Um dos negócios mais esperados do setor industrial brasileiro neste ano, a aquisição da Medley, do grupo francês Sanofi, ficou com o Grupo EMS, líder nacional do setor de fármacos. Os termos comerciais do acordo não foram divulgados, mas o mercado estima que a gigante brasileira investiu mais de US$ 600 milhões (R$ 3,2 bilhões) nessa aquisição, consolidando a liderança em genéricos com 31% do total do mercado.
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O vice-presidente da EMS, Marcus Sanchez, em entrevista após o anúncio do negócio, informou que haverá um acréscimo de 7% a 8% de participação de mercado. Atualmente, o Grupo EMS detém de 23% a 24% de participação e chegará a 31%.
O fechamento do negócio ainda depende da aprovação órgão de concorrência, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), decisão que pode sair ainda neste ano. Mas o empresário acredita que a aquisição será aprovada porque o mercado de medicamentos é bastante pulverizado no Brasil.
– O que nós acreditamos é que, a partir do momento que essa empresa venha para a nossa gestão, vamos conseguir acelerar e colocá-la no centro das prioridades para avançar, seja em portfólio, seja em incremento inclusive de pessoas, ou na parte industrial. A Medley tem
uma fábrica basicamente a 20 quilômetros daqui da matriz da EMS. Então, já tem uma questão geográfica que é benéfica para o negócio e entendemos que, a partir daí, boas práticas, trocas e investimentos novos tendem a acontecer – afirmou Marcus Sanchez.
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O vice-presidente destacou que a marca Medley vai continuar no mercado, atendendo aos consumidores que têm ela com preferência. A fábrica em Campinas também continuará. Atualmente, a Medley tem no Brasil pouco mais de 900 colaboradores. Esse número continuará ou será ampliado.
De acordo com o empresário, como as duas marcas atuam no mesmo mercado de genéricos, muitos produtos são os mesmos e têm preços parecidos. Isso vai continuar, com atenção aos consumidores porque as marcas já têm uma semelhança muito grande de posicionamento.
Marcus Sanchez deixou claro também que a gestão seguirá com a Sanofi até a decisão do Cade e nenhuma política será alterada. Tanto na área comercial junto ao mercado, quanto de comunicação, seguirão as mesmas.
Questionado sobre investimentos futuros, o empresário informou que tanto a EMS quanto a Medley passaram recentemente por investimentos fabris, porém, encontram-se novamente no limite de produção.
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– Muito provavelmente nós, no caso aqui de Grupo EMS, já anunciamos uma nova onda de investimentos de mais de R$ 1 bilhão nos próximos anos em expansão fabril. É óbvio que, consequentemente, a Medley passando por decisão favorável do CADE e vindo para o nosso portfólio, é normal que façamos um olhar cruzado do que, eventualmente, uma empresa poderia fazer de fabricação para outra e o que essas empresas deveriam manter 100% segregado – disse Marcus Sanchez, admitindo que poderão ser feitas fábricas novas em São Paulo ou em Manaus, considerando a questão tributária.
Nesse processo de aquisição da Medley junto à multinacional francesa Sanofi, o Grupo EMS foi assessorado pelo escritório de advocacia Lefosse no Brasil e por Mayer Brown em Nova York, nos Estados Unidos.
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