Logo depois do Carnaval, Santa Catarina abre outra temporada festiva, a da 12ª Vindima de Altitude, que começa em 1º de março e vai até 3 de maio na Serra Catarinense. O evento, lançado em Florianópolis nesta quarta-feira (11) inclui dois fins de semana do Vinho & Arte Festival, que acontece no Pavilhão da Maçã e do Vinho, de quinta a sábado, dos dias 5 a 7 de e 12 a 14 de março. Terá a presença de 22 vinícolas, gastronomia regional autoral, degustações, música ao vivo e exposições de artes.   

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A Vindima é a festa da colheita da uva e apresenta a Serra Catarinense como uma das principais regiões vitivinícolas do Brasil, que elabora vinhos finos em vinícolas boutiques. O  “terroir” diferenciado da região é reconhecido pelo selo de Indicação Geográfica (IG) concedido em 2021 pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

Lideranças presentes no lançamento da 12ª Vindima de Altitude:

A realização da Vindima é da Vinhos de Altitude Produtores e Associados, entidade que representa 27 vinícolas da região, que inclui os municípios de São Joaquim, Videira, Urubici, Urupema, Campo Belo do Sul, Bom Retiro e Rancho Queimado.

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Na edição de 2025, os eventos no pavilhão atraíram quase 15 mil pessoas. O presidente da associação, Diego Censi, diz que a entidade espera mais de 15 mil pessoas neste ano de 2026. Incluindo as visitações nas vinícolas no período de março a maio, a expectativa é de que a temporada vai atrair para a Serra mais de 50 mil pessoas.

Degustações nas vinícolas

Além dos fins de semana festivos no pavilhão, as vinícolas que oferecem enoturismo reforçam atrações como degustações guiadas, harmonizações, jantares temáticos, sunsets, visitas técnicas, visitas a vinhedos, colheitas simbólicas e até, eventualmente, pisa da uva.  

Diego Censi fala das dificuldades para avançar no mercado. Reconhece que muitos vinhos chegam ao Brasil mais baratos que a produção nacional, mas são produtos difíceis de comparar. Quando ele fala sobre isso, lembra que as pessoas não comparam banana com banana. É difícil comparar vinhos do mundo inteiro e o custo Brasil onera um pouco o vinho do país. Mas ele vê o futuro com otimismo.

– O Brasil é um país continental que tem uma imensidão de mais de 200 milhões de habitantes e que está tomando 3 litros per capita ao ano. E nós temos números da Europa onde tomam mais de 60 litros per capita por ano. Então é visível que nós temos um potencial de crescimento gigantesco nesse mercado que a gente vai dominando e conquistando com o tempo – afirma Diego Censi.

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IG dos vinhos de altitude

O terroir de altitude de SC se diferencia por altitudes elevadas, invernos frios, grande amplitude térmica e maturação lenta de uvas. Por isso, os vinhos da região têm características especiais. O diferencial reconhecido com a IG veio a partir de um trabalho em parceira com o Sebrae SC por 20 anos.

– Para o Sebrae, acompanhar a evolução do setor do vinho em Santa Catarina é motivo de orgulho. Não se trata apenas de produzir vinho, mas de fortalecer a marca e gerar renda. Quando investimos em qualificação e apoiamos o empreendedor, impulsionamos toda uma região ou estado de forma sustentável – disse no evento de lançamento o diretor-superintendente do Sebrae/SC, Carlos Henrique Ramos Fonseca.

– O registro dos vinhos de altitude no INPI é um selo que confere aos produtos um reconhecimento de sua qualidade, de ser um diferencial, de sua história, que a gente sabe, a Serra tem cerca de 30, 35 anos de produção de vinhos. Mas é uma história que, apesar de recente, é muito rica – disse Alan Claumann, gerente de Desenvolvimento Territorial do Sebrae/SC.

– Os vinhos de altitude são muito conectados às paisagens e se integrou à cultura local, com especificações próprias. São espumantes, brancos, tintos, rosés. Tem que provar cada vinho. Tem que provar a Serra Catarinense engarrafada em cada um desses vinhos (risos)  – destacou também Alan Claumann.

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Segundo ele, a parceria segue agora, mas com ênfase muito forte ao mercado. Esse desafio segue frente ao custo Brasil, concorrência internacional, a reforma tributária e, logo mais, a abertura ao mercado para os vinhos europeus com o acordo Mercosul e União Europeia.

Força dos vinhos de altitude de SC

Embora seja muito jovem, a vitivinicultura catarinense gera relevante impacto econômico. Ela mobiliza desde a origem porque a maioria dos produtores tem outro negócio no estado. São industriais, empresários de outros setores, como construção civil, saúde, comércio ou executivos de sucesso.

São 27 vinícolas associadas que geram 800 empregos entre diretos e indiretos e elaboram mais de 1 milhão de garrafas de vinhos finos de altitude por ano. A área plantada de vinhedos  saltou de 74,83 hectares em 2013 para 235,5 em 2023. O faturamento anual cresceu de R$ 7,5 milhões para quase R$ 45 milhões, uma alta de 593%. O faturamento por hectare subiu 88% no período.  

Em região de paisagens deslumbrantes e natureza exuberante, o enoturismo responde por 38% das vendas do setor. Outro destaque são as constantes premiações. Nos últimos quatro anos, foram mais de 180 prêmios de qualidade conquistados e foram lançados mais de 260 rótulos.

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Programação da Vindima

Interessados em visitar a Serra de SC durante a 12ª Vindima de Altitude podem acessar as redes sociais da Vinhos de Altitude Produtores Associados. A programação completa nas vinícolas e no Vinho & Arte Festival está disponível no Instagram da entidade, o @vinhosdealtitudesc.

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