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Trabalhadores da indústria e comércio são os que mais morreram de Covid-19 em SC

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Por Dagmara Spautz
21/05/2021 - 14h04 - Atualizada em: 21/05/2021 - 14h27
Movimentação no Centro de Florianópolis
Movimentação no Centro de Florianópolis (Foto: Diorgenes Pandini)

Os trabalhadores da indústria e do comércio estão no topo da lista de óbitos por Covid-19 em Santa Catarina entre a população economicamente ativa. Juntos, correspondem a 15% das mortes desde o início da pandemia no Estado.

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Os dados, divulgados pela primeira vez pela Secretaria de Saúde, apontam que morreram 1.076 trabalhadores do setor industrial até 18 de maio de 2021, e outros 1.005 do comércio e setores afins. A compilação de informações foi feita pela Diretoria Estadual de Vigilância Epidemiológica (Dive), que levou em conta a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO).

Covid hoje: veja mapas e dados de mortes por covid-19 e da vacina em SC

Entre os números mais altos, também estão os trabalhadores do setor agropecuário e da pesca, que registraram 823 mortes por Covid-19, e da construção civil, com 811 óbitos. Em seguida vêm os técnicos de nível médio, categoria que inclui diversas ocupações – de técnico em enfermagem até técnico em tecnologia da informação, por exemplo.

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O superintendente de Vigilância em Saúde, Eduardo Macario, ressaltou que os dados divulgados pelo Estado apontam a ocupação das pessoas que morreram – e não necessariamente o local de infecção.

No entanto, para a epidemiologista Alexandra Boing, do Departamento de Saúde Pública da UFSC e integrante do Observatório Covid-19 BR, os números são reflexo da exposição dos trabalhadores.

- São as pessoas mais expostas. As faixas etárias mais acometidas hoje pela Covid-19 são as de pessoas que estão precisando trabalhar. Com alto número de casos ativos e transmissão mais alta, ocorrem mais óbitos – avalia.

Aposentados

Se consideradas todas as ocupações – inclusive as que não configuram entre a população economicamente ativa, quem aparece em primeiro lugar, no número de óbitos, são os aposentados (3.789 casos), seguidos das donas de casa (1.885). São pessoas que estão no grupo mais vulnerável, de acordo com a avaliação da Saúde.

- O dado de ocupação é autodeclarado. Os idosos foram os mais afetados, e a maioria (dos homens) se declara aposentado. No caso das mulheres, (a maioria das idosas) se declara dona de casa – explica o superintendente de Vigilância em Saúde, Eduardo Macário.

- Pessoas que trabalham levam o vírus para casa e contaminam essa faixa etária, que é a mais vulnerável, com uma probabilidade maior de evoluir para óbito – diz Alexandra Boing.

Óbitos por ocupação em Santa Catarina
Óbitos por ocupação em Santa Catarina
(Foto: )

O que dizem as entidades

A coluna procurou a Fecomércio e a Fiesc, que representam os dois setores no topo da lista do setor econômico. A Fecomércio chamou atenção para a dimensão do setor, que poderia explicar o maior número de mortes. Informou que o comércio é um dos setores que mais empregam no Estado, com 479.808 trabalhadores – o equivalente a 23,2% das vagas.

- Pelo volume que a gente tem, me surpreendeu positivamente em comparação com os outros (setores). Mas o ideal seria não termos nenhum. Trabalhamos com uma campanha em cima dos cuidados, para despertar nos comerciantes que eles também são responsáveis pela prevenção – diz o vice-presidente da entidade, Emilio Schramm.

A Fecomércio chegou a solicitar ao Governo do Estado a priorização dos trabalhadores do comércio na campanha de vacinação. A resposta foi que SC segue as diretrizes do Plano Nacional de Imunização, que não prevê a imunização prioritária do setor.

Já a Fiesc afirmou que não considera “tecnicamente seguro” analisar os dados informados pela Saúde porque avalia que “a contaminação ocorre principalmente em eventos sociais e outros tipos de aglomeração, e não nas indústrias. Tanto é que as donas de casa se destacam entre os casos fatais. Portanto, a estatística sobre a ocupação da pessoa que morreu de covid não estabelece uma relação com o local de contaminação”.

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