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ELEIÇÕES 2022

A esquerda catarinense na missão de afinar um palanque

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Denis
Por Denis Luciano
15/08/2021 - 13h24
Esquerdistas catarinenses reunidos neste sábado em Florianópolis
Esquerdistas catarinenses reunidos neste sábado em Florianópolis (Foto: Divulgação)

A empreitada é grande. Embora próximos no espectro político, os líderes de esquerda via de regra encontram dificuldades para jogar no mesmo time em Santa Catarina. E até nas reuniões prévias para tentar afinar um discurso, a equação não parece ser unânime. Isso foi notado mais uma vez do que resultou do encontro deste sábado (14), em Florianópolis.

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Na mesma mesa estiveram lideranças do PT, PDT, PSB, PCdoB, PV e Rede. No mesmo papo, ao menos dois pré-candidatos a governador: os ex-deputados Décio Lima (PT) e Fernando Coruja (PDT). E a anotar ausências dos mais extremos à esquerda, como PSOL e PSTU, que vêm apresentando candidaturas nas disputas recentes. Já aí, um indicativo de que não será tarefa simples reunir a esquerda no mesmo palanque.

Mas o PSOL esteve em um dos bate-papos anteriores, em junho, com o vereador Afrânio Boppré, da Capital. A despeito de eventuais defecções, o clima é de otimismo entre os esquerdistas catarinenses no sentido da formação de uma frente. Há as questões nacionais a serem pontuadas, naturalmente. PT com Lula e PDT com Ciro Gomes não se unem, fato. Mas não chega a ser um fator a inviabilizar, ao que parece, uma coligação estadual. 

O grupo da esquerda que esteve conversando em junho
O grupo da esquerda que esteve conversando em junho
(Foto: )

Todos colocam como pontos pacíficos a união de esforços para oferecer alternativas ao governador Carlos Moisés e ao presidente Jair Bolsonaro. Todos os envolvidos na conversa deste sábado serão oposição, tanto estadual quanto federal.

Quem participou

Entre os que estiveram no encontro, além de Décio e Coruja, a ex-deputada Ana Paula Lima (PT, atual suplente de deputada federal); o também petista José Vermohlen, membro da executiva estadual do partido; o deputado estadual Rodrigo Minotto e o vice-prefeito de Itajaí, Marcelo Sodré, ambos do PDT, além do presidente estadual e secretário nacional do partido, o ex-deputado Manoel Dias; o presidente do PV catarinense, Guaraci Fagundes; os representantes do PCdoB, Douglas Mattos (presidente estadual), Anderlise Abreu (presidente em Florianópolis) e Janaína Deitos; mais Homero Gomes (PSB) e outros líderes das siglas envolvidas.

Petistas e a cabeça de chapa

Décio Lima é dos mais empolgados com a possível frente. Acontece que ele foi o quarto entre os oito concorrentes a governador na disputa passada, com 12% dos votos. É um bom capital, com o qual ele pretende se cacifar à cabeça num possível chapão esquerdista. É difícil imaginar que o PT vá abrir mão do 13 na urna, até em nome do projeto de Lula e do necessário contraponto no Estado mais bolsonarista do Brasil. 

E essa missão do PT catarinense poderá, de variadas formas, fazer ao menos o PDT e o PSB repensarem uma eventual união. No caso do PDT, tem Ciro, e no do PSB, tem uma indefinida conjuntura nacional associada ao interesse de alguns setores socialistas em nível estadual por um palanque mais ao centro, o que o PT na frente não terá condições de oferecer.

> Décio LIma: "Lula é a figurinha que vale mais que o álbum todo"

Além da candidatura Lula, o PT tem a seu favor, nas negociações para costurar a liderança da esquerda catarinense, o desempenho da disputa passada, quando mesmo desgastado elegeu um deputado federal (por pouco não foram dois) e quatro estaduais em Santa Catarina. Entre os demais, o PDT fez dois estaduais (já perdeu um) e o PSB três (um já saiu e os outros dois só aguardam a janela, ficará zerado na Alesc).

Décio Lima, fiel defensor de Lula em Santa Catarina
Décio Lima, fiel defensor de Lula em Santa Catarina
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PSB com um pé cá, um pé lá

O PSB dependerá muito do xadrez político dos principais estados para determinar sua posição. As posturas em São Paulo e no Nordeste serão importantes. A filiação do governador do Maranhão, Flávio Dino, já apontado como um bom vice para Lula, foi um sinal. Expressiva parcela dos socialistas defende apoio a Lula, independente da vaga de vice. Há grupos que simpatizam com Ciro também. 

O ex-deputado Cláudio Vignatti é o presidente do PSB catarinense, na reconstrução do partido mais à esquerda depois do período de Paulo Bornhausen e os seus, já devidamente alojados no Podemos faz algum tempo. Se ergueram vozes no partido, como do vice-presidente estadual Juliano Campos, de um possível apoio a uma eventual candidatura do senador Dário Berger (MDB) para governador, e esse grupo é o mesmo que defende o PSB mais ao centro na disputa de 2022, o que pode ir sutilmente afastando os socialistas das conversas com o grupo esquerdista.

Vignatti lidera a nova fase do PSB catarinense
Vignatti lidera a nova fase do PSB catarinense
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> Mais um no páreo: PDT lança Coruja para governador

Comunistas e pedetistas

O PCdoB, presidido em nível estadual pelo ex-vereador Douglas Mattos, de Criciúma, encara o desafio de encorpar bancadas em nível federal e estadual. Logo, se agrupará nas disputas majoritárias. Provavelmente não ao ponto de oferecer um candidato a vice-presidente, como foi com a deputada gaúcha Manuela D´Avila, que esteve na chapa de Fernando Haddad (PT) em 2018. O namoro nacional com o PSB, que poderia resultar numa fusão, foi por água abaixo.

Os comunistas estiveram mais próximos do PDT em 2018 em Santa Catarina. Ambos fizeram parte da ampla coligação que respaldou Gelson Merísio (PSD) ao Governo do Estado, e se uniram na nominata à Câmara Federal que elegeu Hélio Costa (do então PRB) e Rodrigo Coelho (PSB) e teve a terceira suplente Ângela Albino (PCdoB) e o quarto, Manoel Dias (PDT). Em nível estadual, o PDT elegeu os deputados Rodrigo Minotto e Ana Paula da Silva (a Paulinha, que foi expulsa do partido) e tem César Valduga (PCdoB) como primeiro suplente.

Fernando Coruja, o pré-candidato do PDT, ao lado do deputado Minotto
Fernando Coruja, o pré-candidato do PDT, ao lado do deputado Minotto
(Foto: )

> Em encontros no Sul, PDT aponta dificuldades para frente de esquerda

O PDT tem participado das reuniões do grupo mas parece muito inclinado às suas candidaturas próprias, focando na composição de bancadas e na garantia de palanque para apoio a Ciro Gomes. Porém, a definição pela volta das coligações proporcionais vai mexer no jogo. Os pedetistas garantem que estavam com nominatas completas encaminhadas para Câmara e Alesc. Agora, com coligação, é mais fácil unir os interesses e demandar menos forças por partido para chegar aos votos almejados nas legendas.

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Jornalista com longa experiência no rádio e no digital, Denis Luciano aborda os principais assuntos do Sul catarinense, uma das regiões mais relevantes no Estado.

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