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De facão na mão, prefeito de Criciúma explica futuro de parque ambiental

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Por Denis Luciano
03/12/2021 - 06h46 - Atualizada em: 03/12/2021 - 06h53
Salvaro, com facão na mão, explicou o caso do parque extinto
Salvaro, com facão na mão, explicou o caso do parque extinto (Foto: Jhulian Pereira / Decom / Reprodução)

Há uma semana, na noite da última sexta-feira (26), o prefeito Clésio Salvaro (PSDB) enfrentou algo pouco comum em Criciúma: encarou algumas vaias em evento público. Foi na abertura da programação de Natal, na Praça do Congresso. Quando ele começou a discursar, um grupo de ambientalistas estendeu uma faixa e elevou o tom, protestando contra a dissolução do Parque Natural Municipal Morro do Céu.

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Em vídeo postado nas redes sociais na noite desta quinta-feira (2), Salvaro se pronunciou. Ele citou "ambientalistas chatos" e pessoas que gostam "de puxar um fuminho" como os autores das críticas. 

- Tem os ambientalistas chatos. Tem o pessoal que gosta de puxar um fuminho aqui em cima, se a polícia não te pegar, não tem problema - destacou. 

- Fiquem absolutamente seguros, o Morro do Céu está preservado - garantiu. No mesmo vídeo, Salvaro contou que subiu ao ponto mais alto do Morro do Céu, uma área verde de 85 hectares entre os bairros Ceará, São Cristóvão, Comerciário e São Luiz, para explicar a extinção do parque, determinada em derrubada de lei municipal proposta pelo Executivo e avalizada pelos vereadores em fevereiro.

- Ah, agora o Salvaro acabou com a lei que protegia o Morro do Céu? Não, não. Aquela lei de 2008 não protegia o Morro do Céu. O que mantém o Morro do Céu preservado é uma lei federal, a lei da Mata Atlântica - afirmou Salvaro. Ele fez menção a uma lei sancionada pelo então prefeito Anderlei Antonelli (MDB), há 13 anos, pela qual foi criado o parque. 

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- Aquilo que você não podia fazer até 2008, por ter uma lei, continua não podendo fazer agora pois continua em vigor a lei federal - registrou Salvaro. O prefeito reforçou sua decisão de extinguir o parque na determinação judicial de que o município deveria indenizar os donos das áreas desapropriadas, o que não foi feito desde a criação do espaço verde. - O que não está mais em vigor é uma lei municipal que não servia para praticamente nada a não ser pra fins de especulação política, imobiliária, para quase condenar o município a pagar R$ 200 milhões - citou, pontuando o valor determinado por perícia judicial para indenizar os proprietários.

Para o prefeito, o município não está colocando o futuro do parque em risco mesmo com a extinção legal do espaço. - O prefeito tem que pensar na sua cidade como um todo. O Morro do Céu está preservado, as finanças da prefeitura estão preservadas e a lei não serviu para absolutamente nada - avaliou.

Parque tem 85 hectares em área importante de Criciúma
Parque tem 85 hectares em área importante de Criciúma
(Foto: )

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Salvaro sugeriu aos 25 proprietários dos 33 lotes que compõem a área do parque a acionarem o Governo Federal na Justiça. - Os proprietários devem entrar com uma ação não contra a prefeitura, mas contra o Governo Federal, pois a lei é federal. Fiquem absolutamente tranquilos - disse. Dos 85 hectares, 70% pertencem à União, e os demais 30% ao município de Criciúma.

No projeto de dissolução do Parque Morro do Céu, o Executivo propôs (e a Câmara avalizou) a criação de outro espaço verde, o Parque Municipal do Mirante, localizado no Morro Cechinel, compreendendo uma área de 7 hectares no entorno de um mirante de 30 metros de altura que está sendo construído, e oferecerá um visual panorâmico da cidade. 

Embora extinto oficialmente, o Morro do Céu continua envolvido em ações judiciais, o que impede, ainda, transformações no entorno. A maioria dos proprietários dos terrenos reforça que quer receber a indenização da prefeitura. O espaço tem forte potencial imobiliário, e muitos lotes no entorno já são de propriedade de construtoras e de interessados em investir em imóveis.

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Jornalista com longa experiência no rádio e no digital, Denis Luciano aborda os principais assuntos do Sul catarinense, uma das regiões mais relevantes no Estado.

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