O risco concreto de os Estados Unidos entrarem na guerra Israel x Irã preocupa a indústria de Santa Catarina pelos prováveis efeitos negativos indiretos e diretos. A presidente da Câmara de Comércio Exterior da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), Maria Teresa Bustamante, destaca o aumento do frete marítimo e incertezas para exportações de empresas de SC para os países árabes. O economista-chefe da entidade, Pablo Bittencourt, alerta sobre impactos globais e o aumento do preço do petróleo, com efeitos no mundo todo.  

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Pablo Bittencourt observa que esse cenário piorou rapidamente. Há duas semanas, era improvável a entrada dos EUA numa guerra. Mas começou o conflito Israel x Irã e nesta quinta-feira o presidente Donald Trump afirmou que o país pode decidir entrar na guerra em duas semanas. Nesta sexta, ele deu uma recuada, dizendo que deixará os diplomatas trabalharem. Para Pablo Bittencourt, esse cenário aumenta muito o risco geopolítico e impacta na economia.

– Na semana passada, no entanto, o Trump já tirou diplomatas americanos da embaixada de Teerã enquanto Israel se preparava para um ataque, justamente para deixar claro que os EUA não participariam de uma guerra. Dois dias depois, o cenário mudou completamente. Trump emitiu ultimato ao Aiatolá Khamenei abrindo até a possibilidade de uma ação direta contra ele. E a notícia que a gente tem agora que uma decisão eventual dos Estados Unidos entrarem na guerra vai acontecer nas próximas duas semanas. Isso é algo complicadíssimo, porque logo em seguida a esse ultimato do Trump parte dos apoiadores do Aiatolá ventilaram a ideia de fechar o Estreito de Ormuz, onde passa 20% do petróleo transacionado no mundo e aí o preço disparou. O barril custava US$ 60 e subiu para US$ 77 – explica o economista-chefe da Fiesc.

Maria Teresa Bustamante observa que há anos a Fiesc vem fazendo um trabalho de apoio a indústrias catarinenses para prospectar clientes nos países árabes. Mas, agora, com esse conflito e os fretes marítimos já aumentando, há risco de perda desses mercados.

– A Fiesc está fazendo investimento bastante forte na promoção comercial dos produtos catarinenses nos países do Oriente Médio. Especialmente no caso de Israel, nós já temos uma balança comercial importante de produtos com alto valor agregado. Mas isso também se repete para os países da região. Exportamos para Omã, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita… E essa guerra, na verdade, que foi declarada por Israel, mostra um efeito também em relação ao valor dos fretes, que já estavam bastante altos, gera desvalorização das moedas e aumenta o valor do petróleo – afirma a presidente da Câmara de Comércio Exterior da Fiesc.

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Segundo ela, o impacto dessa guerra nos fretes marítimos é relevante. O custo para transportar um contêiner de 40 pés de Xangai, na China, para Nova York, aumentou 67%. Essa alta sinaliza dificuldades que serão enfrentadas com o custo de frete que vai aumentar proporcionalmente às dificuldades que aparecem no Estreito de Ormuz e no Mar Vermelho.

– Isso obriga as companhias de navegação encontrar outras rotas mais seguras e mais longas. Esse é o problema, como ter que usar o Cabo da Boa Esperança (Sul da África). Então, para o pessoal de supply chain, que tem que programar e planejar todos os embarques, precisa de um reordenamento das compras internacionais, uma revisão dos contratos. As consequências e as variáveis que têm que ser contempladas são muitas – explica Maria Teresa Bustamante.

Para ela, isso permite concluir que os problemas que o setor de transporte marítimo já vinha acumulando como falta de contêineres, falta de rotas e alterações de rotas vão ficar mais complicados daqui para a frente.

Guerra impacta viagens internacionais

O presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav-SC), Thiago Bertola, observa que até o presente, empresa ligadas à entidade não registram números expressivos de cancelamentos ou desistências por conta desse novo conflito. Mas reconhece que momentos como esse sempre acabam afetando o turismo e influenciando na decisão dos viajantes em relação aos destinos de férias.

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– Essas regiões específicas desse conflito (Israel x Irã) não tem um fluxo tão massivo para o público catarinense. No entanto, como os voos para a região estão todos afetados, fica mais difícil chegar em pontos no Líbano e arredores por exemplo. Também voos que passam por Dubai e Qatar, que têm como destino diversos outros lugares, como Thailandia e Maldivas além da China por exemplo, nestes casos ajustes de rotas têm sido feitos de modo que o tempo de viagem aumentou um pouco – explica Thiago Bertola.  

A alta do preço do petróleo é preocupante porque eleva a inflação no mundo todo. A guerra Ucrânia e Rússia gerou uma alta nos preços do petróleo e do gás natural, com impactos no mundo todo.

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