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Natália Pasternak na CPI: cientista disse à NSC que Kit Covid é medicina fantasiosa

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Por Dagmara Spautz
11/06/2021 - 08h38
Natália Pasternak, microbiologista, presidente do Instituto Questão de Ciência e pesquisadora do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, depõe hoje na CPI da Covid
Natália Pasternak, microbiologista, presidente do Instituto Questão de Ciência e pesquisadora do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, depõe hoje na CPI da Covid (Foto: Divulgação)

A doutora em microbiologia Natalia Pasternak, pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP), é uma das depoentes da CPI da Covid nesta sexta-feira (11). Em julho do ano passado, em entrevista exclusiva à coluna, ela classificou o uso de remédios do tratamento precoce como “medicina fantasiosa”, sem base científica.

Natalia Pasternak: coquetel de medicamentos com ivermectina é baseado em medicina fantasiosa

Além da cloroquina, Pasternak falou sobre a ivermectina, que começava a ser adotada como tratamento “preventivo” contra Covid-19 – outra prática que não encontra respaldo científico. Na época, algumas prefeituras adotaram a distribuição do vermífugo como estratégia de combate ao coronavírus.

A pesquisadora alertou para o risco de esses protocolos de medicamentos drenassem o dinheiro público em plena pandemia, quando há grande demanda de recursos para a saúde. Ela também alertou para o fato de que muitos médicos desconhecem com funcionam os medicamentos.

''Acho lamentável que as pessoas se iludam'', diz médica da Fiocruz sobre uso de ivermectina e cloroquina

“O médico não tem obrigação de ser cientista, mas tem obrigação de entender minimamente como funciona a ciência que deve embasar as condutas médicas”.

Natália Pasternak será ouvida pela CPI da Covid junto com o médico sanitarista Cláudio Maierovich, que coordena o Núcleo de Epidemiologia e Vigilância em Saúde da Fiocruz em Brasília.

Os requerimentos para ouvir os dois especialistas foram apresentados pelos senadores Renan Calheiros (MDB-AL), Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Humberto Costa (PT-PE) e Marcos do Val (Podemos-ES). Eles citaram, na justificativa, as condições que os dois cientistas têm para esclarecer qual teria sido a melhor forma de combater a pandemia no Brasil.

Relembre trechos da entrevista de Pasternak à NSC:

Kit Covid

"O kit todo é baseado numa medicina fantasiosa, numa medicina baseada impressões, e não baseada em ciência. A impressão do médico é algo extremamente enganoso. O médico olha para o paciente e diz – o paciente chegou com quadro de covid. Eu dei ivermectina e ele melhorou. Portanto, a ivermectina curou meu paciente. Mas isso não é verdade, não é assim que a gente testa medicamento. O paciente pode ter se curado espontaneamente, apesar da ivermectina. Como acontece com 90% dos pacientes de covid. Numa doença que tem 90% de cura espontânea, as pessoas saem dessa sozinhas, sem nenhum tipo de medicamento, você não pode usar um kit desses e falar que é o kit que está dando resultado. Para medir isso precisa de um teste clínico controlado".

Empenho dos médicos

"Preocupa muito, isso mostra dois fatores muito preocupantes. Grande parte dos médicos no Brasil não entende como funciona o teste de um medicamento. E não entende como se estabelece causa e efeito para um medicamento no tratamento de uma doença. Isso quer dizer que a gente falhou nas nossas escolas de medicina, não estamos treinando bem os nossos profissionais. O médico não tem obrigação de ser cientista, mas tem obrigação de entender minimamente como funciona a ciência que deve embasar as condutas médicas. Fármacos e medicamentos são coisas que eles têm que entender como funcionam. Então, é preocupante primeiro por isso, porque mostra que grande parcela da comunidade médica não compreende bem os processos da ciência. E é preocupante porque a população é treinada para confiar no que o médico diz. Existe uma autoridade muito forte inserida na figura do médico. Se o médico fala – tome ivermectina porque você vai ficar curado, ou não vai pegar a doença, a maior parte das pessoas acredita. Isso pode, como eu falei, gerar mudanças de comportamento muito perigosas".

Aposta em medicamentos não comprovados

"Isso são evidências que a gente chama de anedóticas em ciência. São observações, casos em que as pessoas acham que estão vendo uma relação de causa e efeito. Mas, para estabelecer uma relação de causa e efeito, para o uso de um medicamento, você precisa de testes clínicos controlados. Quando você fala – tem uma cidade que usou, nessa cidade tem menos mortes do que em outra - a única diferença entre essas cidades não é a ivermectina. Tem um monte de outros fatores de confusão que podem estar interferindo em uma cidade ter desempenho melhor do que outra. As pessoas podem ser mais engajadas na quarentena, a cidade pode ter uma rede hospitalar melhor, o pronto atendimento pode ser melhor, a comunicação com a população, para disseminar as regras de segurança pode ser melhor, a cidade pode ter menos habitantes, ser menos densa. Então, tem diversos fatores de confusão que podem influenciar como uma cidade, ou mesmo um país, vai responder à pandemia. A gente não tem como atribuir uma melhora de desempenho de uma cidade a um único fator. Ainda mais um fator que não tem nenhuma comprovação de eficácia em testes clínicos. Essa relação de causa e efeito, não tem como a gente medir assim".

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