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    Santa Catarina precisa dar um basta à relativização do nazismo

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    Dagmara
    Por Dagmara Spautz
    29/10/2020 - 16h30 - Atualizada em: 29/10/2020 - 19h18
    Suástica em piscina de casa em Pomerode
    Suástica em piscina de casa em Pomerode (Foto: Divulgação, Polícia Civil)

    O episódio envolvendo a governadora Daniela Reinehr (sem partido), que passou os primeiros dias de mandato às voltas com explicações sobre negacionismo do holocausto, expõe uma ferida aberta em Santa Catarina, que precisa ser devidamente identificada e tratada. Estamos em um estado onde as ideias de Hitler vingaram décadas atrás – e ainda encontram eco.

    > "Estão tentando me arrastar por opinião de terceiros", diz Daniela Reinehr sobre nazismo e holocausto

    Daniela consertou a fala titubeante em uma nota oficial, nesta quinta-feira. Mas voltou a errar no tom. A governadora não falou em repúdio, termo necessário quando se trata de um regime que matou milhões de judeus, poloneses, ciganos, deficientes físicos e mentais, homossexuais, sindicalistas e presos políticos.

    > Renato Igor: Daniela precisa negar absurdos ditos pelo pai

    A falta de um posicionamento firme de Daniela pode ter várias interpretações, da dificuldade de contrariar o pai negacionista à falta de noção do peso que tem o cargo que ocupa. O fato é que, em paralelo ao ditado romano que fala sobre a honestidade da ‘mulher de Cesar’, à governadora não basta ser antinazista. É preciso repudiar o nazismo.

    Pior para Santa Catarina que isso tenha ocorrido semanas após o país inteiro ter comentado o caso do ‘professor nazista’ que era candidato a vereador. São incontáveis as vezes em que o Estado virou notícia por alguma identificação com o nefasto regime de Hitler. Já virou quase ‘folclórico’ o neonazismo catarinense. Sim, na América Latina.

    Escrevi, ao longo dos anos, várias vezes sobre o assunto. Desde conversas com a antropóloga Adriana Dias, da Unicamp – uma especialista, que identificou 45 mil internautas com interesses em conteúdo nazista em Santa Catarina – até o acompanhamento de história como a bizarrice dos cartazes que amanheceram em postes de Itajaí ‘comemorando’ o aniversário de Hitler. E que teve um final igualmente bizarro, com os acusados inocentados pela Justiça em uma sentença que ganhou repercussão nacional.

    É uma vergonha para Santa Catarina que um Estado tão rico e diverso seja conhecido por uma face tão feia. E essa culpa, carregamos todos nós.

    Fomos condescendentes com os revisionistas, que interpretamos como “excêntricos”. Achamos natural que fossem professores de nossos filhos. Que publicassem artigos em nossos jornais. Naturalizamos o que jamais deveria ter sido aceito.

    Interpretamos a lei de forma elástica e não punimos os neonazistas. Há exceções, mas muitas de nossas autoridades trataram, ao longo desses anos, identificação com o nazismo como bobagem, liberdade de expressão.

    É necessário tratar essas inclinações como criminosas que são. Reconhecer o problema e enfrentá-lo de forma adequada. Na Alemanha, por exemplo, Holocausto é assunto sério em sala de aula, sob responsabilidade de professores que têm formação específica. Quem sabe, poderia ser um bom começo.

    É preciso dizer basta. Santa Catarina não merece carregar o rótulo do neonazismo brasileiro.

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