Com atividades crescentes em Santa Catarina, o setor de comércio exterior necessita de mais profissionais qualificados, tecnologias específicas e melhor infraestrutura logística. Esse alerta foi feito durante o Meeting Comex, maior evento da Região Sul sobre negócios internacionais, realizado nos últimos dois dias pela Associação Empresarial de Joinville (Acij).

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De acordo com a presidente do Núcleo de Negócios Internacionais (NNI) da Acij, Renata da Rosa, esses gargalos estão tornando mais caros os serviços de logística relacionados ao comércio exterior. As regiões mais afetadas são as de Joinville e Itajaí.  

– Temos evasão de profissionais em Joinville porque muitos estão mudando para Itajaí. E em Itajaí já está colapsado. Como não tem mais profissionais, eles estão tendo que aumentar as médias salariais. Itajaí é um polo de contratação e tem feito com que muitas pessoas de Joinville sejam atraídas a mudarem de cidade. Temos duas faculdades que formam profissionais de comércio exterior em Joinville, mas não são suficientes – explica Renata da Rosa.

De acordo com ela, em Joinville, a média salarial de um analista de comércio exterior, que é a função de entrada da carreira, estava R$ 2,5 mil a R$ 3 mil. Mas com a demanda maior da região de Itajaí, que está pagando de R$ 5 mil a R$ 6 mil, em Joinville a média também aumento e está em cerca de R$ 4,5 mil a R$ 5 mil para profissionais iniciantes.  

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Renata da Rosa, presidente do núcleo da Acij, e Carolina Botelho, presidente do Meeting Comex

Na prática, quem está sofrendo mais são os prestadores de serviços, observa a presidente do núcleo. O agente de carga, o despachante aduaneiro e as tradings são os segmentos de empresas que mais estão contratando pessoal em Itajaí. Dizem que a cidade tem mais agentes de cargas do que padarias, observa ela. Essa carência está levando empresas de serviços a buscarem até profissionais que estão em grandes empresas.

Outra carência é de sistemas digitais para facilitar a gestão das atividades de importação e exportação, considerando as peculiaridades dessas atividades. Na avaliação de Renata da Rosa, seria importante que empresas de tecnologia desenvolvessem soluções porque o que tem hoje no mercado ou não contempla as demandas de serviços ou é muito cara.

Além disso, a infraestrutura logística insuficiente também o setor. O principal gargalo  da região é a BR-101 engarrafada. Nos finais de semana, a situação é mais caótica. Na avaliação da presidente do Núcleo da Acij, o trecho entre Joinville e Florianópolis precisa de uma rodovia paralela duplicada.  

A décima edição do Meeting Comex contou com 16 palestras de capacitação. Entre os temas apresentados estiveram também tendências de exportações, de importações, mercado cambial e burocracia na área aduaneira.

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