Primeira reunião do governador eleito Jorginho Mello (PL) com a diretoria da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) teve pedido de apoio para formação técnica pelo Estado, mas surpreendeu com a informação sobre revisão de benefícios fiscais. Apesar disso, ambas as partes sinalizaram que a relação entre governo e a entidade será mais próxima e mais franca do que com o governo de Carlos Moisés, que iniciou tensa em 2019 justamente porque foi iniciada uma inesperada revisão de incentivos fiscais.

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– Vou tomar conhecimento. O valor a gente já sabe. Estamos procurando a equipe de transição para saber a que nível está, que tipo de produto, dificuldade interestadual. Isso é normal, não para prejudicar alguém, mas para saber quem está tendo benefício e qual o resultado desse benefício. É tranquilo, é uma ação que vamos fazer através da secretaria da Fazenda, através dos técnicos. Estamos levantando – explicou governador eleito para a imprensa, depois da reunião.

– A indústria não quer benefícios que venham trazer prejuízos para o Estado. Benefícios têm que beneficiar o Estado por conta de que haverá mais investimento, mais desenvolvimento e, consequentemente, maior arrecadação para o governo – afirmou o presidente da Fiesc, Mario Cezar de Aguiar.

Jorginho Mello falou por cerca de 20 minutos na reunião da diretoria da entidade, após ouvir estatísticas relevantes do setor, apresentadas pelo diretor de Inovação da entidade, José Eduardo Fiates e do presidente da federação. Foi informado, por exemplo, que cerca de 50% dos empregos nos serviços são gerados pela indústria e que onde tem empresa forte do setor o PIB municipal é maior. Aguiar apontou também a necessidade de ajustar benefícios fiscais do agronegócio com estados vizinhos porque SC está com algumas desvantagens.

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Jorginho disse que sempre apoiou o Sistema “S” com parlamentar, sempre que algum governo tentava cortar verbas desse segmento, trabalhou para impedir isso. Mas falou que agora precisa do apoio da Fiesc para formação técnica no Estado, resposta que foi favorável.

– Sempre ajudei o Sistema “S”, sempre quando algum governo quis morder. Agora chegou a hora de eu pedir parceria para que a gente possa construir esse Estado junto – afirmou.  

Mario Cezar Aguiar disse que a Fiesc está à disposição para colaborar em formação técnica. Ela detém o maior sistema de formação técnica privada do Estado e a competência do Senai é reconhecida.

Ao falar para industriais, o governador eleito disse também que anunciará o secretariado somente em 1º de dezembro e que o setor poderá ajudar a escolher um nome para a secretaria de Desenvolvimento ou pasta com a mesma função com novo nome, que poderá voltar a ser a Secretaria de Indústria, Comércio e Serviços. ­­O presidente da Fiesc sinalizou que a entidade não está muito preocupada em indicar nome, mas em trabalhar junto com o titular da pasta.

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Outro assunto que não ficou de fora desse primeiro encontro, foi a necessidade de Santa Catarina receber um retorno maior o total de tributos que arrecada para o governo federal. Jorginho disse que SC merece mais do que os cerca de R$ 9 bilhões que voltaram ao Estado em 2021, quando foram para Brasília R$ 97 bilhões, cifra maior que a do Rio Grande do Sul. A propósito, esse cálculo é feito pela Fiesc, que acompanha atentamente essa movimentação bilionária de tributos.

Na Carta da Indústria aos candidatos, a Fiesc sugeriu também a criação de um conselhão, integrado pela entidade e outras para trabalhar em conjunto com o governo, dando sugestões. Esse assunto não entrou na pauta desta sexta, embora o governador eleito tenha deixado claro que a relação será de colaboração com a entidade industrial, outras e também com as demais esferas de governo.

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