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    O improvável milagre de Moisés

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    Dagmara
    Por Dagmara Spautz
    27/11/2020 - 16h32 - Atualizada em: 27/11/2020 - 19h47
    Governador Carlos Moisés volta ao cargo
    Governador Carlos Moisés volta ao cargo (Foto: Leo Munhoz, Arquivo NSC)

    Carlos Moisés é um homem de fé. Talvez por isso, tenha acreditado que seria salvo do impeachment mesmo quando todos os sinais indicavam o contrário. Dono de uma carreira pública construída a jato, eleito em um tsunami que lhe entregou de presente uma votação recorde, o governador é um homem cuja história flerta com o improvável.

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    Isso explica como um governante que sofreu um grande desgaste, apeado temporariamente do cargo por um processo de impeachment, foi resgatado pela mesma política que desprezou.

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    Ainda que Moisés tivesse votos suficientes entre os desembargadores membros do Tribunal de Julgamento para conseguir escapar da perda do mandato, foi o aceno de deputados como Laércio Schuster (PSB) e Maurício Eskudlark (PL), que ‘viraram’ o voto e consideraram o governador inocente de crime de responsabilidade, o indicativo de que o Parlamento entendeu que um novo governo era não apenas possível, mas viável.

    > Renato: O julgamento do impeachment de Moisés

    Um retorno que só ocorre porque, em uma mal calculada manobra, o deputado Sargento Lima (PSL) roeu a corda do ‘acordão’ do Legislativo e obrigou o Parlamento, enfraquecido pelo processo de impeachment frustrado, a escolher entre Moisés e Daniela Reinehr. Reinou o improvável.

    Deixar o governo temporariamente deu espaço para que Moisés fizesse um estágio intensivo em política. O governador precisou aprender a compor, a dialogar, e tende a implantar um governo de coalizão. Algo distante do que pareceu indicar a vontade do eleitor em 2018, mas politicamente sustentável.

    Sem interesse em reeleição – pelo menos é o que diz – Moisés tem liberdade para se desamarrar dos compromissos firmados com o eleitor que estava cansado da política tradicional e buscar um caminho de governabilidade. Uma oportunidade, mais uma vez, improvável.

    Moisés entra para a história de Santa Catarina como o governador que teve direito a uma segunda chance, algo que não costuma fazer parte dos enredos da política. À beira do precipício, conseguiu um milagre. Talvez tenha razão em ter fé.

    Veja também:

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