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Re-existindo

Grupo é criado na Grande Florianópolis para promover a valorização da mulher negra

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Edsoul
Por Edsoul
05/10/2020 - 17h06 - Atualizada em: 05/10/2020 - 17h13

O grupo nasceu da luta do povo preto, que segue resistindo a "re - existindo".
O grupo nasceu da luta do povo preto, que segue resistindo a "re - existindo".
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O recém lançado projeto Quilombelas é uma idealização da comprometidíssima Cinthia Rosa. A queridona é engajada com questões sociais que visam enaltecer nossos guetos, é também, líder dentro de um dos barracões de samba mais antigo de Florianópolis, a Embaixada Copa Lord.  O Quilombelas nasceu de um sonho que a Cinthia tinha de unir irmãs pretas da Grande Florianópolis, com ênfase na conexão dos mais diversos sentimentos gerados pelas sequelas "racimachistas" e também, no intuito de empoderamento e busca de reencontro com o que nos foi violado.

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O grupo  foi montado diante do olhar de uma mulher preta que estudou o perfil de cada irmã  e quis por em prática o processo de descolonização de cada preta que agregou,  para que  apenas criassem um vídeo conscientizador para as redes sociais.

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Grupo é formado por 18 pessoas
Grupo é formado por 18 pessoas
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Em menos de  um mês, a união de propósito e ideias, unidas a uma força ancestral que as conduziu numa busca de mais sobre si mesmas, de expandir e amplificar as vozes, entre falas, escutas, dolorosas experiências de negação da própria existência.

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Por enquanto, o grupo é formado por 18 pessoas, que tem suas discussões e debates via aplicativos de conversa. É por lá também que acontecem os planejamentos das próximas ações, sem a intenção de um  alcance maior de pares negros. O grupo nasceu da luta do povo preto, que segue resistindo a "re - existindo".

Amor em atitudes é o que podemos esperar destas belas que chegam chegando, informando e sendo informadas sobre a cura e nosso jugo. EMPODERAMENTO, AUTOAMOR E RESIGNIFICAÇÃO SÃO OS EIXOS PRINCIPAIS

O ensaio proporcionou uma espécie de espelho das almas femininas e negras.
O ensaio proporcionou uma espécie de espelho das almas femininas e negras.
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As fotos que vocês veem aqui na página são resultado do olhar sensível do querido Pedro Machado,  que abraçou a causa com todo cuidado e sensibilidade. O ensaio proporcionou uma espécie de espelho das almas femininas e negras. Para Cinthia, estes cliques representam uma resignificação que as acarinhou e levou a "afroestima", outrora esquecida, para um lugar nunca visitado dentro de corpos hipersexualizados, estigmatizados e violados historicamente.

Inegavelmente, pela necessidade de reconectar-me com minha ancestralidade e reconstruir minha força.

Por entender que 400 anos de escravidão moldaram o gosto estético deste país e que a consequência disso é abandono, dor e solidão.

Aquilombei-me para que pudesse estabelecer com minhas IRMÃS PRETAS, o autocuidado, autoamor, afeto, respeito, proteção. E para que pudéssemos incansavelmente conectar sentimentos, falas e escutas, por tantas e tantas vezes apagadas.

Aquilombei-me para retirar a mulher branca que carreguei  no espelho de minha alma, para que fosse minimamente aceita.

Aquilombei-me para lutar contra a falácia de uma falsa liberdade que desintegra e esmigalha nossos acessos e sonhos.

E enfim buscar acalanto que minha alma tanto anseia.

E por entender e para perceber que nessa busca não estou só, e sim, irmanada.

E sim, foi por me aquilombar e com todas vivências de minhas irmãs, que tenho conseguido me livrar de amarras e mordaças de uma sociedade racista e machista,  que com seu patriarcado insiste em ver-me como corpo e não desiste de hiper sexualizar o mesmo e desfigurar o tanto de África que há em mim.

Seguimos voltando para casa.

Você aí, tem buscado seu caminho de volta pra nossa casa?

Projeto Quilombelas de empoderamento feminino negro SC.

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Edsoul sabe tudo o que rola nas comunidades de Floripa. Reivindicações, histórias de superação e serviços interessantes para galera.

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