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Entrevista

Lula diz que não teme polarização: "O povo vai ter que escolher entre a democracia e o fascismo"

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Por Dagmara Spautz
13/08/2021 - 09h46 - Atualizada em: 13/08/2021 - 11h19
Presidente Lula
Presidente Lula (Foto: Ricardo Stuckert, Divulgação)

O ex-presidente Lula (PT) disse na manhã desta sexta-feira (13) que não acredita que a polarização prevista para as eleições de 2022 seja um problema para o Brasil. Ele admitiu que o PT cometeu erros, que precisam ser revistos para a próxima campanha eleitoral. Pré-candidato à presidência da República, Lula concedeu entrevista à CBN Diário e ao Diário Catarinense.

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- As pessoas não têm que ter medo da polarização. O povo vai ter que escolher entre a democracia e o fascimo - afirmou.

De sua casa, em São Bernardo do Campo (SP), o ex-presidente falou pela primeira vez a Santa Catarina desde 2018, quando passou pelo Estado no período que antecedeu sua prisão. O momento é outro: com as condenações anuladas e novamente elegível, Lula lidera as pesquisas eleitorais. 

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O ex-presidente afirmou que as últimas eleições foram uma "anomalia", e disse acreditar que é possível para o PT recuperar o patrimônio eleitoral no Estado. Santa Catarina, que hoje é um dos estados mais bolsonaristas do país, já deu importantes vitórias para Lula - em 2002, o presidente teve votação suficiente no Estado para levar as eleições no primeiro turno.

Na entrevista, Lula reconheceu que o partido errou e se disse disposto a revisar o passado.

- O PT está colhendo em Santa Catarina o resultado dos erros que cometeu. Acho que o PT deve ter cometido muito erros, e eu devo ter cometido muitos erros também. Como nós vamos entrar numa outra eleição, num outro momento político, não custa nada a gente avaliar o que que fizemos de certo, e o que fizemos de errado.

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Lula criticou o presidente Jair Bolsonaro, a quem acusou de não ter "compromisso com a verdade". O ex-presidente citou a condução da pandemia, afirmando que foi minimizada pelo governo. Também citou a última visita de Bolsonaro ao Estado, no fim de semana, quando ele esteve em Jonville e Florianópolis. 

- Eu soube que a última vez que o presidente foi aí foi para entregar dois caminhões. Dois caminhões para o Corpo de Bombeiros. Ou seja, por falta do que fazer o presidente faz uma viagem para entregar dois caminhões de bombeiro.

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O ex-presidente disse que o PT votaria a favor de um processo de impeachment de Bolsonaro no Congresso Nacional - mas evitou uma defesa mais enfática do processo de impedimento. Questionado se prefere que Bolsonaro termine o mandato para enfrentá-lo nas urnas, Lula desconversou:

- Eu não escolho candidato, não escolho adversário. As pesquisas mostram que eu estou na frente. Quem tem que falar sobre impeachment é o presidente da Câmara, ele recebeu mais de 150 pedidos e não botou em votação.

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Lava Jato

Lula citou duas vezes a força-tarefa da Operação Lava Jato, que resultou em sua prisão em 2018 - o que o impediu de concorrer nas últimas eleições contra Bolsonaro. A primeira, quando questionado pelo colega Anderson Silva sobre as denúncias de corrupção que envolveram o Partido dos Trabalhadores. A segunda, ao responder a mim sobre sua postura em relação a nomeações importantes, como a do Procurador Geral da República (PGR), se for eleito.

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- Quando fui prestar o primeiro depoimento, e foi transmitido isso, eu disse (ao Moro): você está condenado a me condenar, porque a mentira já foi longe demais e eu vou provar que é mentira. Depois da decisão da Suprema Corte, eu não venho efetivamente que provar mais nada. A força-tarefa da Lava Jato em Curitiba virou uma quadrilha, criando um fundo especial de R$ 2,5 bilhões pagos pela Petrobras a pedido dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, o Moro julgou de forma equivocada e mentirosa - afirmou.

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Sobre as nomeações, o ex-presidente disse que, se voltar ao governo, não tem intenção de mudar a tradição, iniciada por ele, de indicar o primeiro nome das listas tríplices. Analistas indicam que Lula estaria inclinado a escolher nomes mais alinhados, a exemplo do que tem feito Jair Bolsonaro. 

- Se eu voltar a ser Presidente da República, vou escolher o primeiro da lista para reitor e para procurador. Não tenho que indicar um amigo meu - disse.

Apesar de falar como pré-candidato, o ex-presidente disse que não decidiu ainda, em definitivo, sobre concorrer à presidência. A escolha deve ocorrer até o início do ano que vem. Mas Lula refuta, desde já, a ideia de se afastar das eleições para articular um grupo alternativo, com outro nome à frente da chapa, par enfrentar Bolsonaro.

- Ainda não decidi, mas se for necessário, serei candidato. Primeiro, porque tenho condições de ganhar. Segundo, porque eu tenho um histórico, um legado nesse país que eu quero reconstruir, para mostrar que o Brasil pode fazer mais do que fez. 

As entrevistas com os presidenciáveis ocorrem de acordo com a agenda dos pré-candidatos. O ex-presidente Lula é o segundo a ser ouvido. Na quinta-feira, o DC e a CBN Diário entrevistaram o governador de São Paulo, Joao Doria (PSDB).

Ouça a entrevista completa:

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