“Comportamento inacreditável”, diz Lula em Nova York sobre tarifaço de Trump ao Brasil

Lula está nos Estados Unidos para participar da Assembleia Geral da ONU, onde fará um discurso de abertura nesta terça-feira (23)

Compartilhe:
Lula

Lula criticou Trump em novas declarações (Foto: Marcelo Camargo, Agência Brasil)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou, nesta segunda-feira (22), na véspera da abertura da Assembleia Geral da ONU em Nova York, nos Estados Unidos, o presidente americano Donald Trump. Ele chamou o comportamento de definição do tarifaço de 50% às exportações brasileiras de “inacreditável”. As informações são do O Globo.

Continua após a publicidade

Lula atribuiu o tarifaço ao “julgamento de um ex-presidente que tentou um golpe de Estado contra um Estado Democrático de Direito, que planejou a minha morte e o assassinato do vice-presidente [Geraldo Alckmin] e de um ministro do Supremo Tribunal Federal [Alexandre de Moraes]”, em alusão ao chamado Plano Punhal Verde e Amarelo, parte da trama golpista. Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão pela trama.

A declaração foi dada à emissora de televisão americana PBS. Lula disse que não há justificativa comercial para o tarifaço e que quer dialogar com o governo dos EUA.

Continua após a publicidade

— Não tomo decisões com raiva de quem quer que seja e no momento em que os EUA quiserem negociar, estamos prontos. As pessoas que eu tenho para negociar são o meu vice-presidente da República — que é também meu ministro do Comércio — meu ministro da Fazenda, meu ministro de Relações Exteriores. Mas os Estados Unidos não têm ninguém do lado deles para falar sobre comércio. Eles falam que não é com eles, que não falam sobre comércio, que é um assunto político. No momento em que o presidente Trump queira falar sobre política, eu também posso falar sobre política — disse Lula.

Sobre uma declaração dada em relação a invasão do Capitólio, em 6 de janeiro de 2021, onde afirmou que se a invasão tivesse acontecido no Brasil, Trump teria sido julgado e condenado, Lula reiterou a fala.

— Não estou dizendo que ele [Trump] deveria ter sido julgado, porque não conheço o sistema judiciário dos EUA. Eu disse que, se fosse no Brasil, se tivesse acontecido no Brasil, o que aconteceu na capital dos Estados Unidos, também seria julgado no Brasil — disse Lula.

Lula também disse que respeita Trump como chefe de Estado.

Continua após a publicidade

— As pessoas perguntam: você gosta ou não do Presidente Trump? Nunca conheci o Presidente Trump, então não é uma questão de gostar ou não dele. Ele também não me conhece. O que importa é que ele é o chefe de Estado dos Estados Unidos e eu sou o chefe de Estado do Brasil. E como dois chefes de Estado, temos que nos respeitar, porque fomos eleitos democraticamente pelo povo do nosso país para apoiar essas pessoas e governá-las. Se isso for possível, é assim que espero manter nosso relacionamento com os EUA — afirmou.

Leia também

Encontro de Lula e Trump: o que esperar da Assembleia Geral da ONU

Continua após a publicidade

Venezuela, Palestina e Ucrânia: o que será tratado na Assembleia Geral da ONU