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Bolsonaro deu tiro no próprio pé

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Por Ânderson Silva
09/09/2021 - 06h00 - Atualizada em: 09/09/2021 - 11h18
Presidente da República, Jair Bolsonaro
Presidente da República, Jair Bolsonaro (Foto: Isac Nóbrega/PR)

A ideia era mobilizar um apoio nas ruas para fazer frente ao Supremo Tribunal Federal (STF). Mas o que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) conseguiu com os protestos de 7 de setembro foi construir um cenário contra o seu próprio governo. A principal demonstração disso é a paralisação de caminhoneiros bolsonaristas. Em poucas horas desta quarta-feira (9), os efeitos eram sentidos em várias partes do país, mas principalmente em Santa Catarina, onde Bolsonaro tem um dos seus principais redutos. As pessoas correram para postos de combustíveis e supermercados com medo do desabastecimento.

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Com o fechamento das estradas e de pontos de distribuição de combustíveis, o Brasil revive o cenário da greve dos caminhoneiros de 2018. Naquele momento, entretanto, as pautas tinham apoio da população porque tratavam do alto preço do diesel, por exemplo. Dessa vez, os motoristas ostentam discursos como o pedido pelo voto impresso e a destituição dos ministro do STF, que é um ato antidemocrático.

O problema para Bolsonaro é que as paralisações atingem de forma direta a economia. Muitas empresas de distribuição tiveram que suspender entregas por conta do temor de ficarem trancadas nas estradas. Ao mesmo tempo, correram pelo país magens de caminhoneiros sendo coagidos a estacionar nas paralisações. O movimento iniciado por Bolsonaro no 7 de setembro saiu do seu próprio controle e começa a atingir com força o governo federal.

Prova maior de que o presidente da República sentiu que o tiro no próprio pé havia acontecido foi o áudio divulgado por ele para que as estradas fossem liberadas. Até mesmo o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes Freitas, precisou vir à tona em um vídeo para reforçar o pedido.

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Bolsonaro está consciente de que a paralisação traz danos incalculáveis para a economia, com efeitos ainda piores para os seus planos eleitorais de 2022. O presidente insuflou um movimento que fugiu do seu controle e acabou o arrastando para uma dor de cabeça capaz de gerar mais danos a sua imagem um ano antes da tentativa de reeleição.

A única alternativa tornou-se desmobilizar os apoiadores da causa, mas mesmo assim o estrago está feito. Ao invés de se fortalecer com o 7 de Setembro, o que o presidente conseguiu foi um clima político ainda mais difícil e um impacto negativo na vida dos brasileiros.

Veja a análise em vídeo:

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Colunista da NSC Comunicação, publica diariamente informações relevantes sobre as decisões que impactam o catarinense, sem esquecer dos bastidores dos poderes. A rotina de Florianópolis em texto e imagens também está no radar da coluna.

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