Dono da Ultrafarma consegue habeas corpus e não precisará pagar fiança de R$ 25 milhões

Justiça determinou na sexta-feira passada a soltura do empresário e de Mario Otávio Gomes, do grupo Fast Shop, sob condição de usarem tornozeleira eletrônica e pagarem fiança milionária

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Sidney Oliveira havia sido preso na cidade de Santa Isabel, em São Paulo (Foto: Flickr da Ultrafarma Saúde ltda., Divulgação)

A defesa de Sidney Oliveira, dono e fundador da Ultrafarma, conseguiu um habeas corpus nesta sexta-feira (22), e o empresário não terá que pagar a fiança de R$ 25 milhões por sua soltura, ocorrida na última sexta-feira (15). Agora, então, ele continua solto, mas deve respeitar medidas cautelares, como usar tornozeleira eletrônica, não se comunicar com outros investigados e não sair de casa após as 20h. Com informações do g1.

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A decisão de suspensão da exigência de pagamento de fiança, no entanto, é em caráter liminar. Isso significa que vale até o julgamento final do caso.

Na sexta-feira passada, a Justiça havia determinado a soltura dele e de Mário Otávio Gomes, diretor estatuário do grupo Fast Shop, sob condição de usarem tornozeleira eletrônica e pagarem fiança de R$ 25 milhões. Nesta quinta-feira (21), no entanto, o Ministério Público havia feito novo pedido de prisão contra Sidney após ter constatado que a fiança não foi paga.

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O que diz a defesa de Sidney?

“No dia 21 de agosto, o Ministério Público requereu nova prisão, sob a alegação de descumprimento do prazo para recolhimento da fiança. 2. No mesmo dia, a Defesa demonstrou que o prazo para cumprimento da obrigação se encerrava em 22 de agosto (sexta-feira), e não em 21 de agosto (quinta-feira), como alegado. 3. Também em 21 de agosto, a Defesa impetrou habeas corpus junto ao Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, requerendo a suspensão da fiança arbitrada. 4. Na data de hoje, o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo acolheu o pedido da Defesa no habeas corpus e, em decisão liminar, suspendeu a exigibilidade da fiança, afastando a possibilidade de nova prisão e restabelecendo o devido processo legal”, disse, em nota.

Mário Otávio Gomes, o diretor da Fast Shop, também conseguiu um habeas corpus na 11ª Câmara de Direito Criminal do TJ SP para não ser obrigado a pagar a fiança, de R$ 25 milhões.

O auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto, supervisor da Diretoria de Fiscalização (DIFIS), apontado como o principal articulador do esquema de corrupção, teve a prisão temporária prorrogada. O Tribunal de Justiça, no entanto, não informou o período. Já o fiscal Marcelo de Almeida Gouveia teve a prisão preventiva mantida.

Os três são alvo de uma operação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) que investiga um esquema de corrupção que envolveria auditores fiscais tributários da Secretaria de Estado da Fazenda.

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Entre as medidas cautelares, o juiz Paulo Fernando Deroma De Mello incluiu os seguintes pontos:

  • Comparecer mensalmente em juízo;
  • Proibição de frequentar prédios relacionados com a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, salvo se devidamente convocados;
  • Proibição de manter contato com demais investigados e testemunhas;
  • Proibição de se ausentar da comarca, sem prévia comunicação ao Juízo;
  • Recolhimento domiciliar noturno e nos dias de folga, após às 20h;
  • Entrega de passaporte no primeiro dia útil após a soltura.

O MP-SP informou ao g1, por nota, que além de Sidney e Mario, foi liberada também Tatiane de Conceição Lopes — esposa do operador Celso Éder Gonzaga Araújo, que também teve a prisão decretada pela Justiça.

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A Fast Shop disse, em comunicado, que “está colaborando integralmente com as autoridades. E reforça que as investigações tramitam sob sigilo judicial”.

Já a Ultrafarma afirmou estar colaborando com a investigação e que “as informações veiculadas serão devidamente esclarecidas no decorrer do processo e demonstrará a inocência no curso da instrução. A marca segue comprometida com a transparência, a legalidade e trabalho legítimo, sobretudo, com a confiança que milhões de brasileiros depositam diariamente na empresa”.

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Como funcionava o esquema

De acordo com a investigação, o auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto coletava documentos da Fast Shop e da Ultrafarma para pedir o ressarcimento de créditos de ICMS com a Secretaria da Fazenda. Dessa forma, o procedimento de ressarcimento, que costuma ser complexo, era facilitado por meio de propinas. A organização criminosa teria desviado cerca de R$ 1 bilhão em propinas desde 2021.

O próprio Artur aprovava os pedidos e garantia que eles não seriam revisados de forma interna. Por outro lado, os pagamentos mensais de propina eram recebidos em uma empresa registrada em nome de sua mãe.

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Além disso, ele liberava valores maiores do que os que as empresas tinham direito, com o prazo mais curto.

Quem é Sidney Oliveira?

O empresário e fundador da Ultrafarma, Aparecido Sidney de Oliveira, tem 71 anos. Atualmente, ele mora em uma chácara em Santa Isabel, na Grande São Paulo, onde foi preso temporariamente.

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Oliveira nasceu no município de Nova Olímpia, no interior do Paraná, onde vivia com mais dez irmãos. Segundo ele, a família vivia uma situação financeira difícil e ele começou a trabalhar em uma farmácia ainda menino, aos 9 anos.

O empresário foi alfabetizado por meio do programa Movimento Brasileiro de Alfabetização para Jovens e Adultos, criado por Paulo Freire, e não frequentou a universidade.

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Pioneira na venda de genéricos e uma das maiores redes de farmácias do Brasil, o império da Ultrafarma foi fundado por Oliveira em 2000. A rede se destacou ao longo dos anos pelo e-commerce que funciona 24 horas por dia e pela forte presença na mídia. Segundo informações da empresa, a Ultrafarma tem mais de 1 milhão de clientes ativos e mais de 15 mil produtos disponíveis para venda através do e-commerce e lojas.

Leia na íntegra a nota da Secretaria da Fazenda

“A Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo (Sefaz-SP) está à disposição das autoridades e colaborará com os desdobramentos da investigação do Ministério Público por meio da sua Corregedoria da Fiscalização Tributária (Corfisp).

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Enquanto integrante do CIRA-SP – Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos – e diversos grupos especiais de apuração, a Sefaz-SP tem atuado em diversas frentes e operações no combate à sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e ilícitos contra a ordem tributária, em conjunto com os órgãos que deflagraram operação na data de hoje.

Além disso, a Sefaz-SP informa que acaba de instaurar processo administrativo para apurar, com rigor, a conduta do servidor envolvido e que solicitou formalmente ao Ministério Público do Estado de São Paulo o compartilhamento de todas as informações pertinentes ao caso.

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A administração fazendária reitera seu compromisso com os valores éticos e justiça fiscal, repudiando qualquer ato ou conduta ilícita, comprometendo-se com a apuração de desvios eventualmente praticados, nos estritos termos da lei, promovendo uma ampla revisão de processos, protocolos e normatização relacionadas ao tema.”

*Sob supervisão de Giovanna Pacheco

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