Com a aproximação do fenômeno climático El Niño, previsto para afetar as condições climáticas principalmente no Sul do Brasil durante segundo semestres de 2026, autoridades e órgãos públicos atuam na mobilização de ações de contingência e na conscientização da população. Em Camboriú, o prefeito Leonel Pavan (PSD) expressa preocupação e afirma que a cidade pode “ser duramente afetada”.
O pronunciamento foi feito na segunda-feira (15), durante uma reunião promovida pela Prefeitura de Camboriú, cidade colada a Balneário Camboriú, com a presença de representantes da Defesa Civil e secretarias municipais. A ação teve como objetivo movimentar as forças de segurança e autoridades do município para a prevenção de possíveis danos causados pelo fenômeno.
“Já somos afetados por inundações em função de chuvas que têm um índice menor do que se projeta agora para o El Niño. Na próxima sexta-feira teremos uma nova reunião para avançar nas medidas necessárias e garantir que nossa cidade esteja cada vez mais organizada e preparada”, comenta o prefeito.
Camboriú é uma das cidades que já decretou emergência pelo El Niño
Em maio deste ano, o prefeito de Camboriú, Leonel Pavan, assinou um decreto que declarou situação de emergência preventiva no município diante da possibilidade de eventos climáticos extremos associados ao El Niño.
A medida tem como objetivo permitir que a administração municipal adote ações emergenciais com mais rapidez para reduzir os riscos de alagamentos, enchentes e outros transtornos que possam ser causados pelas fortes chuvas e vendavais.
Além disso, o decreto também amplia a capacidade de resposta do município em situações de risco, autorizando a mobilização de equipes, maquinários e recursos públicos, além da realização de procedimentos administrativos emergenciais.
El Niño deve atingir categoria “super” no final de 2026
Conforme a Agência Espacial Europeia (ESA)a, o El Niño acontece a cada poucos anos, quando os ventos alísios perdem força e permitem que as águas quentes da superfície do Oceano Pacífico ocidental se desloquem para o leste. Como mostram as imagens, o fenômeno pode começar de forma sutil, com as águas do Oceano Pacífico tropical mais quentes.
“Embora as diferenças de temperatura possam parecer pequenas, o oceano armazena e troca enormes quantidades de calor, portanto, mesmo um leve aquecimento pode indicar mudanças muito grandes no fluxo de energia entre o oceano e a atmosfera”, explicou o cientista da ESA Craig Donlon.
Além disso, de acordo com um alerta alerta global emitido pela Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (Noaa) dos EUA, existe um percentual de 63% de chances para o El Niño se transformar em um “super” fenômeno com potencial para se estender até 2027.
O que o El Niño pode causar?
A agência também explica que, com as águas mais quentes, as chuvas sobre o Oceano Pacífico podem ser intensificar, alterando a circulação atmosférica. Essas mudanças podem desencadear efeitos em que chegam até o Polo Norte e alteram o clima de inverno na Europa, aumentando a chance de ondas de frio ou mudanças nos padrões climáticos típicos da estação.
A influência do El Niño nas anomalias do nível do mar no Pacífico vai aparecer de forma mais evidente nos próximos meses, com a observação da altimetria por satélite.
Em Santa Catarina, o Fórum Climático Catarinense afirmou que temperaturas devem seguir o padrão típico do inverno, com massas de ar frio e episódios de queda acentuada. Já a partir de julho, as temperaturas podem ficar acima da média. O fenômeno deve fazer com que o frio seja mais intenso e perdure por mais tempo em relação ao inverno de 2025.
Em relação a chuva, as precipitações devem ficar acima da média, acontecendo de forma mais frequente e com acumulados elevados em pouco tempo, com temporais incluindo raios, granizo e ventania.










