Reforma da Previdência de SC é aprovada após tumulto com servidores na Alesc

Houve conflito entre manifestantes e policiais em frente à Alesc; propostas mudam regras de aposentadorias e pensões de servidores

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Votação da reforma da Previdência teve manifestação e tumulto antes da aprovação (Foto: Tiago Ghizoni, Diário Catarinense)

A Reforma da Previdência de SC foi aprovada nesta quarta-feira (4) pela Assembleia Legislativa (Alesc). A sessão foi marcada por um tumulto entre servidores e policiais militares no início da tarde, depois que parte dos manifestantes tentou invadir o prédio (veja vídeo abaixo).

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Ao final de uma sessão de quatro horas, a Proposta de Emenda à Constituição foi aprovada por 30 votos a 8 e o projeto de lei complementar, que traz a maior parte das novas regras para aposentadorias e pensões de servidores estaduais, foi aprovado por 29 votos a 9 (confira abaixo como votaram os deputados).

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As novas regras afetam um universo de 106 mil pessoas, sendo 47 mil servidores públicos do Estado em atividade e 59 mil inativos e pensionistas.

As novas normas para aposentadorias e pensões entram em vigor 90 dias após a publicação das lei complementar. Alguns dispositivos, como o cálculo do tempo faltante para aposentadoria a quem está em final de carreira e vai optar por regra de transição, têm validade a partir de 1º de janeiro de 2022.

O que explica o tumulto e correria antes da votação da Reforma da Previdência de SC

Como foi a votação

A tarde de votação começou com tensão após um tumulto entre manifestantes e policiais militares, quando um grupo tentou invadir a Alesc para pressionar contra a reforma. Com os ânimos exaltados, os servidores assistiram da rua, em um telão, à votação em plenário.

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As principais discussões sobre a proposta ocorreram antes da votação do Projeto de Lei Complementar. Os deputados analisaram destaques com sugestões de deputados que não foram acatadas no texto final do projeto pelos relatores e pelo governo do Estado. Todos os destaques, no entanto, foram rejeitados.

Pouco antes das 19h, os deputados aprovaram o projeto de lei com as novas regras de aposentadorias e pensões dos servidores por 29 votos a 9.

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Um dos pontos mais tensos da sessão ocorreu na votação de um requerimento que pretendia oferecer paridade e integralidade a servidores da segurança pública que entraram até 2016 (hoje, o benefício é apenas para quem entrou até 2003). Após o deputado Ivan Naatz (PL) dizer que “quem tá com a Polícia Civil de SC vai votar sim”, outros deputados reagiram, como Moacir Sopelsa (MDB) e Ana Campagnolo (PSL).

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O líder de governo, José Milton Scheffer (PP), prometeu avanços de outras formas à categoria, mas afastando a possibilidade de estender a paridade e integralidade.

– O momento que a Previdência de SC passa nos impede de atender esse pleito da Polícia Civil, mas não nos impede de um programa de migração incentivada à previdência complementar, que vai vir a esta casa. É um plano moderno em que o servidor será dono da sua aposentadoria – propôs o deputado.

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Governo diz que Reforma garantirá aposentadorias

Ao final da sessão, o governo comemorou a aprovação da reforma. O secretário da Casa Civil, Eron Giordani, destacou que o governo pretende compensar algumas categorias com reajustes salariais, como no caso dos professores e da segurança pública. Ele defendeu que os ajustes feitos não projeto “não desidrataram a proposta original”.

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O que o Parlamento ofereceu ao Estado foi uma grande vitória que garantirá o pagamento das aposentadorias no futuro, e a partir de novembro deste ano, uma economia de R$ 65 milhões por mês”

Eron Giordani, secretário da Casa Civil de SC

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O deputado estadual Milton Hobus (PSD), presidente da CCJ e que conduziu as negociações na comissão como relator, disse que a reforma acompanha a necessidade de adequação que outros Estados já fizeram e o Congresso já fez com trabalhadores da iniciativa privada.

– Só três estados têm isenção superior a um salário, isso demonstra a falência do sistema de previdência pública no Brasil. É por isso que temos que ter coragem de enfrentar isso, e o Parlamento fez seu trabalho.

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Milton Hobus, deputado e relator da Reforma na CCJ

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Como votaram os deputados

PEC 05/2021

Ada De Luca (MDB): Sim / Sim

Ana Campagnolo (PSL): Sim / Sim

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Bruno Souza (Novo): Sim / Sim

Cel. Mocellin (PSL): Sim / Sim

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Dirce Heiderscheidt (MDB): Sim / Sim

Doutor Vicente (PSDB): Sim / Sim

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Fabiano da Luz (PT): Não / Não

Felipe Estevão (PSL): Sim / Sim

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Fernando Krelling (MDB): Sim / Sim

Ismael dos Santos (PSD): Sim / Sim

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Ivan Naatz (PL): Não / Não

Jair Miotto (PSC): Sim / Sim

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Jerry Comper (MDB): Sim / Sim

Jesse Lopes (PSL): Sim / Sim

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João Amin (PP): Sim / Sim

José Milton Scheffer (PP): Sim / Sim

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Julio Garcia (PSD): Sim / Sim

Kennedy Nunes (PSD): Não / Não

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Laércio Schuster (PSB): Sim / Não

Luciane Carminatti (PT): Não / Não

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Marcius Machado (PR): Não / Não

Marcos Vieira (PSDB): Sim / Sim

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Marlene Fengler (PSD): Sim / Sim

Mauricio Eskudlark (PL): Sim / Sim

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Mauro de Nadal (MDB): – / –

Milton Hobus (PSD): Sim / Sim

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Moacir Sopelsa (PMDB): Sim / Sim

Nazareno Martins (PSB): Sim / Sim

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Neodi Saretta (PT): Não / Não

Nilso Berlanda (PR): Sim / Sim

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Padre Pedro Baldissera (PT): Não / Não

Paulinha (sem partido: Sim / Sim

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Ricardo Alba (PSL): Sim / Sim

Rodrigo Minotto (PDT): Não / Não

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Romildo Titon (MDB): Sim / Sim

Sargento Lima (PSL): – / –

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Sergio Motta (Republicanos): Sim / Sim

Silvio Dreveck (PP): Sim / Sim

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Valdir Cobalchini (MDB): Sim / Sim

Volnei Weber (MDB): Sim / Sim

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Tumulto entre manifestantes e policiais

Do lado de fora da Alesc, categorias de servidores faziam desde a manhã manifestações contra as mudanças nas aposentadorias e pensões dos funcionários públicos do Estado. Às 14h, quando teve início a sessão, os manifestantes tentaram invadir a Assembleia Legislativa para protestar no interior da Casa contra as mudanças. O acesso ao público está fechado por conta da pandemia de Covid-19 – apenas quem fez um cadastro prévio pode ocupar as galerias. 

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Veja vídeo da confusão em frente à Alesc

Houve confronto entre manifestantes e a Polícia Militar, com uso de gás de pimenta por parte dos policiais para evitar a entrada na Alesc. A PM relatou que cadeiras e objetos foram arremessados contra os policiais. Os manifestantes foram bloqueados por uma barreira montada pelas forças de segurança.

Por volta das 14h50min, os ânimos já haviam se acalmado em frente à Assembleia. A PM reforçou a segurança em frente ao prédio, onde há 70 policiais atuando. Os servidores se reuniram para assistir à votação em um telão montado em frente ao Legislativo.

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A sessão em que a reforma será votada foi aberta por volta das 14h, mas suspensa em seguida. Ela foi retomada às 15h, com a discussão e votação dos projetos sobre as mudanças na Previdência de SC.

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Reforma prevê economia de até R$ 32 bilhões

O Instituto de Previdência de SC (Iprev) estima que a reforma traria uma economia de R$ 32 bilhões em 20 anos no chamado déficit atuarial, que calcula a soma de benefícios que a Previdência ainda precisará pagar no futuro e o que terá a receber se servidores em atividade. Quando apresentou a proposta, o governo estimou uma economia financeira (do que o governo vai efetivamente desembolsar) de R$ 22 bilhões em 20 anos. Nesta terça-feira, o Estado informou que esse valor passou para R$ 16 bilhões após as mudanças no texto.

Os valores diminuíram após a apresentação de emendas por parte de deputados, que alteraram pontos da reforma como o cálculo da pensão por morte, que teve um acréscimo de 10% na composição do benefício inicial, e a alíquota extraordinária, retirada da proposta.

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Deputados rejeitaram mudanças em pensão e isenção

– A reforma é composta pela Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 5/2021 e pelo projeto de lei complementar (PLC) 10/2021.

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– A PEC precisava de 24 votos favoráveis para ser aprovada (3/5 do total de deputados)

– O projeto de lei seria aprovado com 21 votos (maioria absoluta).

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Às 15h10min os deputados começaram a discutir a PEC 5/2021. Em seguida, devem ser discutidos o PLC 10/2021 e as emendas que os deputados decidiram apresentar para votar em destaque.

– Às 16h, os deputados aprovaram a PEC em primeiro turno por 30 votos favoráveis e 9 contrários.

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– Em seguida, os deputados rejeitaram uma emenda à PEC apresentada pelo deputado Ricardo Alba (PSL).

– Às 16h15min, os deputados iniciaram a discussão do projeto de lei que possui a maior parte das mudanças nas regras para aposentadoria e servidores. Primeiro são avaliados requerimentos com sugestões de deputados que não foram acatadas pelo governo e pelos relatores.

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– Os deputados rejeitaram um requerimento do deputado Ricardo Alba (PSL) que pretendia estender aos oficiais de Justiça benefício de pensão por morte integral.

– Um requerimento que propõe manter a isenção da alíquota de 14% dos aposentados para quem ganha até R$ 6,4 mil é o maior ponto de discussão até o momento. Pelo texto da reforma, os 14% passariam a ser cobrados a partir de quem ganha R$ 1,1 mil. A proposta, no entanto, foi rejeitada, mantendo a cobrança já a partir de um salário mínimo.

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– Os deputados rejeitaram um requerimento da bancada do PT que pretendia elevar em mais 10% o cálculo inicial de pensão por morte. O texto atual prevê que a pensão será calculada com 60% do vencimento do servidor + 10% por dependente, e já teve ampliação de 10% na fase de emendas (o texto original partia de 50%).

– Os deputados votaram requerimento do deputado Maurício Eskurdlark (PL) que pedia integralidade para policiais civis e profissionais da segurança pública que entraram no serviço público até 2016. Este é outro ponto de bastante polêmica na reforma. Após uma longa discussão, o pedido também foi rejeitado.

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– Por volta das 19h, após quatro horas de sessão, os deputados aprovaram o PLC com as novas regras por 29 votos a 9 – eram necessários 21 para aprovar as medidas.

Por que o governo quer a reforma da Previdência de SC?

O governo do Estado defende que a reforma é necessária porque hoje o governo precisa aportar cerca de R$ 400 milhões por mês, ou R$ 5 bilhões ao ano, para complementar o pagamento das pensões e aposentadorias, já que apenas as receitas da Previdência não cobrem os valores dos benefícios. Esse recurso para cobrir o déficit, defende o governo, deixa de ser aplicado em outras áreas como educação, saúde ou infraestrutura.

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Além disso, parte do texto reproduz regras já aprovadas na reforma da Previdência nacional, em 2019. São exemplos disso o aumento da idade mínima para aposentadoria, de 65 anos para homens e de 62 para mulheres, exceto professores e profissionais da segurança pública, tempo de contribuição e regras de transição.

O que dizem os críticos aos projetos?

A reforma da Previdência de SC é criticada por sindicatos e associações de categorias de servidores que serão impactados com as mudanças. Eles questionam o cálculo do déficit da Previdência divulgado pelo Estado e alegam que regras como a tributação de aposentados a partir de um salário mínimo iria afetar a renda de quem ganha menos. No dia 20 de julho, servidores da segurança chegaram a fizer um protesto nas ruas de Florianópolis contra as regras propostas para policiais civis e peritos, um dos pontos mais polêmicos da proposta.

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No plenário da Alesc a proposta também recebe críticas. A deputada Luciane Carminatti (PT) já anunciou que irá tentar aprovar em plenário uma emenda rejeitada nas comissões que retira a cobrança de alíquota de 14% de aposentados quem ganham de um a cinco salários mínimos.

O que os deputados já mudaram no texto

A maior parte das mudanças, no entanto, ocorram ainda na fase de emendas, nas três comissões que avaliaram o texto. Na semana passada, os deputados acataram 30 das 73 emendas apresentadas pelos deputados.

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As principais alterações foram a redução do pedágio de 100% para 50% do tempo faltante na regra de transição para quem está perto de se aposentar, o fim da alíquota extraordinária proposta pelo governo para parte dos servidores, o aumento no cálculo da pensão por morte, que inicia a partir de 60% do valor, e não mais 50%, somando-se a mais 10% por dependente.

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