Casado com PL, Bolsonaro tira a fantasia de presidente antissistema

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Presidente Jair Bolsonaro com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto (Foto: Reprodução, PL)

Contrariando as expectativas de que empurrasse para 2022 a decisão sobre o partido pelo qual disputará a reeleição, o presidente Jair Bolsonaro casou de papel passado com o PL nesta terça-feira (30), e selou seu retorno ao Centrão. Retorno porque, desde 1988, quando debutou na política como vereador no Rio de Janeiro, o presidente passou por oito partidos diferentes. Alguns deles, notórios integrantes do centro fisiológico do Congresso Nacional.

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Apesar disso, o presidente teve talento suficiente – impulsionado pelas redes sociais – para fazer colar em si mesmo o rótulo de “outsider”, de antissistema, quando disputou o governo em 2018. É desse selo que ele abre mão, oficialmente, ao abraçar o PL de Valdemar Costa Neto.

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Bolsonaro conhece o terreno onde pisa e calculou os riscos. Quer tempo de TV, fundo partidário, apoio evangélico. Tudo isso vem no trato nupcial com o PL. O desgaste vindo de apoiadores nas redes sociais é dano colateral – mas o presidente já cometeu equívocos suficientes, com a caneta na mão, para saber que pelo menos 20% do eleitorado é fiel o bastante para relevar esse reposicionamento de marca.

Se Bolsonaro ganha de um lado, o PL, que cedeu espaços para acomodar demandas do presidente – como na disputa pelo governo de São Paulo – também terá suas vantagens. Levará o número de Bolsonaro na urna e infla seus quadros, desde já, com as transferências de parlamentares bolsonaristas que disputarão as eleições no ano que vem. SC é um dos estados onde a migração deverá ser acentuada. A tendência é que o partido ganhe espaço e capilaridade, um ativo importante.

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Caso Bolsonaro não consiga se reeleger no ano que vem, a união de conveniência deve terminar em divórcio. O que se sabe desde já é que como um bom e velho representante do Centrão, mais cedo ou mais o PL tarde estará no governo. Esteja Bolsonaro reeleito, ou não.

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