Tudo isso em menos de uma semana. Uma jovem de 23 anos morre sob o calor infernal do Engenhão, no Rio de Janeiro, durante o show da cantora Taylor Swift. De acordo com laudos preliminares, a estudante de Psicologia Ana Clara Benevides não resistiu ao excesso de exposição ao calorão. Naquela sexta-feira, acreditem, era proibido entrar no estádio com copinhos ou garrafas de água lacrados.

Continua depois da publicidade

Siga as notícias do NSC Total pelo Google Notícias

Dias depois, no Maracanã lotado, policiais militares atacam torcedores argentinos antes de o jogo de futebol começar. Ali presentes para zelar pela segurança e tentar apaziguar a acalorada situação, os PMs optaram pela saída tradicional: a truculência. Brucutus despreparados e babando de raiva, encurralaram as pessoas e desceram a porrada. Cenas lamentáveis vistas por todo o planeta.

Em ambos os casos chamam a atenção a mais completa irresponsabilidade, a falta de civilidade, a ausência de sensibilidade, a desumanização. Todos sabiam que o tempo estaria muito quente naquela sexta-feira fatídica. Como não cuidar daquela garotada desde muito cedo no estádio, ávida por água e pelas músicas da cantora americana? Todos sabiam que não é boa ideia ignorar a extrema rivalidade e juntar torcedores brasileiros e argentinos num mesmo espaço, seja onde for. De quem são as cabeças brilhantes que chegaram à conclusão de que isso poderia dar certo naquela noite desastrosa no Maracanã?

Leia outras colunas de César Seabra

Continua depois da publicidade

Era para ser uma festa bonita – adolescentes e jovens de todo o país com o desejo de reverenciar Taylor Swift. Era para ser uma despedida inesquecível – provavelmente o último jogo do genial Messi no estádio mais famoso do mundo. Um virou tragédia – sonhos despedaçados, uma família desmantelada. O outro, uma selvagem covardia – com até mães e crianças no colo fugindo dos porretes de policiais selvagens.

Como diz o amigo Jamari França, no Brasil “coloca-se a tranca depois do portão arrombado”. Gostamos de flertar com o perigo e o desrespeito à vida. Sempre foi, sempre será assim. A sensação é de que estamos vivendo num país cujo nome fictício poderia ser “Sete a Um”. Mas o pior é saber que a desumanização já contaminou boa parte da população deste país real. A luz é muito débil no fim do túnel.

Abel Ferreira recebe proposta para ser o técnico mais bem pago do mundo, diz jornal

Quando o tudo é nada – ou vice-versa

Para quem ama futebol, é completamente tóxico acompanhar a atual Seleção Brasileira. Sem laterais, sem camisa 10, sem artilheiro, sem padrão tático, sem qualidade técnica, sem treinador dentro de campo, sem comando fora de campo. Tudo é nada nesta seleção, ou vice-versa. Um time de quinta prateleira que, sem merecimento, usa a pesada camisa pentacampeã mundial.

Morre ex-técnico Rubens Minelli, que foi quatro vezes campeão brasileiro

Leituras, leituras, leituras, leituras…

Falta pouco para o ano acabar e já compartilho três das melhores leituras de 2023:

Continua depois da publicidade

  1. “Mata Doce”, obra-prima da baiana Luciany Aparecida (editora Alfaguara);
  2. “Paraíso”, do tanzaniano Nobel da Literatura Abdulrazak Gurnah (editora Companhia das Letras);
  3. “A Mais Recôndita Memória dos Homens”, do senegalês Mohamed Mbougar Sarr (editora Fósforo).

Federação acerta transmissões gratuitas para 100% dos jogos do Catarinense 2024

Pra refletir:

“Vivemos em um mundo que constantemente nos distrai de nós mesmos, promovendo uma exteriorização persistente, como se a vida fosse eterno verão, negando a existência do inverno emocional”.

Rossandro Klinjey, psicólogo e escritor

A abertura para a percepção do diferente, como não sendo exclusivamente exótico, é um passo para aquilo que chamávamos de acolhimento da empatia. Porque a empatia diminui o sofrimento”.

Mário Sérgio Cortella, filósofo e escritor

Leia também

GPTW premia as melhores empresas para trabalhar em SC; veja lista

Continua depois da publicidade

Canoinhas tem chuva do mês inteiro em duas horas e ruas ficam alagadas

Perdas na agricultura de Rio do Sul chegam a R$ 9,1 milhões após seis enchentes em 2023

Destaques do NSC Total