Em meio a uma taxa de juros básicos nas alturas para controlar a inflação no Brasil e uma série de obstáculos no mercado internacional, a economia catarinense começou o ano surpreendendo mais uma vez, ao liderar a criação de empregos formais no país, com saldo positivo de exatamente 19 mil vagas, como informou o Caged, do Ministério do Trabalho. O estado abriu 11.623 vagas na indústria, 4.247 na construção civil, 3.476 nos serviços e 1.436 na agropecuária. No comércio, fechou 1.782 vagas.

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Tanto a economia brasileira, quanto a catarinense, seguem impactadas pelo cenário econômico mais difícil e abriram menos vagas em janeiro deste ano frente a janeiro de 2025. O país criou no primeiro mês deste ano 112.334 novos empregos com carteira assinada, enquanto no mesmo mês de 2025 foram 154.396 vagas. Em Santa Catarina, em janeiro do ano passado o saldo positivo ficou em 23.779 vagas.

No primeiro mês deste ano, o estado foi seguido de perto pelo Mato Grosso, que criou 18.731 novos empregos, e o Rio Grande do Sul, com saldo de 18.421 vagas. São Paulo, que responde por cerca de 32% do Produto Interno Bruto do Brasil (PIB) e que normalmente lidera a criação de emprego, teve saldo de 16.451 novas vagas em janeiro.

Esta não é a primeira vez que Santa Catarina surpreende no emprego pela sua diversidade econômica e indústria forte. Durante o difícil período da pandemia, em 2020, o estado chamou a atenção ao liderar o emprego. Fechou aquele ano com saldo positivo de 53.050 novas vagas.  

A Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) reconheceu os resultados positivos, mas alertou que a economia registra um processo de desaceleração e isso significa também a menor criação de vagas.

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O presidente da Fiesc, Gilberto Seleme, afirmou que a indústria catarinense tem se mostrado resiliente, mas o movimento de desaceleração da economia frente ao cenário internacional incerto e à elevada taxa de juros e seus reflexos na concessão de crédito estão sendo sentidos pelo industrial.

Em janeiro, os setores da indústria que mais se destacaram foram a construção civil e o setor têxtil, de vestuário, couro e calçados, com 3,5 mil novas vagas.

O Observatório Fiesc explica que o dinamismo da construção civil de SC é diferenciado pelo crescimento intensivo no litoral do estado, um caso único no Brasil. E o setor têxtil e de calçados cresce puxado pelo consumo das famílias, que segue favorável, observou o economista do Observatório, Arthur Calza.

O crescimento do emprego no agro se deve ao inicio das colheitas de safras e o recuo no comércio é sazonal também, reflexo dos maiores empregos temporários em dezembro para atender vendas de fim de ano.

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