perigoso. Temos que entender a realidade de cada município — ressalta o prefeito.

Bianchi informou que a retomada do transporte ainda será definida nos próximos dias. Atualmente, Araquari — que tem população estimada em 31 mil habitantes — conta apenas com o transporte intermunicipal. O secretário afirmou que o município vai seguir o que for definido pela região.

— Nós vamos seguir a região, como Joinville, São Francisco do Sul e outros municípios que têm o transporte intermunicipal. Se eles forem abrir, nós também deveremos abrir. Porém, oficialmente, só depois da análise da ferramenta que o governo do Estado nos passar — destacou.

Jaraguá do Sul

A Prefeitura de Jaraguá do Sul informou que há uma reunião programada do prefeito Antídio Lunelli com o comitê gestor de crise do coronavírus na manhã desta terça-feira (2). Também vão participar do encontro os responsáveis pelo transporte público de Jaraguá do Sul, representantes da área de educação, segurança, associações empresariais, de lojistas, entre outros.

Segundo a prefeitura, o objetivo do município é seguir o que está sendo sugerido pelo governo do Estado. Porém, agora, o governo municipal vai reunir os representantes das áreas envolvidas para viabilizar as decisões.

São Francisco do Sul

Por meio de nota, o prefeito Renato Gama Lobo informou que avalia que as medidas que o governo do Estado adotou vêm em boa hora, sobretudo no que diz respeito ao transporte coletivo. Para ele, a regionalização das medidas deveriam ter ocorrido antes, já que cada município tem as suas características. No caso de São Francisco do Sul, por se tratar de uma Ilha, na qual os bairros são afastados do núcleo urbano central, a falta de transporte vem provocando muitas dificuldades para a população. O mesmo vale em relação ao transporte marítimo entre o continente, na Vila da Glória, e o Centro Histórico, na ilha. 

— Vamos aguardar o prazo estipulado pelo governo estadual e devemos liberar o transporte público na cidade. Como as aulas permanecem suspensas, isso ajuda a garantir que os ônibus possam trafegar sem aglomeramento — afirma Gama Lobo.

Para ele, o prazo de mais 60 dias para retomada das aulas é correto, já que não há como garantir a segurança dos nosos alunos em sala de aula. Nesta semana, foi iniciada a distribuição dos kits de merenda escolar para os alunos de baixa renda. Sobre os eventos esporitivos, como os campeonatos relevantes da cidade ocorrem na temporada de verão, o prefeito avalia que não há perdas. 

São Bento do Sul

O departamento de comunicação da Prefeitura de São Bento do Sul foi procurado nesta segunda-feira (1º), mas informou que o prefeito Magno Bollmann só irá divulgar seu posicionamento nesta terça-feira (2).  

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