Bolsonaro integra pequena lista de chefes de Estado condenados por golpe, diz estudo da UFSC

Ex-presidente brasileiro foi o décimo no mundo a ser condenado por golpe, dentro do total de 128 chefes de Estado condenados por diferentes crimes

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Bolsonaro

Ex-presidente foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão (Foto: Isac Nóbrega, PR)

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado nesta quinta-feira (11) junto a outros sete aliados no processo da trama golpista, entrou para uma pequena lista de chefes de Estado que sofreram condenações por golpe desde o pós-Segunda Guerra, em 1946. O levantamento foi feito pelo pesquisador Luciano Da Ros, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), junto a Manoel Gehrke, da Universidade de Pisa.

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O trabalho do professor do Departamento de Sociologia e Ciência Política da UFSC, entitulado de “Convicting Politicians for Corruption: The Politics of Criminal Accountability“, foi publicado na revista Government & Opposition, da Cambridge University Press. 

Bolsonaro é o décimo a ser condenado por golpe, dentro do total de 128 chefes de Estado condenados por diferentes crimes. O levantamento trouxe dados de quase oito décadas, com condenações definidas pelo Judiciário doméstico dos países. Dessa forma, penas de tribunais internacionais não estão inclusas.

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Assim, as demais condenações se assemelham a que ocorreu no caso de Bolsonaro, que foi julgado no Supremo Tribunal Federal (STF). O ex-presidente brasileito também é fora da curva por não ter concluído a tentativa de subverter a ordem democrática, o que não costuma render condenações em casos parecidos.

A exceção é o caso de Surat Huseynov, do Azerbaijão. Ele foi condenado em 1999 por alta traição, tentativa de golpe de Estado e exibição de força militar ilegal em episódios que ocorreram no país em 1993 e 1994.

— A primeira diferença do caso do Bolsonaro em relação aos outros é que é uma tentativa de golpe. Os outros todos, com exceção de um, foram golpes bem-sucedidos por pessoas que conseguiram contribuir para a ocorrência de um golpe de Estado e que depois usufruíram do poder, ou seja, permaneceram no poder depois do golpe — destaca Da Ros.

A diferença temporal entre a data dos crimes e a condenação se explica, nos outros casos, na conclusão da aplicação dos golpes, com a tomada de poder. Somente o caso da boliviana Jeanine Añez teve uma condenação tão rápida quanto a de Bolsonaro, três anos depois de ela assumir a presidência depois de atitudes que a Justiça considerou “contrárias à Constituição” e “violação de deveres”.

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Relembre situação de Bolsonaro

Tentativas de golpe na América Latina

Os pesquisadores observaram que em casos de tentativas fracassadas de golpe na América Latina, as condenações não costumam ocorrer. É o caso de Pedro Castillo, no Peru, que tentou dar um golpe em 2022 através da dissolução do parlamento.

Na Guatemala, em 1993, o então presidente Jorge Serrano Elías empreendeu um autogolpe por meio da dissolução do Congresso e da suspensão da Constituição. O episódio ficou conhecido como Serranazo, porém não teve apoio popular.

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— Outros presidentes que fizeram erosões democráticas acabaram de certa forma impunes. Alguns foram condenados por outros motivos. É curioso ver casos como o de Fujimori, condenado por outras razões, violações de direitos humanos, corrupção, mas não pelo autogolpe em si — diz Manoel Gehrke.

O pesquisador ainda afirma que casos de condenação por corrupção, como a que ocorreu com o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), tendem a ter uma reversão de pena de modo mais comum.

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— Isso ocorre porque, em parte, as próprias instituições que condenaram e poderiam reverter as penas se sentiram ameaçadas pelo golpe em si. Tem uma coisa de afirmação institucional nesses casos. É diferente da corrupção, que não ameaça, digamos assim, a independência judicial como um golpe pode ameaçar — explica Da Ros.

*Com informações de O Globo

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