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Operação Hera

Polícia age na Câmara e prefeitura em Urussanga, no Sul de SC; um vereador preso

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Por Denis Luciano
13/12/2021 - 06h35 - Atualizada em: 13/12/2021 - 09h56
Policiais na Câmara de Urussanga antes das 7h desta segunda
Policiais na Câmara de Urussanga antes das 7h desta segunda (Foto: Polícia Civil / Divulgação)

Urussanga, no Sul catarinense, amanheceu com viaturas e policiais nas ruas nesta segunda-feira (13). Foi desencadeada a Operação Hera, que apura irregularidades na gestão da Fundação Ambiental do Município (FAMU). A Polícia Civil foi até a Câmara de Vereadores e repartições da prefeitura. Houve duas prisões temporárias, um deles o vereador Rozemar Sebastião (PDT), por porte irregular de arma. Os ilícitos envolvem contratos que totalizam R$ 1 milhão.

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A operação resulta de investigações iniciadas em julho e que apuram crimes de corrupção passiva, prevaricação, crimes ambientais, organização criminosa e extravio ou sonegação de documento público. Além do parlamentar preso, outros dois vereadores envolvidos foram afastados de suas funções, e tiveram seus gabinetes visitados pelos policiais para apreensão de documentos: Odivaldo Bonetti (PP) e Fabiano de Bona (PSDB). Pouco depois das 6h, o delegado Ulisses Gabriel, que coordena a operação, solicitou à secretaria do Legislativo a abertura dos gabinetes. Cerca de 40 testemunhas serão ouvidas na sequência da operação.

Estão sendo cumpridos nesta manhã 18 mandados de busca e apreensão e houve sete afastamentos cautelares de funções públicas, relacionando os três vereadores. Dois ex-vereadores estão entre os demais afastados de atividades públicas.

Houve apreensões de aparelhos telefônicos, com quebras de sigilo já asseguradas. Estão no foco da operação, também, empresas privadas, residências e servidores, além das secretarias de Educação e Obras, o setor de licitações da prefeitura e a FAMU.

Um vereador entre os presos

As buscas da Operação Hera estão concentradas também em Criciúma, Cocal do Sul e Braço do Norte. O delegado Ulisses confirmou a prisão do vereador do PDT. - Fizemos a prisão em flagrante de um vereador, pela prática do crime de posse irregular de arma de fogo - relatou.

São três as secretarias visitadas pelos policiais nesta manhã na prefeitura. - Estamos buscando documentos, celulares e computadores. Identificamos que há pelo menos R$ 1 milhão envolvidos nesses contratos que investigamos, e também as situações envolvendo as secretarias de Administração, pelo setor de licitações, e as secretarias de Agricultura e de Educação - informou.

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A prefeitura de Urussanga se manifestou por nota:

Informamos a toda população de Urussanga que a operação executada nesta manhã (13/12), pela Polícia Civil, o Município de Urussanga está colaborando e oferecendo todos os documentos solicitados, neste momento, para o completo esclarecimento do caso. O Governo Municipal se coloca ao lado da transparência, facilitando o acesso a toda documentação solicitada e está colaborando com a investigação.

A Operação Hera está envolvendo cerca de 100 policiais civis das regiões de Criciúma, Laguna, Tubarão e Araranguá, com apoio do Gaeco e coordenação da Delegacia de Urussanga. 

Presidente da Câmara entre os afastados

A investigação envolve em cheio o Legislativo. Entre os vereadores afastados, estão o presidente Odivaldo Bonetti e o vice, Rozemar Sebastião. Com isso, o primeiro secretário, Elson Roberto Ramos (MDB), assume a presidência provisoriamente. 

Não há pronunciamento do Legislativo se os suplentes do PP, PDT e PSDB, os partidos dos envolvidos, serão acionados para ocupar as cadeiras vagas.

A partir de agora, policiais ouvirão 40 testemunhas na investigação
A partir de agora, policiais ouvirão 40 testemunhas na investigação
(Foto: )

O vereador Luan Varnier (MDB), que não está entre os investigados, fez postagem nas redes sociais referindo a operação.

- Fui chamado às 6h15min pelo delegado Ulisses para abrir a Câmara. Os policiais não entraram nos gabinetes do MDB e do PSD, entraram nos gabinetes do PP, PSDB e PDT, e levaram o computador da presidência e muitos documentos - contou o vereador Elson.

- É uma operação de combate à corrupção em órgãos públicos aqui em Urussanga - argumentou o delegado regional de Polícia Civil, Vitor Bianco Júnior.

Por outra operação, prefeito segue afastado

Trata-se de mais uma investigação envolvendo irregularidades na gestão pública em Urussanga neste ano. Em maio foi desfechada a Operação Benedetta, que resultou no afastamento do prefeito Luís Gustavo Cancelier (PP), que segue fora do cargo. Desde então, o vice Jair Nandi (PSD) comanda o Executivo. Essa operação investiga contratos envolvendo possíveis desvios de recursos em obras públicas financiadas com recursos federais.

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Jornalista com longa experiência no rádio e no digital, Denis Luciano aborda os principais assuntos do Sul catarinense, uma das regiões mais relevantes no Estado.

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