Julgamento sobre assassinato e estupro de adolescente em SC tem desfecho surpreendente

Ana Beatriz Schelter, de 12 anos, estava a caminho da escola, em Rio do Sul, no Alto Vale do Itajaí, quando aceitou carona de um amigo da família e acabou morta.

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Caso chegou ao banco dos réus uma década após os crimes (Foto: Reprodução)

O julgamento de dois réus acusados de participação no estupro, assassinato e fraude processual no caso da adolescente Ana Beatriz Schelter teve um desfecho surpreendente. A dupla sentou no banco dos réus nesta quinta-feira (25), uma década após os crimes contra a garota de apenas 12 anos, moradora de Rio do Sul, no Alto Vale do Itajaí.

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João Vivaldino Córdova Lottin era apontado como envolvido direto nos crimes. Já Marcel Aparecido Albuquerque teria supostamente ajudado a simular uma cena, sugerindo que a adolescente havia cometido suicídio. Os dois respondiam em liberdade ao processo e foram absolvidos durante o júri popular, ocorrido em Florianópolis.

O Ministério Público de Santa Catarina vai recorrer da decisão. Para o promotor Jonnathan Augustus Kuhnen, que atuou no júri, as provas reunidas ao longo da investigação sustentam a participação dos acusados nos crimes, motivo pelo qual discorda do resultado. “Respeitamos a decisão do júri, mas entendemos que há elementos suficientes para sua revisão e, por isso, vamos recorrer”, afirmou. 

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Um terceiro envolvido no caso, Mário Fleguer, teve um julgamento separado, ocorrido no mês passado, e foi condenado a 58 anos de prisão por estupro de vulnerável, homicídio qualificado e fraude processual. Ele não pode recorrer em liberdade. Ele era amigo da família da vítima.

Um crime cruel 

Ana Beatriz Schelter tinha 12 anos quando saiu de casa a pé, por volta das 13h do dia 2 de março de 2016, em Rio do Sul, no Alto Vale do Itajaí, para ir à escola, onde cursava o sétimo ano. O trajeto levava poucos minutos, mas ela nunca chegou ao destino. 

O desaparecimento foi registrado naquela noite pelo pai. Na manhã seguinte, o corpo da adolescente foi encontrado dentro de um contêiner às margens da BR‑470. A perícia apontou que a cena havia sido montada para simular um suicídio por enforcamento, hipótese que foi descartada.

O laudo confirmou que a vítima sofreu violência sexual e morreu por asfixia. 

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A investigação

O Ministério Público comandou a investigação através do Gaeco e apontou Mário Fleguer, João Vivaldino Córdova Lottin e Marcel Aparecido Albuquerque como os responsáveis pelos crimes. Eles foram presos em fevereiro de 2020. As investigações mostraram que esse primeiro réu era conhecido da família, acompanhava a rotina da vítima e se aproveitou disso para cometer os crimes. 

A apuração também indicou que ele e João Vivaldino Córdova Lottin apresentavam comportamento relacionado à exploração sexual de crianças e adolescentes, reforçando a ligação entre os envolvidos. Segundo a investigação, no dia dos crimes, os dois ofereceram carona à adolescente durante o trajeto até a escola. Com ela no veículo, foram para um local não identificado, onde cometeram os crimes. 

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O julgamento ocorreu em Florianópolis, atendendo pedido da defesa dos acusados. O desaforamento, como é chamada a transferência de um júri de uma cidade para outra, é um instrumento previsto na legislação que permite a mudança do local do julgamento quando se entende que a ampla repercussão do caso pode influenciar o ambiente do júri.