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    Transporte rodoviário

    Volta dos ônibus interestaduais depende de liberações em municípios e uso de rodoviárias

    Apesar da autorização para circulação, sindicato das empresas aponta que esses dois fatores ainda dificultam volta das linhas com destino a outros Estados

    03/08/2020 - 16h34 - Atualizada em: 04/08/2020 - 09h57

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    Por Jean Laurindo
    Volta dos ônibus interestaduais tem entraves como restrição em municípios e uso de rodoviárias
    Volta dos ônibus interestaduais tem entraves como restrição em municípios e uso de rodoviárias
    (Foto: )

    Apesar da liberação dos ônibus interestaduais para voltarem a circular em Santa Catarina a partir desta segunda-feira (3), ainda deve demorar mais tempo para que os catarinenses voltem a poder se deslocar para outros Estados por meio do transporte rodoviário. O serviço estava proibido no Estado desde março, quando o governo de SC iniciou a quarentena por causa do novo coronavírus.

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    A principal dificuldade para as empresas está no fato de que algumas prefeituras ainda mantêm decretos municipais que proíbem o transporte interestadual. Além disso, em muitas cidades, como Florianópolis e Balneário Camboriú, os terminais rodoviários também estão fechados, como parte das medidas de restrição adotadas pelos municípios. Em Florianópolis, por exemplo, a prefeitura já afirmou que não vai autorizar a retomada das linhas no terminal rodoviário.

    Sem as rodoviárias, as empresas alegam que não poderiam atuar, já que o regulamento da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) exige que os ônibus operem dentro da rota programada na concessão e utilizando os terminais.

    O presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros em Santa Catarina (Setpesc), Sandoval Caramori, explica que as empresas estão praticamente começando novamente uma operação. Ele diz que o setor comemorou a liberação das linhas interestaduais, já que o setor ia para o quinto mês sem operação, o que estava tornando cada vez mais difícil uma retomada.

    – As empresas estão se organizando. Estávamos no aguardo pelo o que está acontecendo no Estado, mas temos ainda uma dificuldade grande para operar. Vamos ter que achar alternativas – afirma, ao pontuar a dificuldade nos municípios onde ainda há restrição.

    O sindicato diz que conversa com o órgão concedente para entender como vai ficar a situação das rodoviárias e como os ônibus poderão circular nas condições atuais. Até lá, ainda não há definições claras sobre quando o usuário poderá voltar a utilizar o serviço da forma em que está habituado.

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    – A sensação é de que ganhamos, mas não levamos. Embora o governo do Estado tenha liberado para que isso aconteça, se o contexto todo não abrir, os ônibus não têm como operar – avalia Caramori.

    O secretarío de Estado de Infraestrutura e Mobilidade, Thiago Vieira, afirma que o Estadoa gora diz que o serviço é possível, mas que isso não siginifica que ele vai funcionar normalmente porque as autoridades locais de saúde ainda podem impor suas restrições.

    Segundo ele, onde os terminais rodoviários estiverem fechados, as linhas não vão poder parar - ou embarcar, caso seja o local de origem.

    - Por parte da secretaria nao haverá nenhuma autorização para parada em outro local. Isso seria desregular o sistema o sistema. Se alguém fizer isso, fará de forma irregular, e estará sujeito à fiscalização. Temos que entender que a volta do serviço vai ocorrer de forma gradativa - pontua o secretário.

    Vieira dá um exemplo de uma linha de Porto Alegre que passa por SC até Curitiba e tradicionalmente para em Florianópolis, na condição atual, com a rodoviária fechada, não vai poder parar e terá de seguir viagem.

    Os ônibus que passaram a ser liberados nesta segunda-feira são os interestaduais. Ainda assim, municípios podem optar por manter as restrições. As linhas intermunicipais, entre cidades catarinenses, e municipais, que circulam dentro das cidades, seguem proibidas.

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    Empresas de fretamento também preveem volta gradativa

    A liberação dos ônibus interestaduais também favorece as empresas de fretamento. O diretor de assuntos públicos e políticos da Associação das Empresas de Transporte Turístico e Fretamento de Santa Catarina (Aettusc), Nilton Pacheco, diz que o setor esperava há 120 dias pelo momento e que a liberação pode ser um ponto de partida para que as pessoas voltem a perceber o ônibus como meio seguro de transporte.

    Nas empresas de turismo e fretamento a expectativa é de que as viagens interestaduais também não voltem de imediato, mas sejam retomadas gradativamente à medida que as pessoas voltarem a fazer planos de viajar e fretar os serviços de transporte.

    – O mercado foi duramente afetado e o que nos deixa tristes é que o setor não foi olhado com isonomia porque o transporte aéreo não parou em nenhum momento e não adotou protocolo de distanciamento. Mas a partir de agora podemos colocar um horizonte para esse universo, que somando setor privado e linhas concedidas, somam quase 150 mil famílias, entre diretos e indiretos, que estavam sem norte nenhum de sobrevivência – avalia.

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    As normas de prevenção a serem adotadas nos ônibus

    - Desinfecção a cada viagem;

    - Medição de temperatura com uso de termômetros antes do embarque;

    - Ocupação máxima de 50% dos veículos. Para isso, uma medida deve ser o uso intercalado das poltronas. Em ônibus leito, por já terem espaço maior entre as fileiras de bancos, essa ocupação intercalado pode não ser necessária;

    - Renovação de ar no uso do ar-condicionado;

    - Uso de máscara obrigatório durante toda a viagem.

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