Enquanto industriais do Brasil esperam recuo de Trump, argentinos podem avançar

A negociação de acordo entre os EUA e a Argentina enquanto o Brasil enfrenta duras retaliações é mais um exemplo da polarização política interferindo em negociações comerciais de décadas

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Brasil e Argentina são grandes parceiros comerciais e de serviços. Se a Argentina firmar acordo de livre comércio com Trump terá que sair do Mercosul (Foto: Arquivo, NSC)

Passados quatro dias da guerra comercial iniciada por Donald Trump com o Brasil ao impor tarifa de importação de 50%, autoridades brasileiras começam a se reunir nesta segunda-feira para buscar uma negociação com os EUA. Mas empresários do Brasil avaliam que a Argentina pode ocupar parte do espaço do país no mercado americano porque segue com tarifa de 10% e tem chance de alcançar uma situação ainda mais favorável caso o presidente Javier Milei feche acordo de livre comércio com Trump, com tarifa zero para 100 produtos como vem negociando.

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Essas tratativas de acordo da Argentina com os EUA – reflexo de decisões políticas – seguiram mesmo depois do início do tarifaço de Trump, anunciado em 2 de abril último, que ele chamou de “Dia da Libertação”. O jornal argentino Clarín informou que o acordo comercial Argentina e EUA está sendo negociado entre o chanceler argentino Gerardo Werthein e o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick.

Entre os que acompanham atentamente a situação dos dois países está o empresário Torquato Pontes, diretor da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs) e presidente do Sindicato da Indústria da Pesca e Armadores de Pesca do RS. Ele informou para a coluna que empresários gaúchos também tiveram como reação imediata cancelar contratos de venda de pescados aos EUA após o anúncio da tarifa de 50% e aguardam negociações.

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-A repercussão para o Brasil ficará agravada à medida que se confirme a desoneração das importações dos Estados Unidos a produtos argentinos, como noticiado. Hoje, as alíquotas estão equalizadas com as do Brasil em 10 por cento – afirmou o empresário Torquato Pontes.

Um industrial do setor pesqueiro catarinense informou que alguns produtos que hoje empresas americanas compram do Brasil podem passar a adquirir da Argentina.

Atualmente, os EUA estão entre o primeiro ou segundo mercado em importância para diversos produtos argentinos, entre os quais carnes, vinhos, açúcar, frutas, derivados de petróleo e mineração.

Se a Argentina assinar acordo de livre comércio com os EUA, terá que sair do Mercosul, uma das regras do bloco comercial. Isso poderá gerar grande impacto para ambas as partes porque não poderão mais usar a tarifa externa comum num período de elevadas transações comerciais. No primeiro semestre deste ano, por exemplo, a Argentina exportou US$ 6,17 bilhões ao mercado brasileiro e importou mais, US$ 9,12 bilhões.  

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Também pode impactar negativamente a economia de Santa Catarina porque muitos produtos são vendidos entre o país e o estado com alíquota zero, entre os quais veículos, proteínas, eletrodomésticos, calçados e têxteis.

No primeiro semestre deste ano, as exportações de SC para a Argentina somaram US$ 438 milhões, 33,4% mais que no mesmo período do ano passado, o que representou um acréscimo de US$ 110 milhões. A Argentina é o terceiro maior parceiro comercial de SC, com 7,48% do faturamento de exportações. O estado importou US$ 690 milhões do mercado argentino no período, com recuo de -4,3%.

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