Em entrevista ao Jornal Nacional na noite de quinta-feira (25), o ex-presidente Lula (PT) evitou se comprometer em utilizar a lista tríplice como critério para a escolha do próximo Procurador Geral da República (PGR). A fala contradiz afirmação que ele fez em agosto do ano passado em entrevista à NSC, quando se preparava para disputar a eleição. Na ocasião, Lula disse que manteria a lista como critério para escolha do PGR:

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– Se eu voltar a ser Presidente da República, vou escolher o primeiro da lista para reitor e para procurador. Não tenho que indicar um amigo meu.

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Ao Jornal Nacional, Lula foi reticente. Desde que o período eleitoral se aproximou, o ex-presidente tem evitado “cravar” sua posição sobre a escolha do PGR caso seja eleito.

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– Eu quero que eles fiquem com uma pulguinha atrás da orelha. Eu não quero definir o que eu vou fazer agora. Primeiro, eu tenho que ganhar as eleições – disse Lula, ao ser questionado por Renata Vasconcelos.

A tradição de nomear o primeiro da lista foi iniciada por Lula, em 2003, e mantida nos governos Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (MDB) – mas acabou sendo interrompida pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), que indicou duas vezes o nome de Augusto Aras, fora da lista dos mais votados. Aras é conhecido por blindar o governo Bolsonaro contra investigações.

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Analistas já avaliavam que o desgaste sofrido pelo ex-presidente Lula com abusos cometidos pela Operação Lava Jato, reconhecidos pelo STF, poderia levá-lo a mudar de estratégia em relação à nomeação do PGR. Lula não explicou, no Jornal Nacional, que outro critério pode adotar para escolher o novo Procurador Geral se for eleito. Mas disse que não serão questões pessoais.

– Uma queixa que eu tenho da Lava Jato é que eles quase jogam o nome do Ministério Público na lama, porque houve muitos equívocos e muitas aberrações. Não quero um procurador leal a mim. Quero um procurador leal ao povo brasileiro. À instituição.

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A performance de Lula foi bem avaliada por aliados. A análise é de que o ex-presidente conseguiu responder aos temas mais espinhosos, como corrupção, e falar com clareza. Tranquilo, Lula soube aproveitar os questionamentos para inserir os temas que têm pautado a campanha – especialmente a economia. 

A última entrevista ao Jornal Nacional é de Simone Tebet (MDB), nesta sexta-feira (26). 

Ouça a entrevista de Lula a NSC:

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