A B3, bolsa de valores do Brasil, comunicou na manhã desta terça-feira a aquisição da empresa de tecnologia Neoway, de Santa Catarina, líder em big data analytics, por R$ 1,8 bilhão. O objetivo da bolsa é ampliar serviços na área em que atua, que é de dados públicos para empresas, justamente o foco da Neoway. As conversações sobre a transação foram tornadas públicas semana passada.

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Esse é o segundo grande negócio de fusão e aquisição, no termo inglês M&A, envolvendo empresa de tecnologia de SC este ano. O primeiro foi a venda da RD Station, dia 9 de março, por R$ 2 bilhões para a Totvs.

B3 negocia compra da catarinense Neoway, gigante do big data, por mais de R$ 1,5 bilhão

Segundo a B3, esta foi a maior aquisição que fez desde 2017, quando se tornou a bolsa de valores do mercado brasileiro. Ela informou que vai reservar R$ 200 milhões para investimentos adicionais estratégicos ao crescimento da Neoway nos próximos cinco anos.

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Fundada em 2002 pelo empresário Jaime de Paula, em Florianópolis, a Neoway entrou no segmento de big data em 2012. A partir daí, se tornou líder em dados empresariais, analytics e inteligência artificial no Brasil. Conta com equipe de 450 funcionários, mais de 500 clientes B2B e para 2021, a projeção é de que vai alcançar receita líquida de R$ 190 milhões.

Pelo comunicado de hoje, a empresa seguirá com atuação autônoma e independente, dentro do grupo B3. Ele informa também que a sede continua em Florianópolis e com a atual gestão. A intenção, também para o longo prazo, é seguir com modelo de gestão e cultura que priorizam a inovação e proximidade com os clientes.

– Essa nova aquisição nos permitirá unir, de um lado, a experiência da Neoway em coletar, analisar e organizar dados de diferentes fontes, gerando valor agregado para clientes com produtos inovadores, e de outro lado, o capital, credibilidade e dados sobre mercado de capitais, veículos, imóveis e outros que só a B3 tem. Dados e analytics têm sido uma fonte crescente de receita para bolsas internacionais, e acreditamos que, no “Informação Interna” caso da B3, esse negócio ganhará maior foco, velocidade e know how ao trazermos os talentos, track record e a bem-sucedida plataforma da Neoway – afirmou Gilson Finkelsztain, CEO da B3.

A Neoway chegou a esse valor de mercado pela eficiência e sofisticação da inteligência artificial que desenvolveu para oferta de informações corporativas. Seus sistemas conseguem reunir em alguns segundos ou em uma hora dados que um grupo de pessoas especializadas demoraria semanas para coletar. Ela tem desde o número de supermercados de um determinado Estado até o total de empresas falidas de uma determinada região, por exemplo. 

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Kadu Monguilhott, CEO da Neoway.
Kadu Monguilhott, CEO da Neoway. (Foto: Neoway, Divulgação)

– A Neoway e a B3 compartilham valores e visões, incluindo nosso compromisso com um modelo de gestão que conte com diversidade, criatividade e inovação. Mais importante ainda, nos alinhamos em torno de uma ambição comum: a de escrever a história do mercado de dados no Brasil, com o propósito de democratizar dados e analytics e mover a economia. Com essa transação, conseguiremos ir muito além, e nosso time, clientes, parceiros e sociedade irão se beneficiar desse importante movimento estratégico da Neoway – disse Kadu Monguilhott, CEO da Neoway.

O modelo de negócio da Neoway reúne dados públicos de diversas fontes e torna acessíveis para seus clientes por nuvem, no modelo SaaS (serviço por assinatura). São usados para decisões nas áreas de marketing, vendas, crédito, prevenção de fraudes, compliance e inteligência jurídica. São dados que ajudam, tanto nas decisões de empresas privadas, quanto de órgãos públicos.

Desde que foi fundada, a empresa recebeu investimentos de importantes fundos internacionais como o Accel Partners, Monashees, Temasek, PointBReak, Pollux e Endeavor Catalyst. A aquisição ainda precisa ser aprovada na assembleia pelos acionistas da B3 e, também, dependerá da aprovação do órgão de concorrência do Brasil, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Além disso, a CVM vai avaliar outras condições para esse tipo de negócio.

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