Uma das indústrias brasileiras impactadas pelo tarifaço, a Tupy, de Joinville, chamou a atenção do mercado nesta segunda-feira (24), ao convocar para o dia 15 de dezembro uma assembleia geral de debenturistas, que são credores da empresa. O objetivo é obter a autorização prévia de “waiver”, para não observância dos valores de dívida a serem pagos nos prazos previstos entre o quarto trimestre de 2025 e o terceiro trimestre de 2027. É a empresa admitindo que pode pagar menos, mas não quer que isso seja considerado uma inadimplência. O mercado ficou preocupado e as ações da empresa caíram 2,12% nesta terça-feira (25).
Outra informação na convocação dos debenturistas é que se for aprovada a flexibilidade para a dívida, a empresa vai disponibilizar para venda alguns imóveis que têm em São Paulo e Joinville como forma de oferecer uma garantia real a esses credores.
A Tupy divulgou o balanço do terceiro trimestre dia 06 de novembro, que veio com prejuízo de R$ 39,5 milhões enquanto no mesmo período de 2024 teve lucro líquido de R$ 50,4 milhões. A receita líquida de vendas caiu 13,3% e ficou em R$ 2,39 bilhões.
Esses resultados no balanço eram esperados diante de uma situação de queda de vendas em função do tarifaço dos Estados Unidos e de menor demanda em mercados importantes como o da Europa.
Mas o que motivou a Tupy a acelerar esse pleito junto aos debenturistas foi análise da agência internacional de risco Fitch, divulgada dia 13 deste mês que reduziu a nota de risco da empresa de BB+ para BB-’/‘AA(bra)’ e Perspectiva Estável.
-Volumes de vendas significativamente menores resultaram em desvio relevante do índice de alavancagem líquida, de 2,0 vezes, projetado pela Fitch. A agência não prevê retorno a este nível de alavancagem a curto prazo. A Fitch projeta que a Tupy provavelmente violará o covenant de alavancagem líquida, de 3,5 vezes, de suas debêntures locais nos próximos seis meses, mas os ratings consideram que a Tupy pode obter um waiver junto aos detentores de debêntures caso isto ocorra – afirmou a agência de risco em nota.
Isso significa que a diretoria da empresa se antecipou e está seguindo o conselho da Fitch de buscar essa aprovação sobre a dívida junto aos credores para seguir com as finanças dentro das normas.
A empresa fechou o terceiro trimestre com dívida líquida de R$ 2,26 bilhões, com uma alavancagem (relação entre dívida e Ebitda) de 2,58 vezes. No convite aos credores, ela pede autorização para chegar a 5,5 vezes até dezembro do ano que vem.
A Tupy é uma empresa com produtos de excelência e tem um diferencial por ser fornecedora de autopeças estratégicas de grandes veículos no mercado ocidental. Isso impede uma montadora de trocar de fornecedor de uma hora para outra. Outro fato a favor da empresa catarinense é que ela é uma fornecedora confiável de longo prazo. Apesar disso, a agência Fitich alerta que existem outros fornecedores maiores no mercado, que eventualmente podem avançar junto a essas montadoras.
Para melhorar esse cenário, seria importante o Brasil negociar com urgência um acordo com o governo americano que garanta o fim do tarifaço de 50%. Mesmo assim, a expectativa é de que 2026 será mais um ano difícil não só pelas mudanças tarifárias dos EUA, mas também por outros problemas ligados ou não a esse.
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