Após dois dias e meio de agenda intensiva de reuniões em Washington, o grupo de senadores encerrou os trabalhos com uma entrevista coletiva sobre a missão. Representante de Santa Catarina, o senador Esperidião Amin (PP-SC) avaliou que o objetivo de “azeitar” a relação com parlamentares dos EUA foi alcançado e destacou impactos de setores econômicos de SC que serão afetados pelo tarifaço como equipamentos elétricos da multinacional WEG, de Jaraguá do Sul, e produtos de madeira. Por isso, o clamor continua sendo postergar o prazo para a nova tarifa. Ele também falou de projeto de lei que apresentou sobre Big Techs, um tema de interesse dos Estados Unidos.
– Estamos criando a consciência de que isso que pode acontecer, e talvez aconteça a partir de 1º de agosto (o tarifaço) é um perde-perde sem inteligência, com nenhum proveito. Ouvimos, agora, na reunião anterior, que um transformador, casualmente, especialidade de uma empresa que tem sede em Santa Catarina, a WEG, que vai ser entregue em 2027, que são transformadores imensos, que requerem aqueles caminhões com 32 eixos, vai receber 50% de tarifa a partir de 1º de agosto. Ou seja, o vendedor talvez perca o negócio, e o comprador perca a viabilidade do seu negócio. Então, o nosso clamor para que haja prorrogação nesse prazo, que é um prazo absurdo, ganhou eco em todos – afirmou Esperidião Amin.
De acordo com ele, todos os empresários com os quais conversou e segue conversando, inclusive os da Câmara de Comércio dos Estados Unidos, concordam que, ao anunciar uma tarifa para entrar em vigor em 20 dias, é realmente uma decisão de quem não quer negociação.
Conforme o senador catarinense, uma das lições de casa feita pelo grupo foi analisar as economias de cada estado dos parlamentares que os receberam nos EUA, para informar sobre impactos econômicos que terão diante da tarifa de 50%.
Um parlamentar do estado do Novo México confirmou que o preço da madeira para construção já está aumentando. Amin informou a ele que essa madeira, provavelmente, é a exportada por Santa Catarina.
Os senadores também informaram que as grandes empresas brasileiras que têm mais negócios com os Estados Unidos, estão com presença permanente em Washington para articular a defesa dos seus interesses. As principais são a JBS, Embraer e WEG.
Os senadores também foram questionados sobre o ambiente regulatório para as Big Techs, tema de interesse dos Estados Unidos. Esperidião Amin informou que já está tramitando no Senado Federal projeto dele que tenta reduzir o impacto da decisão do Supremo Tribunal Federal, que passou a dispensar decisão judicial prévia para a remoção de mensagens em plataforma.
Além disso, ele disse que outros projetos também tramitam no Congresso com o objetivo de reduzir censura prévia na internet.
Leia também
Tarifaço impõe a SC segunda maior queda no PIB e quarta maior perda financeira, diz CNI
Mulheres contam por que querem ser piloto na aviação comercial
Senadores tentam a ajuda de Bush para adiar o tarifaço
Tarifaço atinge quase mil empresas de SC, Fiesc inicia pesquisa e envia pleitos ao estado
WEG diz que cenário ainda é de incertezas e que pode realocar rotas de exportações aos EUA
