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Vereadores aprovam proibição de linguagem neutra em Criciúma

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Por Denis Luciano
03/08/2021 - 05h44
Vereador Obadias reforçou discurso de defesa da língua portuguesa
Vereador Obadias reforçou discurso de defesa da língua portuguesa (Foto: Fabrício Júnior / Câmara Criciúma / Divulgação)

- Aqui, não! -. Assim, o vereador Obadias Benones (Avante) comemorou a aprovação do projeto de sua autoria que proíbe o uso de linguagem neutra na rede municipal de ensino em Criciúma. O tema foi votado na sessão desta segunda-feira (2) e contou com apoio de 14 parlamentares. Houve apenas 1 voto contrário.

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- Elu, delu, francamente, não é falta de respeito. Não é discurso de ódio nem de homofobia. Estamos aqui para pautar e defender o aprendizado - apontou. - Estamos protegendo a nossa língua. Esse é um fenômeno que está vindo aí que nos preocupa muito - emendou. - Quem defende a linguagem neutra usa o termo inclusão. Mas se você analisar, vai entender que ela não vem para incluir, o discurso é de uma minoria - destacou.

Benones ponderou que tem relações com "pessoas ligadas a essas minorias" e que também discordam de linguagem neutra. - Esse uso da nossa língua é uma agressão - argumentou. 

Tema polêmico teve aprovação quase unânime no plenário
Tema polêmico teve aprovação quase unânime no plenário
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O projeto recém aprovado, que parte agora para sanção pelo prefeito Clésio Salvaro (PSDB), prevê aplicação na rede municipal, nas instituições de ensino superior instaladas em Criciúma e nos concursos públicos da prefeitura. A proibição da linguagem neutra se estende à grade curricular, material didático e editais do município. Quem violar estará (instituições e profissionais de educação) sujeito a sanções administrativas.

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Outros vereadores opinam

Alinhado com o autor, o vereador Daniel Antunes (PSL) disse que "independente do projeto, comentários para a esquerda e direita, se há uma coisa que não podemos mudar é a língua portuguesa". Ele contou que foi procurado por pais preocupados com uma possível adoção de linguagem neutra em escolas de Criciúma. 

Para o vereador Pastor Jair (PL) "o projeto protege as crianças". - As mesmas pessoas que defendem esse tipo de linguagem neutra são as mesmas que quiseram estabelecer Ideologia de Gênero nas escolas - disse. Ele recordou, ainda, o decreto do governador Carlos Moisés proibindo a linguagem neutra em escolas estaduais. 

Vereador Pastor Jair, um dos contrários à linguagem neutra nas escolas
Vereador Pastor Jair, um dos contrários à linguagem neutra nas escolas
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O parlamentar chegou a mencionar um caso de Içara, cidade vizinha a Criciúma. - Em Içara, que aprovou a Ideologia de Gênero nas escolas municipais, recebi vários pais com crianças confusas - frisou. - 99% da população de Criciúma é conservadora, mantém princípios e quer manter o nosso português - emendou.

Vereadora cita inconstitucionalidade

Único voto contrário ao projeto, a vereadora Giovana Mondardo (PCdoB) ponderou que nenhuma escola está ensinando linguagem neutra em Criciúma. - Compactuo da defesa da língua, mas é importante dizer que o português é uma língua viva, ajustada ao cotidiano - analisou.

Vereadora do PCdoB lembrou Adin contra decreto de Carlos Moisés
Vereadora do PCdoB lembrou Adin contra decreto de Carlos Moisés
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Para Giovana, trata-se de mais um exemplo de "problema que se cria para vender a solução". E a vereadora citou a inconstitucionalidade da pauta. - O jurídico da Câmara deu parecer inconstitucional, assim como há um questionamento ao decreto do governador, uma Adin no STF - reforçou.

> PT entra no STF contra decreto de Moisés que proibiu linguagem neutra em SC

Na votação desta segunda houve, ainda, uma abstenção, do vereador Zairo Casagrande (PDT). 

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Jornalista com longa experiência no rádio e no digital, Denis Luciano aborda os principais assuntos do Sul catarinense, uma das regiões mais relevantes no Estado.

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