Pacote da blindagem? O que está em jogo após acordo que encerrou ocupação do Congresso 

Negociação para permitir volta das sessões na Câmara e no Senado teria envolvido discussões sobre apoio para mudanças do foro privilegiado e PEC sobre prerrogativas parlamentares

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Câmara teve semana turbulenta com ocupação de plenário por bolsonaristas (Foto: Bruno Spada, Câmara dos Deputados)

Câmara teve semana turbulenta com ocupação de plenário por bolsonaristas (Foto: Bruno Spada, Câmara dos Deputados)

Após dois dias em que parlamentares apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ocuparam as mesas da Câmara dos Deputados e do Senado, para pressionar pela votação de pautas como a anistia e o fim do foro privilegiado, um acordo entre a oposição e partidos do Centrão teria permitido o fim da ocupação, retomando os trabalhos do Congresso a partir desta quinta-feira (7). As propostas chegaram a ser chamadas de “pacote de paz” pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

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O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), deu entrevista nesta quinta negando que tenha ocorrido um acordo condicionando o fim da ocupação bolsonarista a pautas específicas. No entanto, parlamentares da oposição defendem que conversas de interlocutores, que incluíram o aliado e ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), teriam alinhado a possibilidade de votação nas próximas semanas de propostas como uma PEC para defesa das prerrogativas, chamada informalmente de PEC da blindagem, e mudanças no foro privilegiado. As informações são do Estadão. 

Veja fotos da ocupação das mesas do Congresso

A chamada PEC da Blindagem inclui dispositivos que pretendem proibir investigações contra deputados e senadores enquanto não houver aval do Congresso. O texto mais recente da proposta, que já tramita no Congresso, prevê ainda que medidas cautelares contra parlamentares, como o uso de tornozeleira eletrônica, só possam ser tomadas por decisão da maioria do plenário do STF.  

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Deputados da oposição também teriam interesse de incluir previsões que exijam que decisões como imunidade parlamentar, habeas corpus, requerimentos de prisão, busca e apreensão e quebra de sigilo de deputados e senadores precisem ser analisados em sessão presencial do STF. 

Mudanças também no foro privilegiado 

O fim do foro privilegiado, ou um novo formato para essa condição, também deve entrar na pauta em função do acordo feito para o fim da ocupação bolsonarista. O foro por prerrogativa de função, chamado popularmente de foro privilegiado, permite que presidentes, ministros, deputados e senadores sejam julgados diretamente por tribunais superiores. 

Inicialmente, deputados bolsonaristas defendiam o fim do foro privilegiado. Um dos motivos seria a possibilidade de que os processos contra o ex-presidente Jair Bolsonaro deixassem de tramitar no STF e fossem para a primeira instância — por investigar fatos ocorridos no exercício do mandato, as ações contra o ex-presidente tramitam no STF. A previsão, no entanto, é de que o julgamento de Bolsonaro possa ocorrer no mês que vem. 

Nesta quinta-feira, no entanto, outra proposta passou a ser discutida com o Centrão para definir que processos contra parlamentares comecem a tramitar no Tribunal Regional Federal (TRF), com possibilidade de recursos ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) como segunda instância e, por fim, ao STF. A proposta também poderia manter o STF como foro para casos envolvendo presidente e ministros. 

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A ideia pode ganhar o apoio do Centrão porque cerca de 80 parlamentares seriam alvos de investigações sobre supostos desvios de recursos de emendas parlamentares. Um procedimento sob a análise do ministro Flávio Dino apura o assunto no STF. Com a aprovação da medida, os parlamentares poderiam ter as ações investigadas nos tribunais regionais. 

A anistia geral para investigados pelos atos de 8 de janeiro também era uma das pautas defendidas pelos bolsonaristas durante a ocupação do plenário, mas neste ponto um consenso é considerado mais distante. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, o acordo foi para “trabalhar para discutir um texto”.  

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