Esquemas de corrupção em Blumenau levam a bloqueio de R$ 54,3 milhões de investigados

Operações Sentinela, Arbóreo e Ponto Final foram deflagradas na semana passada pelo Gaeco; decisão do bloqueio é da Justiça e leva em conta investigação das autoridades

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Dinheiro que foi apreendido durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão (Foto: Gaeco, Reprodução)

A Justiça autorizou o bloqueio de R$ 54,3 milhões dos mais de R$ 120 milhões que teriam sido desviados em esquemas de corrupção descobertos em Blumenau e região. O dinheiro ficou indisponibilizado das contas dos investigados nas operações Ponto Final, Sentinela e Arbóreo. Inicialmente, o valor informado foi de mais de R$ 120 milhões, mas nesta quinta-feira (21) o Ministério Público diz ter atualizado o levantamento e divulgou o total de R$ 54,3 milhões: Ponto Final (R$ 50 milhões), Arbóreo (R$ 3,6 milhões) e Sentinela (R$ 779 mil). As investigações continuam em andamento. 

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O maior valor, R$ 117 milhões, dos quais R$ 50 milhões foram bloqueados, teria sido desviado pelo “cartel de obras”, que movimentou quase R$ 600 milhões em contratos com as prefeituras de Blumenau, Pomerode, Brusque, Ascurra, Gaspar, Timbó, Benedito Novo e Rio dos Cedros. Para tentar recuperar esse total, o Ministério Público solicitou e a Justiça autorizou o bloqueio de contas de 20 empresas, 13 empresários e dois servidores públicos que atuavam em Blumenau à época.

Já em relação à Arbóreo, a medida judicial atingiu três ex-agentes públicos de Blumenau e uma empresa. O Ministério Público estima que os três faturaram R$ 3,6 milhões entre 2022 e 2024 em um acordo ilegal firmado com a Risotolândia. O combinado era favorecê-la na hora de contratar a responsável pela merenda das escolas e creches do município. Assim, o total bloqueado foi de R$ 3,6 milhões.

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Veja fotos da operação

A investigação sobre o caso de corrupção revelado pela operação Sentinela resultou no bloqueio de R$ 779 mil do grupo Orcali, dos dois servidores suspeitos e de três empresários. Em 2023, a empresa contratada para fazer a segurança nas escolas e creches após o ataque na Cantinho Bom Pastor teria recebido informações sigilosas dos valores das concorrentes e, assim, ofereceu a melhor proposta, assumindo o serviço milionário.

Dos R$ 56 milhões totais, a estimativa é que a propina paga aos agentes públicos tenha sido de R$ 2,8 milhões. Destes, o Ministério Público conseguiu provas de mais de R$ 700 mil movimentados e, por isso, a Justiça autorizou o bloqueio desse valor.

O que diz a Risotolândia

A Risotolândia disse que, “até o presente momento, não teve acesso integral aos autos da investigação, razão pela qual qualquer manifestação sobre fatos específicos deve observar a necessária cautela e responsabilidade institucional. Desde a ciência da operação, a empresa permanece à inteira disposição das autoridades competentes, colaborando prontamente com todas as solicitações formuladas e reafirmando seu compromisso com a transparência e a plena apuração dos fatos”.

A empresa afirmou ainda ter adotado “medidas cabíveis para obtenção de acesso formal ao conteúdo integral do procedimento investigatório. Após a análise técnica e detalhada dos documentos constantes dos autos, a empresa poderá apresentar esclarecimentos adicionais e posicionamentos complementares, sempre pautados pela precisão das informações, pelo respeito às instituições e pela observância do devido processo legal”.

Por fim, frisou que “a existência de investigação em curso não representa conclusão definitiva quanto a fatos, responsabilidades ou eventual culpabilidade, circunstância que somente pode ser estabelecida após a devida apuração pelas autoridades competentes, com garantia plena do contraditório e da ampla defesa”.

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O que diz a Orcali

“A empresa informa que tomou conhecimento das informações divulgadas publicamente acerca da investigação conduzida pelas autoridades competentes relacionada a contratos públicos de prestação de serviços”.

A organização esclarece que, até o presente momento, não possui acesso integral ao conteúdo do procedimento investigatório e, por essa razão, acompanha o tema com responsabilidade, cautela e absoluto respeito ao devido processo legal.

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A empresa permanece à disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos que eventualmente sejam necessários, reafirmando seu compromisso permanente com a ética, a integridade, a transparência e a conformidade em todas as suas operações.

As atividades da empresa seguem ocorrendo normalmente, sem qualquer impacto na continuidade da prestação dos serviços aos seus clientes”.

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“A Orcali se manifestará oportunamente acerca dos fatos mencionados, tão logo tenha acesso aos autos e aos elementos necessários para o adequado entendimento da investigação”.