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    Mensagens de Whatsapp inocentaram Moisés na compra dos respiradores, diz PF

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    Dagmara
    Por Dagmara Spautz
    14/04/2021 - 19h21 - Atualizada em: 14/04/2021 - 19h24
    Governador Carlos Moisés foi afastado em processo de impeachment que analisa responsabilidade na compra dos respiradores
    Governador Carlos Moisés foi afastado em processo de impeachment que analisa responsabilidade na compra dos respiradores (Foto: Secom SC)

    Mensagens trocadas pelo governador afastado Carlos Moisés (PSL), por aplicativo de mensagem, foram fundamentais para que ele fosse considerado inocente pela Polícia Federal no inquérito que apurou a compra dos respiradores em Santa Catarina. A informação consta no relatório do caso no Superior Tribunal de Justiça (STJ), ao qual o chefe de reportagem da NSC TV, Antônio Neto, teve acesso com exclusividade.

    “Muitos diálogos de Carlos Moisés com pessoas aparentemente próximas levam a crer em sua inocência” – afirma o documento da Polícia Federal, que foi produzido em Brasília.

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    A coluna contou com o apoio do editor Leonardo Thomé para a análise do material. Do que havia sido apreendido na Casa D`Agronômica, no dia 30 de setembro, apenas o celular do governador, um Iphone, foi analisado pela PF. O relatório afirma que o notebook e um HD externo, que também foram recolhidos em Florianópolis, não possuíam nenhuma informação relevante e por isso foram descartados.

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    No celular do governador, a Polícia Federal se debruçou sobre conversas no Whatsapp com o então secretário da Casa Civil, Douglas Borba, o presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-SC), Adircélio de Moraes Ferreira Junior, o assessor de comunicação Ricardo Dias e a troca de mensagens em um grupo denominado "Jurídico! Decisões!", do qual participavam o advogado Marcos Probst, o procurador Alisson de Bom de Souza e o empresário Amândio João da Silva Junior.

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    Moisés, que na época pouco falava em público sobre as investigações e evitava o assunto na imprensa, defendia-se internamente nas conversas. Foi o tom do governador, em falas privadas, o que parece ter convencido os investigadores. As falas de Moisés mostram que o governador acreditou na inocência de Douglas Borba e que se incomodava com a CPI dos Respiradores, que chamou de “circo”.

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    Inverdades e circo

    No dia 23 de junho do ano passado, um dos integrantes do grupo "Jurídico! Decisões!" compartilhou uma publicação de um deputado estadual, cujo nome não aparece. O texto acusa Moisés de saber da compra antecipada dos respiradores.

    O governador responde: "o deputado fala inverdades".

    Depois diz: "me acusa publicamente de envolvimento".

    Em outro momento, no mesmo dia, um dos integrantes compartilha o link de uma reportagem que diz que um depoente da CPI negou ter citado Moisés. Os outros integrantes do grupo comemoram – mas o governador só responde horas depois. Diz que estava recebendo amigos.

    - Boa noite amigos.

    - Só li agora

    - Estava recebendo amigos

    - Data venia: não tenho qualquer preocupação com esse circo

    - se eles quiserem mentir, vão se enrolar

    - A verdade SEMPRE aparece

    Carlos Moisés em conversa no grupo
    Carlos Moisés em conversa no grupo
    (Foto: )

    Confiança

    Das conversas com Douglas Borba, a Polícia Federal extrai mensagens do dia 6 de maio. Moisés cobra o ex-secretário por informação divulgada no Bom Dia Santa Catarina. O governador diz: "Ex-secretário da saúde. Coronel BM Helton foi espontaneamente a Policia Civil dar depoimento e disse que quem pediu a compra dos respiradores foi o secretário da Casa Civil Douglas Borba".

    Douglas responde: "será que o Helton faria isso?"

    "porque é mentira".

    Moisés retruca: posagora.

    Douglas diz: Quando eu digo que estão armando pra mim. Não faltava mais nada o Helton estar envolvido nisto!

    Dias depois, em 11 de maio, Douglas diz a Moisés que “a tese do MP é fantasiosa” e que vai provar sua inocência.

    Moisés responde: “Prove sua inocência. Confiamos em vc”.

    Conversa entre Moisés e Douglas Borba
    Conversa entre Moisés e Douglas Borba
    (Foto: )

    Tribunal de Contas

    A Polícia Federal separou conversas entre Moisés e o presidente do TCE, no dia 2 de abril. São falas que já vieram a público, em que Adircélio de Moraes fala ao governador sobre orientações para compras com pagamento antecipado.

    Oi, Governador! Hoje pretendo encaminhar o oficio a respeito do veto do PL que prorrogou o prazo de recolhimento do ICMS e a resposta à consulta sobre a possibilidade de pagamento antecipado das compras. Assim que concluir, encaminho por aqui também.

    O relatório ressalta que o documento foi enviado pelo presidente do TCE mais tarde, no mesmo dia. “Tendo em vista que o pagamento antecipado à VEIGAMED ocorreu em 02/04, conclui-se que este foi realizado sem a resposta oficial do TCE sobre o tema. Além disso, causa estranheza o fato de que tal consulta foi realizada concomitantemente à concretização do pagamento à VEIGAMED”, pontua a PF.

    Entrevista

    A PF também destacou uma conversa entre o governador e o jornalista Ricardo Dias, que respondia por sua assessoria de imprensa. No dia 1º de abril de 2020, um dia antes do pagamento dos R$ 33 milhões pelos respiradores, Moisés pede informações da Saúde para duas entrevistas que concederia no dia seguinte, ao meio-dia.

    Horas antes das entrevistas, às 9h30min, Ricardo Dias enviou a Moisés um documento em que constava a informação da compra dos 200 respiradores. Eram dados brutos, sem detalhamento. Para a Polícia Federal, é mais uma prova de que o governador não sabia detalhes sobre a aquisição:

    "Apesar de ter sido informado sobre os 200 ventiladores por meio desse documento, não há menção à forma que foi realizada a compra nem à forma de pagamento, e tampouco o Governador demonstra tal conhecimento", diz a PF.

    Informações repassadas por Ricardo Dias
    Informações repassadas por Ricardo Dias
    (Foto: )

    A conclusão do relatório afirma que não há indícios suficientes de que Moisés tenha participado da compra. A PF afirma, ainda, que “quanto à relação de Douglas Borba com Carlos Moisés, pode-se inferir dos diálogos que o Governador não tinha conhecimento de seu suposto envolvimento com a fraude em questão”.

    As informações coletadas pela polícia serviram como base para o pedido de arquivamento do inquérito pela subprocuradora Geral da República, Lindôra Araújo. Ela determinou a devolução dos materiais apreendidos ao governador Carlos Moisés.

    O caso dos respiradores é o foco do processo de impeachment que levou ao afastamento do governador, no mês passado. A expectativa é que o julgamento final do impedimento ocorra no mês que vem.

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