Ondas da Tempestade Potira são risco até para navios gigantes; entenda por quê

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Ondas no costão Norte em Itapema durante passagem da Tempestade Potira em SC (Foto: Luiz Carlos Souza)

A tempestade subtropical Potira tem provocado ondas mais altas que o comum no Litoral de Santa Catarina, e afeta a navegação marítima. Os portos de Itajaí e Navegantes, por exemplo, seguem fechados nesta sexta-feira, pelo terceiro dia consecutivo. O fenômeno também levou ao fechamento do Porto de Paranaguá (PR) e o Porto de Santos (SP) trabalha com restrições. 

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Parece lógico que ondas grandes, com 3,5 metros – como as que estão ao longo da nossa costa nesses últimos dias – aumentem o risco de acidentes com pequenas embarcações, como as de lazer e de pesca industrial. Mas o que intriga muita gente é como as ondas podem afetar navios cargueiros, que são gigantescas estruturas de aço. 

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Os que atracam nos portos de SC, por exemplo, têm mais de 300 metros de comprimento. Para explicar como eles são afetados pela ondulação, a coluna contou com a ajuda de dois especialistas no setor, o diretor de Operações e Logística do Porto de Itajaí, Heder Moritz, e o prático Alexandre Gonçalves da Rocha.

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Tamanho e espaçamento

Dois fatores são levados em conta para estabelecer as condições de manobra dos navios, no que diz respeito às ondas. Heder Moritz explica que não importa somente a altura da ondulação, mas também o espaçamento entre uma onda e outra.

– Se houver uma onda em cima da outra, isso afeta a segurança.

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Cada porto tem seus parâmetros de operação. No Complexo Portuário do Itajaí-Açu, que precisou ser fechado devido à tempestade subtropical Potira, é possível manobrar navios com ondas de até dois metros de altura.

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Risco de bater no fundo

O balanço dos navios, causado pela ondulação, potencializa os riscos de que o casco da embarcação bata no fundo do mar. Isso pode causar uma avaria na estrutura, ou mesmo desgovernar o navio e levar ao encalhe.

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O prático Alexandre Gonçalves da Rocha explica que, quanto maior e mais pesado o navio, maiores as chances de problemas quando a embarcação encontra ondas grandes.

– A cada grau de balanço, aumenta o calado (parte submersa) do navio em cerca de 40 centímetros. Então, um navio balançando 10 graus tem um aumento de 4 metros de calado.

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Ele explica que, no acesso aos portos de Itajaí e Navegantes, o calado – profundidade – é de 14,5 metros. Um navio que navega com 11 metros de casco submerso, passa para 13 metros sob a água com apenas cinco graus a mais de inclinação.

– O navio balança de um lado para o outro quando o mar está muito agitado e com ondas longas (como ocorre agora), com 250 a 300 metros de comprimento. São muito maiores do que a boca do navio. Quanto mais largo (o navio), maior a chance de tocar no fundo, sobretudo se estiver pesado.

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Perigo para a praticagem

Os práticos, que manobram os navios, precisam de condições mínimas de segurança para acessar a cabine. Os profissionais sobem nas embarcações ao largo, em alto-mar. Chegam até o navio em barcos pequenos, que se aproximam e permitem que o prático escale o casco do cargueiro, usando uma escada que faz parte da estrutura do navio. Se há muita ondulação, essa manobra é perigosa.

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– A agitação marítima está maior naquela área e isso pode causar um acidente, atentar contra a vida do prático, fazer com que ele perca o equilíbrio. Por isso existe o fechamento de barra quando há alteração no mar ou ressaca – diz Heder Moritz.

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Prejuízo financeiro

Insistir em manobrar mesmo em más condições pode resultar na perda de cargas e em um prejuízo incalculável para importadores e exportadores. No ano passado, por exemplo, um navio que navegava pelo Pacífico, entre os EUA e a China, derrubou no mar mais de 1,8 mil contêineres durante uma tempestade. Outros foram danificados ao baterem uns contra os outros – o que resultou em cargas avariadas. 

Para um modal que transporta mercadoras de alto valor agregado, essa insistência pode custar alguns milhões de dólares.

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No Brasil, quem decide sobre abertura ou fechamento da barra, ou seja, do acesso aos portos, é a Marinha. A determinação é feita de acordo com os parâmetros informados pela praticagem.

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