nsc
dc

Pandemia

Voos do Reino Unido suspensos em vários países por variante de covid-19 'fora de controle'

Diante da nova cepa do coronavírus, mais contagiosa, a Organização Mundial da Saúde pediu para "reforçar os controles" na Europa

20/12/2020 - 12h45

Compartilhe

Por AFP
Um terço da população inglesa inicia um reconfinamento
Um terço da população inglesa inicia um reconfinamento
(Foto: )

Vários países europeus começaram, neste domingo (20), a proibir voos procedentes do Reino Unido, após a descoberta de uma variante mais contagiosa do coronavírus que circula "fora de controle" nesse país e diante da qual a OMS pediu para "reforçar os controles".

> Confira no painel interativo como foi o avanço da pandemia em SC

Seguindo os passos da Holanda, onde a suspensão dos voos de passageiros procedentes do Reino Unido entrou em vigor neste domingo e será mantida até 1° de janeiro, Bélgica e Itália anunciaram que também suspenderão suas conexões aéreas britânicas.

O governo alemão estuda "seriamente" fazer o mesmo com os voos procedentes do Reino Unido e África do Sul.

> Quer receber notícias por WhatsApp? Inscreva-se aqui

Espanha, por sua vez, pediu uma resposta "coordenada" da Europa sobre esses voos.

Essas medidas acontecem ao mesmo tempo em que um terço da população inglesa inicia um reconfinamento, devido a uma nova cepa do coronavírus que circula "fora de controle", segundo o ministro britânico da Saúde, Matt Hancock.

Diante desta nova cepa, a Organização Mundial da Saúde (OMS) pediu para "reforçar os controles" na Europa.

Próxima pandemia: de onde virá e como amenizar os efeitos

Fora do território britânico, foram detectados vários casos na Dinamarca (9), um na Holanda e outro na Austrália, segundo a OMS, que recomendou aos seus membros "aumentar suas  [capacidades de] sequenciamento" do vírus, afirmou uma porta-voz da OMS Europa.

70% mais contagiosa

O primeiro-ministro britânico Boris Johnson já havia explicado no sábado que Londres e o sudeste da Inglaterra voltariam a respeitar um confinamento rigoroso, às vésperas das festas natalinas, porque uma nova variante do vírus circulava muito mais rápido.

Em declarações à Sky News, Hancock disse que a situação era "extremamente séria".

"Será muito difícil controlá-la até que tenhamos distribuído a vacina", afirmou. "Teremos que lidar com isso durante os próximos dois meses".

Os cientistas descobriram esta variante em um paciente em setembro.

CápsulaNSC: quais lições você vai levar de 2020?

Susan Hopkins, de Saúde Pública da Inglaterra (PHE), disse à Sky News que a agência avisou ao governo na sexta-feira, depois que os estudos revelaram a gravidade da nova cepa.

A cientista confirmou os dados divulgados por Johnson, que estabelecem que esta variante pode ser 70% mais contagiosa.

Desde a semana passada, a Europa é a região do mundo com mais mortes pela covid-19, com mais de 514.000 óbitos desde o início da pandemia há quase um ano.

Para evitar que o vírus se propague ainda mais durante as festas de Natal e Ano Novo, vários países impuseram novas restrições mais rigorosas.

Florianópolis atualiza decreto com restrições pelo coronavírus; veja detalhes

Na Holanda está em vigor um confinamento de cinco semanas, e as escolas e comércios que não são essenciais permanecerão fechados até meados de janeiro.

Itália, um dos países mais afetados com mais de 68.400 mortes e quase dois milhões de casos, impôs novas medidas para as festas, entre 21 de dezembro e 6 de janeiro: só estará permitida uma saída ao ar livre diária por casa, não estará permitido viajar entre regiões e bares, restaurantes e lojas não essenciais estarão fechados.

Sem "pressa" no Brasil

No restante do planeta, o vírus continua se espalhando. No total, o coronavírus cobrou mais de 1,6 milhão de vidas em todo o mundo e infectou mais de 76 milhões de pessoas, de acordo com uma contagem da AFP neste domingo com base em fontes oficiais.

A Rússia superou os 50.000 mortos por covid-19, segundo as autoridades de saúde, embora os especialistas acreditem que o número real é muito maior. Um ex-funcionário da agência estatística nacional russa, Alexéi Raksha, fala de 250.000 mortos.

No Chile, os novos casos confirmados aumentaram 22% na última semana, despertando preocupação no governo sobre um possível novo pico pandêmico.

E em El Salvador, o governo pediu à população para cumprir com as medidas sanitárias para conter um aumento dos casos.

No Brasil, o segundo país do mundo com mais mortos (186.356) atrás dos Estados Unidos, o presidente Jair Bolsonaro não parece tão preocupado com o assunto.

"A pandemia realmente está chegando ao fim. Os números têm mostrado isso aí. Estamos com uma pequena ascensão agora, o que se chama de pequeno repique; pode acontecer. Mas pressa para a vacina não se justifica, porque você mexe com a vida das pessoas", disse o presidente em uma entrevista com seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro, no YouTube.

Análise: Arroubo ‘estadista’ de Bolsonaro em SC durou pouco

A maioria dos países aguardam impacientes o início das campanhas de vacinação, que se apresentam como a única forma de conter o vírus.

Na União Europeia, começarão a partir de 27 de dezembro, seguindo os passos dos Estados Unidos e Reino Unido.

Rússia e China também começaram a administrar vacinas em seu território produzidas em nível nacional.

Dia Internacional da Solidariedade: satisfação em ajudar aqueles que precisam

Colunistas