O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começa a planejar a montagem da equipe de governo que vai assumir os ministérios para o quarto mandato, previsto para começar em 5 de janeiro de 2027. Nomes de confiança de Lula, mas que foram derrotados nas urnas neste ano, estão entre alguns dos cotados para assumir pastas no novo mandato petista.
Coordenadores da campanha de Lula no 2º turno, o ex-governador do Ceará Camilo Santana e o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, ambos do PT, estão entre os cotados para assumir ministérios importantes na nova gestão. Confira abaixo alguns dos possíveis ministros do governo Lula 4:
Veja fotos de possíveis ministros do governo Lula 4
Rafael Fonteles
Possível ministério: Fazenda
Perfil: governador reeleito do Piauí com 70% dos votos no 1º turno, Rafael Fonteles é formado em Matemática, mestre em Economia Matemática e foi professor e consultor de investimentos. Começou a vida pública como secretário da Fazenda do governo do Piauí na gestão de Wellington Dias (PT). Escolhido para ser o sucessor dele, foi eleito em 2022 e reeleito neste ano. No segundo turno, Fonteles foi um dos coordenadores da campanha de Lula no 2º turno, que ficou marcada pela mobilização de eleitores nas ruas e nas redes sociais e pela virada alcançada pelo candidato petista. O desempenho o colocou na condição de um dos favoritos a assumir o Ministério da Fazenda, pasta com definição aguardada pelo mercado, mas para aceitar o desafio ele precisaria renunciar ao mandato para o qual acabou de ser eleito.
Camilo Santana
Possível ministério: Casa Civil ou Segurança Pública
Perfil: o ex-governador do Ceará Camilo Santana já fez parte da equipe de governo de Lula no atual governo, comandando o Ministério da Educação. Ex-governador do Ceará por dois mandatos, Camilo é engenheiro agrônomo e professor e foi secretário de Desenvolvimento Agrário do Ceará nas gestões de Ciro Gomes. Em 2022, elegeu-se senador, mas se licenciou do cargo ao aceitar convite de Lula para comandar a Educação. Para o governo Lula 4, Camilo Santana é considerado um nome garantido no ministério. A dúvida é sobre qual pasta assumiria. Ele é cotado para a Casa Civil, uma das mais estratégias do governo, mas também poderia querer assumir a Segurança Pública.
Fernando Haddad
Possível ministério: Casa Civil
Perfil: O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad é outro nome forte para compor novamente o ministério do governo Lula. Após aceitar concorrer ao governo de São Paulo em uma disputa difícil contra Tarcísio de Freitas, Haddad é cotado para assumir o comando da Casa Civil, mas ganhou a concorrência de Camilo Santana depois do papel de destaque dele na coordenação da campanha petista no 2º turno. Haddad é formado em Direito, mestre em Economia, doutor em Filosofia e atua como professor da Universidade de São Paulo (USP). Ele já comandou a Educação e a Fazenda, mas não deve retornar para essa última pasta.
Geraldo Alckmin
Possível ministério: Fazenda
Perfil: o vice-presidente reeleito Geraldo Alckmin (PSB) também é cotado para acumular algum ministério no governo Lula 4. Ele já atua desta forma na atual gestão, quando acumulou o Ministério de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços com o cargo de vice-presidente. Para a nova gestão, ele é cotado para assumir o Ministério da Fazenda, por ser considerado um nome que agrada o mercado, impactado pela derrota de Flávio Bolsonaro (PL). O cargo também garantiria ampla visibilidade a Alckmin, que é considerado um possível nome para a sucessão de Lula em 2030.
André Janones
Possível ministério: Secretaria de Comunicação Social
Perfil: deputado federal reeleito, André Janones ganhou relevância na cúpula petista após liderar o canal de WhatsApp “Exército do Lula”. O espaço foi considerado como uma das principais ferramentas de mobilização de eleitores e de domínio do debate nas redes sociais durante a campanha do 2º turno. O empenho de Janones o fez “cair nas graças” de Lula, a ponto de ele ser, ao lado de Alckmin, o único a discursar junto com Lula na comemoração da vitória, na Avenida Paulista. Por conta disso, o nome dele é especulado para pastas com status de ministérios, como a Secretaria de Comunicação Social (Secom) ou a Secretaria-Geral da Presidência.
Simone Tebet
Possível ministério: Planejamento
Perfil: decisiva no apoio a Lula no 2º turno de 2022, a senadora Simone Tebet (PSB) foi convidada para ocupar o Ministério do Planejamento do atual governo petista. Em 2026, ela concorreu novamente ao Senado, mas desta vez por São Paulo. Ficou em terceiro lugar, perdendo a vaga para Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), nomes apoiados pelo governador Tarcísio de Freitas. Com o revés eleitoral, Tebet pode ser convidada para continuar no Ministério do Planejamento.
João Campos
Possível ministério: Ciência e Tecnologia
Perfil: O ex-prefeito de Recife (PE) João Campos (PSB) concorreu ao governo do Pernambuco, mas perdeu a disputa ainda no 1º turno para a rival Raquel Lyra (PSD). Apontado como uma das principais lideranças jovens da esquerda, João Campos deve ser contemplado também no ministério de Lula. Uma possibilidade seria assumir o Ministério da Ciência e Tecnologia, um ministério que já foi chefiado por Eduardo Campos, pai de João, morto em um acidente aéreo durante a campanha presidencial de 2014.
Lincoln Gakiya
Possível ministério: Segurança Pública
Perfil: Promotor de Justiça do Ministério Público de São Paulo (MPSP), Gakiya é considerado uma das principais referências no combate ao crime organizado no país, especialmente na repressão à facção PCC. Foi responsável por transferir 22 líderes de facções, incluindo Marcola, para presídios federais de segurança máxima em 2019. É especialista em Direito Penal, vive sob escolta há mais de uma década e já foi alvo de planos de atentados. O nome dele é cotado para assumir o eventual Ministério da Segurança Pública, que segundo Lula será criado caso a PEC da Segurança Pública receba aval do Senado. A pasta deve atuar na interlocução entre União, estados e municípios para combate ao crime no país. A segurança pública foi uma das principais demandas da última campanha eleitoral.








