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Morre Alfredo Gazzola, liderança da mineração no Sul de Santa Catarina

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Por Denis Luciano
12/10/2021 - 12h58 - Atualizada em: 12/10/2021 - 13h03
Carbonífera Criciúma, de Alfredo Gazzola, foi uma das grandes empresas do ramo
Carbonífera Criciúma, de Alfredo Gazzola, foi uma das grandes empresas do ramo (Foto: Siecesc / Divulgação)

Morreu na noite desta segunda-feira (11), em Criciúma, o empresário Alfredo Gazzola. Aos 82 anos, ele lutava contra um câncer no pulmão. Gazzola foi um dos grandes empreendedores das últimas décadas no ramo carbonífero no Sul catarinense. Ele era um dos sócios da Carbonifera Criciúma, que chegou a ser a mais importante empresa do segmento em Santa Catarina.

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Gazzola, com dois sócios, iniciou as operações da carbonífera em 1983, na Mina Verdinho, em Forquilhinha. Dali, chegou ao auge nos anos 90, alcançando uma extração bruta de 1,2 milhão de toneladas de carvão e chegando a gerar 18 mil empregos.

Discreto na sua vida social, Gazzola era de poucas e boas relações, mantinha amizades de longa data e se encontrava mais recolhido nos últimos meses, tanto por conta da avançada idade, da doença e por consequência das questões envolvendo a empresa da qual era titular, que sofre processo de falência. 

Amigos contam que ele teve câncer de pulmão mesmo sem nunca ter fumado um cigarro na vida, e era considerado um homem elegante e cauteloso nos seus costumes. 

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Notas de pesar

A Associação Empresarial de Criciúma (Acic) emitiu nota de pesar. O presidente Moacir Dagostin anunciou que Alfredo Gazzola dará nome a uma das salas da sede da entidade.

O presidente da Associação Empresarial de Criciúma (Acic), Moacir Dagostin, em nome de toda a diretoria e associados à entidade, lamenta profundamente o falecimento do empresário Alfredo Flávio Gazzola, ocorrido na noite desta segunda-feira, 11, e presta sua solidariedade aos familiares. Empresário do segmento de mineração, Gazzola deixa um legado de importantes contribuições em prol do desenvolvimento socioeconômico da região. Uma das salas da sede da Acic está eternizada com o nome do empresário.

Entidades do segmento carbonífero também se manifestaram por nota. O Sindicato da Indústria de Extração do Carvão do Estado de Santa Catarina (Siecesc) e a Satc, instituição de ensino associada ao setor, lembraram a longa convivência que Gazzola teve com a mineração.

O Sindicato da Indústria de Extração do Carvão do Estado de Santa Catarina (Siecesc) e a Associação Beneficente da Indústria Carbonífera (Satc), comunicam com pesar o falecimento do senhor Alfredo Gazzola, advogado, empresário e ex-presidente da Carbonífera Criciúma. O empresário faleceu na noite desta segunda-feira (11). O velório está ocorrendo no Crematório Millenium, até às 12h desta terça-feira (12). O Siecesc e a Satc lamentam a perda do empresário, que, por muitos anos, fez parte do sindicato junto com a Carbonífera Criciúma.

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Um projeto ousado: a Usitesc

Gazzola foi um dos líderes de um arrojado projeto que ganhou ênfase no início dos anos 2000 na região de Criciúma: a estruturação de uma nova usina térmica, para garantir a comercialização do carvão regional e contar com um ponto próprio de geração de energia. 

Em agosto de 2008, o então governador Luiz Henrique da Silveira concedeu a licença ambiental prévia, concedida pela Fundação de Meio Ambiente (Fatma, na ocasião, atual IMA), para a Usina Termelétrica Sul Catarinense (Usitesc) implantar uma unidade na cidade de Treviso.

Alfredo Gazzola era presidente do projeto da Usitesc, que compreendia investimentos das carboníferas Criciúma e Metropolitana, previa gerar até 440 megawatts com consumo projetado de 2,3 milhões de toneladas de carvão anualmente. A Usitesc atuaria, também, na produção de sulfato de amônia, para uso como fertilizante. Calculava-se um investimento de 700 milhões de dólares com geração de 700 empregos diretos e 5 mil indiretos.

Usitesc, o ousado projeto da usina que teve a liderança de Gazzola
Usitesc, o ousado projeto da usina que teve a liderança de Gazzola
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Em entrevistas na época, Gazzola lembrava que a Usitesc iria além da geração de energia. Seria fonte de insumos para a agricultura e até a construção civil. - Esse empreendimento tem toda uma preocupação ambiental - relatava o empresário. É que uma das metas da Usitesc era aproveitar os rejeitos de carvão que não tinham destinação econômica naquele período da mineração.

O projeto chegou a ser desenhado, houve até escolha de área em Treviso para a implantação da usina, mas acabou não saindo do papel. Entre os fatores, a falta de parceiros mais a instabilidade econômica e energética, além do insucesso da Usitesc nas participações em leilões de energia. Em um deles, em novembro de 2013, a usina de Treviso estava concorrendo com outros nove projetos. O Governo do Estado inaugurou, em julho de 2016, a pavimentação da SC-446 entre Treviso e Lauro Müller e chegou a modificar o trajeto da rodovia para contemplar o acesso à futura Usitesc.

SC-446, pavimentada há quatro anos, desviou traçado para dar acesso à Usitesc
SC-446, pavimentada há quatro anos, desviou traçado para dar acesso à Usitesc
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O grupo que planejou a Usitesc, com Gazzola à frente, antevia dificuldades futuras com o Complexo Jorge Lacerda, de Capivari de Baixo, que de fato passou por recente crise e dúvidas em relação à viabilidade das suas operações, o que acabou provisoriamente superado com a venda da usina do grupo Engie Brasil para a Fram Capital, em acordo recente. Jorge Lacerda responde, atualmente, pela compra de 99% do carvão produzido na região de Criciúma.

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A Carbonífera Criciúma

Depois do auge na década de 90, a empresa de Alfredo Gazzola entrou em declínio. Suspendeu as operações em 2015, alegando exaustão da lavra em Forquilhinha. A carbonífera detinha, porém, outras extensas áreas com capacidade de mineração, mas não havia condição econômica da empresa para os vultosos investimentos que eram necessários à abertura de novas frentes.

No começo dos anos 2000, quando ainda gozava de boa saúde financeira, a Carbonífera Criciúma, com a liderança de Alfredo Gazzola, começou a investir no mercado de carvão do Rio Grande do Sul. Arrendou, a partir de 2002, a Mina Leão II, na cidade gaúcha de Minas do Leão, de onde auferiu bons resultados nos primeiros anos.

Com a suspensão das operações há 6 anos, a Carbonífera Criciúma passou a encarar uma realidade de dívidas e negociações. A falência foi oficialmente decretada em agosto pela Vara da Fazenda de Criciúma. Houve uma outra tentativa nesse sentido em 2017, mas na ocasião convertida em uma recuperação judicial, que não vingou. A empresa tem uma dívida que se aproxima de R$ 500 milhões, envolvendo débitos trabalhistas com 700 funcionários, outros créditos com fornecedores e passivo ambiental.

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Jornalista com longa experiência no rádio e no digital, Denis Luciano aborda os principais assuntos do Sul catarinense, uma das regiões mais relevantes no Estado.

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