Temas estratégicos do presente e do futuro estão em debate na reunião anual dos conselhos do Fórum Econômico Mundial, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, na qual participa a engenheira catarinense Alexandra Augusta Pereira Klen, integrante do Conselho Global de Manufatura Avançada e Cadeias de Valor da instituição. Ela destaca que no primeiro dia, quarta-feira (15), os debates envolveram relação Estados Unidos e China, cibersegurança e o futuro do trabalho.
Única representante do Brasil e América Latina no conselho de manufatura, Alexandra Klen observou que existe uma atenção constante sobre as dinâmicas entre Estados Unidos e China. O tema permeia várias conversas, muitas de forma implícita, o que mostra uma preocupação real com os rumos dessa relação e seus impactos na economia e na governança global.
Veja imagens do evento em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos:
– Os efeitos da geopolítica já são sentidos atualmente e tendem a desempenhar um papel cada vez mais determinante na reconfiguração das cadeias globais de valor. Vejo os Estados Unidos e China como forças complementares em um mesmo tabuleiro: potências que, apesar das diferenças, compartilham responsabilidades inescapáveis num mundo profundamente interdependente. Todos habitamos o mesmo planeta e nossas decisões ecoam globalmente. A transformação do “ego”-sistêmico para o “eco”-sistêmico é urgente – analisa a conselheira.
Alexandra Klen também participou no primeiro dia do evento de um Output Lab voltado à próxima edição do Future of Jobs Report, uma das publicações mais conhecidas do Fórum Econômico Mundial.
– Exploramos quatro cenários possíveis para o futuro do trabalho, a partir de dois eixos principais: o ritmo de avanço da inteligência artificial (incremental ou exponencial) e o panorama de talentos (escassez ou abundância). Foi um exercício provocador, especialmente ao refletir sobre o desenvolvimento de habilidades capazes de sustentar a competitividade industrial e promover inclusão social nos próximos anos – observou Alexandra Klen.
Ela revela que tem um interesse especial nesse tema do trabalho porque presta consultorias para indústrias e é colaboradora do Instituto Cidades Invisíveis, de Florianópolis, que tem foco na questão do emprego e renda. Graduada em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Alexandra Klen tem pós-doutorado na Alemanha e foi pesquisadora naquele país.
Cibersegurança em evidência
A cibersegurança é um dos grandes temas do encontro. Por isso contou até com a realização paralela do Annual Meeting on Cybersecurity durante a reunião dos conselhos.
Pelas abordagens apresentadas, a representante brasileira destaca que a segurança digital deixou de ser um tema restrito à área de tecnologia e passou a ser uma preocupação transversal, que atravessa todos os setores.
– Em um mundo onde o ciberespaço se torna cada vez mais onipresente, proteger dados, sistemas e infraestruturas significa proteger também a confiança, a inovação e a própria competitividade. Nesse contexto, recebi um convite muito gentil do Global Future Council on Cybersecurity para explorarmos interseções entre nossos temas – afirmou Alexandra Klen.
Ela avalia que existe, de fato, amplo espaço para sinergias entre manufatura avançada e cibersegurança – dois pilares fundamentais da nova economia industrial.
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