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CURVAS DA PANDEMIA

Por que a Grande Florianópolis é a única região de SC a reduzir casos de Covid-19

Capital e municípios vizinhos somam 1.490 pessoas em tratamento contra o coronavírus, menor número entre as 6 grandes regiões de SC

21/05/2021 - 05h00 - Atualizada em: 21/05/2021 - 12h14

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Clarissa
Por Clarissa Battistella
Cristian Edel
Por Cristian Edel Weiss
Mercado Público em Florianópolis
Mercado Público em Florianópolis
(Foto: )

Na contramão de Santa Catarina, que registra o maior número de casos ativos de covid-19 em mais de um mês, a Grande Florianópolis é a única das 6 grandes regiões a reduzir o número e a concentrar o menor número de pessoas em tratamento contra o coronavírus. Nesta quinta-feira (20) são 1.490 pessoas nessa condição, espalhadas entre os 21 municípios do entorno da Capital. 

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Apesar de mais populosa, a região desde domingo apresenta menos casos ativos de covid do que a Serra catarinense, que em toda a pandemia sempre registrou o número mais baixo em relação às demais regiões do Estado. Em 60 dias, a Capital e os municípios vizinhos saíram do topo para o menor volume de infectados no Estado (veja no gráfico abaixo a mudança).

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A Grande Florianópolis apresenta queda gradativa no total de casos ativos desde 16 de março, quando somava 7.636. De lá até esta quinta-feira, a redução é de 80,4%. Apenas nos últimos 15 dias, reduziu 19%. Foi a única a apresentar queda consistente no período – a Região Norte diminuiu apenas 1,7%. No caminho oposto, o Oeste, epicentro do colapso na saúde em fevereiro, aumentou em 35% o total de casos ativos.

Entre os fatores que podem ter contribuído para a redução de pacientes ativos na região está o esforço conjunto entre as prefeituras, que chegaram a adotar decretos municipais semelhantes nos momentos mais críticos da pandemia.

À frente das decisões de Florianópolis, o prefeito Gean Loureiro afirma que a situação começou a melhorar desde que os municípios da região emparelharam as medidas, mas também atribui a queda de doentes na Capital à testagem em massa e à estrutura de saúde do município, que foi o primeiro a disponibilizar um serviço de telemedicina gratuito no país.

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Embora enumere as ações mais consideráveis, na ótica da sua gestão, Loureiro destacou ao Diário Catarinense, que a diferença entre a Grande Florianópolis e o restante do Estado “não é normal e não tende a perdurar”.

Ou o restante do Estado vai melhorar, ou nossa região tende a piorar junto. Especialmente neste momento em que o frio chega e as doenças respiratórias aumentam. Gean Loureiro, prefeito de Florianópolis

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O prefeito de São José, Orvino Coelho de Ávila, disse que, entre as estratégias adotadas, a testagem de sintomáticos respiratórios e o consequente isolamento de doentes estão entre as principais causas para conter a proliferação do vírus na cidade. Além disso, o município enfatiza que, além de decretos vigentes e de fiscalização para cumpri-los, a conscientização dos moradores se tornou um ponto alto no enfrentamento.

O monitoramento de pessoas sintomáticas também faz parte das principais ações em Palhoça, especialmente no período mais crítico, quando a cidade criou um centro de referência para pessoas que apresentavam sintomas de covid. Conforme a prefeitura, o monitoramento desses pacientes, somado à testagem deles no período recomendado por um profissional de saúde, é considerado um dos principais fatores para frear a contaminação e reduzir o número de casos ativos.

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Além disso, a prefeitura também considera primordial a participação da população no enfrentamento à doença:

- O trabalho de prevenção foi bem feito, com campanhas de conscientização e ações de fiscalização. Os palhocenses entenderam a gravidade da situação e passaram a respeitar com maior rigor as recomendações de distanciamento social e de higiene sanitária.

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A prefeitura de Biguaçu também foi procurada, por meio da assessoria de imprensa, mas não retornou à reportagem até o fechamento deste texto.

Vacinação adiantada também contribui para o controle da contaminação

O avanço da vacinação em todo o Estado também foi citado pelas prefeituras como uma das causas que contribuíram fundamentalmente para a queda dos índices. Em Palhoça, de acordo com o prefeito Eduardo Freccia, foram aplicadas cerca de 44 mil doses dos imunizantes disponíveis, o que refletiu diretamente no número de pessoas idosas que procuram atendimento nas unidades de saúde por consequência do coronavírus.

Em São José, a criação de um ponto móvel de vacinação também permitiu uma aplicação descentralizada e que permitiu, mesmo necessitando de mais doses para ampliar a cobertura, a imunização dos moradores que pertencem aos grupos prioritários e a decorrente queda nos números.

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Florianópolis também pontuou o avanço da imunização entre os fatores responsáveis pela redução dos doentes. Conforme a prefeitura, 27% das pessoas da Capital foram vacinadas com a primeira dose, o que se considera o primeiro passo para a proteção contra a doença e suas manifestações mais graves.

Entre as maiores cidades de SC, a Capital é a que vacinou com duas doses o maior número proporcional de pessoas. Conforme o Monitor da Vacina, do NSC Total, 13% da população já está completamente imunizada.

Situação é distinta nos menores municípios da Grande Florianópolis

Nas microrregiões do Tabuleiro, porção serrana da Grande Florianópolis, e de Tijucas, a situação não é a mesma observada no entorno da Capital. Nos últimos sete dias, Nova Trento, Major Gercino, Angelina, Rancho Queimado, Águas Mornas, São João Batista, Tijucas, São Pedro de Alcântara e São Bonifácio apresentaram aumento no número de casos ativos.

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Proporcionalmente, a maior alta em sete dias foi em Rancho Queimado, que tinha 1 caso há uma semana e apresentava 3 nesta quinta. Já Angelina tinha 15 casos ativos há uma semana e agora soma 23.

As menores cidades da região seguem a tendência apresentada no Estado todo, onde municípios com menos de 10 mil habitantes são os que mais apresentaram aumento no número de pessoas em tratamento contra o coronavírus nos últimos sete dias.

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