Falta de monitores multiparamétricos impede novos leitos de UTI em Florianópolis

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Um leito de UTI requer um conjunto de equipamentos básicos (Foto: Secad)

Iniciei minha carreira nas comunicações em meados dos anos 60 numa emissora de rádio. Naquela época, eram raros os cursos de formação de jornalistas, o que levava os iniciantes a aprender quase tudo com os mais experientes, com seus entrevistados e com seus próprios erros. Muito embora relembre, com carinho, respeito e gratidão, dos meus primeiros mestres no rádio – alguns vivos e lúcidos até hoje -, meus entrevistados foram os que mais me ensinaram. Estimulados pelo entusiasmo na busca por fazer melhor e evoluir, aprendi desde cedo que elaborar uma boa pergunta é muito mais difícil, do que oferecer uma boa resposta.

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Dito isso, faço uma breve avaliação do trabalho que estamos desenvolvendo durante a pandemia do coronavírus.

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Entrei em home-office no dia 19 de março, portanto, há 113 dias e o que mais tenho procurado fazer tanto na CBN Diário, como no Jornal do Almoço da NSC TV é refletir sobre o que meus entrevistados dizem, sobre o que os demais entrevistados argumentam com meus colegas e principalmente relacionar a coerência das atitudes entre o que falam e o que fazem os entrevistados. A curva dessa coerência é que lhe dá credibilidade. Isso também vale para os jornalistas.

Lembro-me que, lá no início do isolamento, um vídeo quase caseiro feito na República Tcheca chegou ao Brasil e nele uma jovem comentava a importância do uso da máscara na diminuição da transmissão do coronavírus. Trouxe a notícia na CBN Diário e recebi um alerta para agir com cuidado, pois tal proposição não tinha o aval de nenhuma fonte “oficial”.

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Compreendi, já que por correta orientação de nossos coordenadores, divulgávamos e continuamos divulgando nessa longa e cansativa cobertura dia-pós-dia apenas informações com origem segura, de fontes confiáveis e com sustentação científica responsável.

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Mesmo assim, quando sou atingido por uma ideia, independente de sua origem, trato o argumento como uma boa provocação. Assim é que, além daquele vídeo da República Tcheca, chegou outro de Hong Kong na mesma linha. Ambos me pareceram muito provocativos, com ponderações lógicas, seguras e embasadas em estatísticas contra as quais não havia como se contrapor.

Retomei na CBN Diário o questionamento pelo uso das máscaras e aos poucos percebi que o mundo todo estava caminhando naquela direção. Hoje, a máscara, é instrumento básico essencial a qualquer exposição extra residencial para ajudar a diminuir a possibilidade de transmissão do terrível vírus.

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Do mesmo modo, venho tratando a necessidade de ação e decisão ÚNICAS e em conjunto por cidades conurbadas no enfrentamento da crise, por exemplo, Florianópolis, São José, Palhoça, Biguaçu, São Pedro de Alcântara, Santo Amaro da Imperatriz e Antônio Carlos. Demorou muito para que as autoridades percebessem que, pouco ou nada adianta a tomada de posição severa de um, com a manutenção da liberação por outro município.

Cobrei, sempre que possível, dos meus entrevistados, essa ação de bom senso que finalmente começa a ser tomada.

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Por último, ouvi a palavra – RESPIRADORES – tantas e tantas vezes, mesmo antes da chegada do coronavírus em nosso país, que conclui a impossibilidade de se montar uma UTI sem ter uma dessas máquinas fundamentais na manutenção da vida.

Mas ao entrevistar, na manhã dessa quinta feira (9), na CBN Diário, o Dr. Carlos Alberto Justo da Silva, secretário municipal de Saúde de Florianópolis, quase entrei em pânico ao ouvi-lo afirmar que pelo menos mais 35 leitos de UTI estão impossibilitados de serem liberados na capital por falta, entre outras necessidades, de Monitores Multiparamétricos.

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Monitores Multiparamétricos??!!?

Por mais estranho que o nome proponha, esse equipamento monitora o estado clínico e aponta fatores de risco dentro da UTI, a partir da identificação contínua da aceleração ou desaceleração dos batimentos cardíacos. Além do monitoramento cardíaco, a máquina controla a queda e a saturação do oxigênio, além de alterações na pressão arterial e temperatura.

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Mas, foi essa a primeira vez que ouvi o nome desse equipamento em toda a cobertura da pandemia. O fato é que sem ele não há como oferecer um novo leito de UTI. Falou-se tanto em respiradores e em momento algum (eu pelo menos não ouvi) se falou em Monitores Multiparamétricos. E o que é mais grave, muitos pacientes que vão para uma UTI não necessariamente vão precisar de um Respirador, mas todos obrigatoriamente dependerão de um Monitor Multiparamétrico ao seu lado. E, pasmem, segundo o dr. Paraná, hoje não existe essa máquina disponível para compra no Brasil.

Na internet o custo de um monitor varia de R$ 6 mil a R$ 20 mil por unidade. Imagino que, em maior quantidade, esse custo possa baixar. Essa é a lógica que se contrapõe a “lei da oferta e da procura”, mas nem sempre supera interesses sórdidos que envolvem eventualmente, o uso indevido de dinheiro público em tempos terríveis de emergência ou calamidade pública.

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Agora, depois das máscaras, das cidades conurbadas tomando decisões conjuntas, agrego mais um tema para nossa cobrança diária: Monitores Multiparamétricos.

Esse é mais um capítulo de uma história que deixará marcas profundas em nossa sociedade… se sobrevivermos a essa pandemia.

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Que Deus nos proteja.