Desde que as tarifas recíprocas adotadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, entraram em vigor, elas estão sendo aplicadas nas importações brasileiras. Mas, até o momento, empresas operadoras de comércio exterior e indústrias exportadoras não tiveram pedidos de importadores para fazer compras maiores ou menores em função das novas taxações. Estão em vigor as tarifas de 10% para produtos em geral, com um grupo de exceções, mais a tarifa de 25% para aço, alumínio, automóveis, autopeças e componentes eletrônicos de veículos.
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Essas informações foram confirmadas pelo empresário Juliano Colombo, sócio e diretor de Exportações da ES Logistic, empresa de Itajaí que é a segunda maior do Brasil em movimentação de contêineres e presta serviços para muitas indústrias que vendem aos Estados Unidos. Tradicionais indústrias de componentes do Norte de SC também ainda não tiveram propostas de mudanças de contrato em função das novas tarifas.

Lideranças do setor exportador e do setor de logística internacional participam do Meeting Comex, evento internacional sobre comércio exterior realizado pela Associação Empresarial de Joinville (Acij) que abriu nesta terça-feira e se encerra hoje, na Expoville, com a participação de 2,5 mil pessoas.
– Desde sábado (05) está sendo arrecadado o imposto de importação de 10% que é para o governo dos EUA. Estão sendo taxadas todas as mercadorias que chegam aos portos americanos, menos as que foram incluídas em lista de exceção, na qual estão as madeiras, ou as outras que têm tarifas diferentes – observa o empresário Juliano Colombo.
Entre os itens que estão sendo taxados em 10% estão revestimentos cerâmicos e têxteis. As madeiras e móveis seguem entrando com alíquota zero até a definição do governo dos EUA, que está realizando um estudo.
Apesar dos custos 10% ou 25% maiores, os operadores de comércio exterior veem oportunidades para aumentar presença lá fora porque outros países enfrentam tarifas maiores. Juliano Colombo observa que, no caso das cerâmicas de revestimentos, todos os grandes concorrentes do Brasil estão com taxas superiores para entrar nos EUA. Os maiores produtores são a China, Índica, Itália e Espanha.
A empresária Carla Pinheiro, sócia e diretora da Unique Consultoria Aduaneira, de Joinville, e acionista de outros negócios de logística, avalia que esse tarifaço dos Estados Unidos abre muitas oportunidades para empresas brasileiras ampliarem participação tanto no mercado dos EUA quanto em outros mercados.
– Acho que esta é uma oportunidade de as empresas brasileiras expandirem horizontes, focar em novos negócios, em novos mercados nos Estados Unidos e em outras regiões. Isso porque o mundo é muito grande e o comércio exterior está em muitos locais – destaca Carla Pinheiro.
Segundo ela, as empresas podem buscar maior participação com apoio de canais já existentes como os do governo federal ou tomar iniciativas próprias. Entre as regiões com mais oportunidades além dos EUA estão a América Latina e Europa, avalia a empresária.
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