Caso Henry Borel: quem deve falar em júri de Jairinho e Monique e as estratégias da defesa

Menino morreu há cinco anos com sinais de agressão na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio de Janeiro; passam a ser julgados o padastro  do garoto, Jairinho, e a mãe da criança, Monique Medeiros

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O menino foi levado já sem vida ao hospital após passar a noite com a mãe e o padrasto (Foto: Reprodução)

Teve início nesta segunda-feira (23), no 2º Tribunal do Júri do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, no Centro da cidade, o julgamento do caso Henry Borel. O menino morreu há cinco anos, apresentando sinais de agressão, em um apartamento na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio. Com informações do g1.

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Sentam-se no banco dos réus o padrasto da criança, Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Jairinho, e a mãe, Monique Medeiros da Costa e Silva de Almeida. A acusação busca uma condenação de ao menos 35 anos de prisão para cada um, por diferentes crimes.

As defesas, por outro lado, afirmam que a morte de Henry foi acidental e apontam supostas falhas nos laudos periciais do corpo do menino.

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Relembre o caso em fotos

A previsão é de que o julgamento se estenda por, no mínimo, 10 dias. Só a fase de depoimentos inclui 26 testemunhas, além dos interrogatórios dos dois réus. Após isso, ainda haverá os debates entre acusação e defesa até a decisão do júri.

A condução da sessão está a cargo da juíza Elizabeth Machado Louro.

Quais crimes estão em julgamento?

Jairinho responde por homicídio duplamente qualificado, com base no uso de meio cruel e em recurso que teria impossibilitado a defesa da vítima. De acordo com o Ministério Público, o crime ocorreu com dolo eventual, ou seja, ele teria assumido o risco de provocar a morte.

Ele também é acusado de tortura em três episódios registrados em fevereiro de 2021, antes da morte de Henry.

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Monique é acusada de homicídio qualificado por omissão, por não ter agido para proteger o filho das agressões e torturas.

Ambos ainda respondem por coação no curso do processo.

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Jairinho e Monique estão presos desde abril de 2021, mês seguinte à morte de Henry. Monique chegou a ser solta em 2022 por decisão da Justiça, mas voltou à prisão em 2023 após determinação do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Quais foram as testemunhas chamadas?

Ao todo, 26 testemunhas foram intimadas no processo. Veja quem são:

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Ministério Público (MP)

  • Leniel Borel de Almeida Júnior, pai de Henry e assistente de acusação;
  • Ana Carolina Lemos Medeiros de Caldas, delegada assistente;
  • Luiz Carlos Leal Prestes, perito do Ministério Público;
  • Natasha de Oliveira Machado, ex-namorada de Jairinho;
  • Débora Mello Saraiva, ex-namorada de Jairinho;
  • Edson Henrique Damasceno, delegado titular;
  • Luiz Airton Saavedra de Paiva, médico-legista;
  • Rafael Bernardon Ribeiro, psiquiatra.

Testemunhas a pedido da juíza

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  • Tereza Cristina dos Santos, cabeleireira do salão frequentado por Monique;
  • Paloma dos Santos Meireles, manicure;
  • Maria Cristina de Souza Azevedo, pediatra do Barra D’Or;
  • Leila Rosângela de Souza Mattos, empregada do casal;
  • Kaylane Oliveira Duarte Pereira, ex-enteada de Jairinho.

Defesa de Jairinho

  • Jairo Souza Santos, o Coronel Jairo, pai do réu;
  • Fernanda Abidu Figueiredo, ex-mulher;
  • Leonardo Huber Tauil, perito responsável pelos laudos;
  • Roberto Claure Arena de Souza;
  • Hewdy Lobo Ribeiro, psiquiatra;
  • Cristiane Izidoro, assessora de Jairinho.

Defesa de Monique

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  • Rosangela Medeiros da Costa e Silva, mãe de Monique e avó de Henry;
  • Bryan Medeiros da Costa e Silva, irmão de Monique;
  • Thayna de Oliveira Ferreira, babá de Henry;
  • Glauciane Ribeiro Dantas;
  • Ana Paula Medeiros Pacheco, prima de Monique;
  • Ari Mamede;
  • Marcia Eduarda Andrade Vieira.

Quais as estratégias de defesa e acusação?

Acusação (Ministério Público e assistente)

A linha acusatória sustenta que Henry foi alvo de agressões repetidas e intencionais, que resultaram em um “homicídio brutal”.

  • Ação direta de Jairo: o MP afirma que ele provocou lesões em órgãos vitais — rins, pulmões, crânio e fígado — por meio de violência contundente, agindo com sadismo e assumindo o risco de matar.
  • Omissão de Monique: a acusação diz que ela tinha conhecimento das agressões anteriores e, mesmo assim, não agiu para proteger o filho, com o objetivo de manter benefícios financeiros e o status do relacionamento.
  • Padrão de conduta: busca-se demonstrar que Jairo teria histórico de violência contra filhos de ex-companheiras, reforçando que o caso não foi isolado.
  • Obstrução da Justiça: os réus teriam intimidado testemunhas e mandado limpar a cena do crime para dificultar a perícia.
  • Refutação técnica: pareceres periciais são usados para sustentar que a morte decorreu de violência extrema, descartando hipóteses de acidente ou erro médico.

Defesa de Jairinho

A estratégia se baseia na negativa de autoria e na contestação das provas.

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  • Erro médico: a defesa afirma que as lesões fatais, especialmente no fígado, teriam sido causadas por manobras inadequadas de ressuscitação no Hospital Barra D’Or.
  • Hipótese de acidente: sustenta-se que Henry pode ter sofrido uma queda da cama.
  • Nulidades processuais: questiona-se a cadeia de custódia de provas digitais e aponta-se suposta parcialidade de peritos e da juíza.
  • Exposição midiática: a defesa argumenta que houve “linchamento” público e que a cobertura da imprensa influenciou investigações e depoimentos.

Defesa de Monique

A linha adotada tenta separar sua conduta da de Jairo.

  • Vítima de dominação: Monique é apresentada como alguém manipulada por Jairo, que teria exercido controle psicológico e influência sobre ela.
  • Ausência de dolo ou omissão: a defesa afirma que ela não presenciou agressões e não acreditava que o filho estivesse sendo violentado, tendo buscado ajuda médica sempre que percebeu algo errado.
  • Falta de vínculo criminoso: sustenta-se que não houve acordo entre os dois para a prática de crimes.
  • Contestação do motivo: a acusação de omissão por interesse financeiro é classificada como infundada e “sexista”, sob o argumento de que Monique tinha carreira própria e estabilidade no serviço público.

Quais as penas em caso de condenação?

A pena para homicídio varia de 12 a 30 anos, a depender das circunstâncias. Além disso, há as acusações de tortura contra Jairinho e de coação atribuída a ambos.

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Segundo apuração do g1 junto à promotoria e à assistência de acusação, a pena de Jairinho pode chegar a 40 anos de prisão, enquanto a de Monique pode alcançar 35 anos.